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Publicado em 27 Jan, 2026

Viver bem consigo e com os outros – Como entender e combater a solidão

Solidão - Saiba o que é a solidão, quais as principais causas, consequências e estratégias para combater a solidão. Conheça a diferença entre isolamento e solidão e como se manifesta a solidão nos idosos. Veja ainda quais os grupos de contacto e outros apoios para resolver este sentimento negativo.

A solidão é um sentimento silencioso mas devastador, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente na terceira idade. E o problema não passa apenas por estar fisicamente sozinho. É igualmente grave quando, mesmo rodeado de outras pessoas, existe uma sensação profunda de desconexão e vazio que persiste. 

De certa forma, a solidão é um grito silencioso que muitas vezes passa despercebido até que as suas consequências se tornam impossíveis de ignorar. Em Portugal, a solidão nos idosos é uma realidade crescente que vai muito além das estatísticas e pode bater à porta de qualquer um. A boa notícia é que a solidão pode ser combatida. 

É de extrema relevância saber reconhecer os sinais, compreender as causas e agir a tempo. Isso pode fazer toda a diferença entre uma vida marcada pelo isolamento e solidão ou pela plenitude, companhia e felicidade. Neste artigo vai ficar a saber como entender a solidão, identificá-la em quem ama e, nessas situações, quais as ferramentas para reverter este sentimento negativo.

 

 

O que é a solidão?

A solidão é uma sensação pessoal que resulta de isolamento social ou de insatisfação relativamente aos laços sociais existentes, que causa desconexão interna e com as outras pessoas. Esse desconforto expressa–se por uma sensação de que se está sozinho no mundo, mesmo quando acompanhado de outras pessoas. 

A solidão é um sentimento negativo que pode ter origem em questões do foro psicológico, problemas de saúde, alterações económicas, mudanças abruptas e outras condições. Este é um problema que pode ter graves consequências, mas que pode ser combatido com suporte de familiares, amigos ou outras pessoas, apoio médico e também de forma individual, através de mudanças no estilo de vida, pensamento e de outras ordens. 

Solidão e isolamento social são a mesma coisa?

Não, o isolamento social é uma situação que resulta da falta de vontade, incapacidade ou impossibilidade de interagir com outros e de se integrar. Por outro lado, a solidão é um sentimento pessoal, na forma como uma pessoa se encara a si própria e ao mundo, que pode ser originado pelo isolamento social ou por outras situações. Ou seja, apesar do isolamento social poder causar solidão, ele é apenas um dos motivos para esse sentimento. 

Veja, na tabela seguinte, o que distingue solidão e isolamento social

 

Critérios Isolamento Social Solidão
Natureza Circunstancial: Refere-se à situação externa e visível Experiencial: Refere-se ao sentimento e à vivência interna
Dimensão Objetiva: É uma situação externa e observável Individual: É uma experiência interna e invisível
Foco Quantidade: Refere-se ao número e frequência de contactos Qualidade: Refere-se à profundidade e satisfação nas ligações
Avaliação Observável, pode ser medido (ex: “vive sozinho”, “não sai de casa”) Percepcionada: não pode ser medida diretamente, pois é sentida (ex: “sinto-me incompreendido”, “sinto falta de apoio”)

 

Por exemplo, um idoso que vive sozinho na sua casa mas que interage com vizinhos e se mantém em contacto com a família de forma constante pode não ter qualquer sentimento de solidão. Já outra pessoa que esteja sempre em contacto com amigos mas que não tem relações profundas nem retira prazer dessas interações, provavelmente experiencia sentimentos de solidão.

Qual a diferença entre solidão e solitude?

A diferença entre a solidão e a solitude é que a primeira não passa por uma escolha pessoal, sendo um sentimento que surge independentemente da pessoa querer ou não sentir-se sozinha. A solitude, por outro lado, é uma escolha pessoal de alguém que pretende e deseja estar sozinha, sem qualquer tipo de sensação negativa associada a essa opção.

Uma pessoa pode optar pela solitude por vários motivos, como desejar fazer uma autorreflexão, pretender descansar, preferir fazer determinadas tarefas sozinhas ou simplesmente gostar de estar consigo mesma. Ou seja, é uma vontade própria e associada a sentimentos de preenchimento e que pode ser positiva. Por outro lado, a solidão é algo que surge de forma espontânea e indesejada e que acarreta sentimentos negativos.

Que tipos de solidão existem?

A solidão expressa-se de várias formas, e os principais tipos de solidão são:

  • Solidão Emocional: Ausência de vínculos afetivos profundos e significativos, mesmo estando acompanhado por outras pessoas;
  • Solidão Social: Falta de uma rede social alargada e de sentimento de pertença a um grupo ou comunidade;
  • Solidão Existencial: Sensação de desconexão relacionada com questões profundas sobre o propósito e significado da própria existência;
  • Solidão Situacional (ou Circunstancial): Sentimento de solidão temporário causado por eventos específicos como luto, divórcio, reforma ou doença;
  • Solidão Crónica: Estado prolongado e persistente de solidão que se mantém independentemente das circunstâncias externas;
  • Solidão Íntima (ou Romântica)Falta de conexão profunda com um parceiro romântico ou ausência de relação amorosa significativa;
  • Solidão Cultural: Sentimento de desconexão causado por diferenças culturais, linguísticas ou de valores em relação ao meio envolvente;
  • Solidão Digital (ou Paradoxo da Conectividade):Sensação de solidão apesar de múltiplas conexões virtuais, causada pela superficialidade das interações online;
  • Solidão Coletiva (ou em Grupo): Sentir-se sozinho e incompreendido mesmo estando fisicamente presente num grupo ou multidão;
  • Solidão Familiar: Falta de conexão emocional significativa com membros da própria família, apesar da proximidade física.

 

Estar rodeado de gente resolve os sentimentos de solidão?

Não, a presença de outras pessoas não basta para combater os sentimentos de solidão. É necessário que esses momentos de socialização sejam enriquecedores e exista a capacidade de criar relações íntimas e profundas. Caso contrário, a integração em grandes grupos pode ter um efeito contrário, com um sentimento de desconexão, incompreensão e de ainda maior solidão.

Combater o isolamento é, de facto, uma excelente forma de reverter os sentimentos de solidão. Mas, muitas vezes, esta socialização deve ser apoiada por psicólogos que oferecem estratégias para que, em vez de estar no mesmo local que as outras pessoas, se consiga efetivamente estar num local com as outras pessoas.

Quem pode ser afetado pela solidão?

A solidão afeta qualquer pessoa em determinados momentos, já que é um sentimento pessoal a que ninguém está imune. A principal questão com a solidão passa pela forma como se lida com esse sentimento, já que ele pode e deve ser combatido através de alterações nas rotinas, na forma de pensar e na forma como nos relacionamos com as outras pessoas.

Manter relações profundas com outras pessoas é uma das principais formas de solucionar a questão, bem como manter rotinas saudáveis e, de preferência, em que interage com outras pessoas. É igualmente importante evitar que a solidão se transforme em isolamento. Para isso deve-se procurar manter laços familiares e sociais positivos e, se necessário, contar com apoio constante da família, amigos ou de um cuidador de apoio domiciliário

 

A solidão é habitual nos idosos?

Sim, a solidão é uma questão habitual nos idosos. As estatísticas do SNS sobre solidão indicam que apenas 9,9% das pessoas entre 55 e 64 anos afirmam sentir solidão, mas o número sobe para 26,8% nas pessoas com mais de 85 anos. Existem vários motivos para esta situação, e que estão mais associadas à terceira idade, como o facto da solidão afetar mais pessoas viúvas (30,6%).

A solidão atinge mais os homens ou as mulheres?

A solidão afeta mais pessoas do sexo feminino. Os dados sobre solidão do SNS indicam que a solidão atinge 20,4% das mulheres e apenas 7,3% dos homens em Portugal. Mas existem outras investigações a indicar que este problema se agrava na terceira idade. O estudo “Solidão e isolamento nos idosos em Portugal”, do Politécnico de Bragança, indica que a solidão atinge 37,5% das mulheres idosas.

A solidão é mais habitual nos idosos em lares ou a viver em casa?

Sim, a generalidade dos estudos em Portugal e a nível internacional confirma que a solidão é mais habitual nas pessoas que vivem em lares. Esta situação é causada pela perda do espaço pessoal e rotinas quotidianas, ausência de laços familiares, doenças associadas e até um sentimento de ser um local para onde se vai viver apenas nos derradeiros anos de vida. 

Existe mesmo o paradoxo de, apesar de estarem acompanhadas de mais pessoas, os idosos sentirem mais solidão nos lares do que a viver sozinhos em casa. Alguns estudos internacionais indicam  a solidão atinge 10% a 20% dos idosos a viver em casa, mas que ela pode subir para os 60% nos idosos que vivem em lares. 

Como tal, com a Organização Mundial de Saúde a dedicar a década 2021-2030 ao tema do envelhecimento saudável, tentar manter os séniores no seu espaço de conforto é uma forma de combater a solidão.

Quantos idosos vivem sozinhos em Portugal?

Segundo os  dados do Pordata para o número de idosos a viverem sozinhos em Portugal, 805.000 pessoas com mais de 55 anos vivem sozinhas em Portugal. Estes dados colocam Portugal como o 13º país da União Europeia onde mais cidadãos seniores vivem sozinhos. E nos Censos Sénior 2025 da GNR, foram sinalizados 43.074 idosos a viver sozinhos, isolados ou em situação de vulnerabilidade em Portugal. 

 

Causas da solidão na velhice

A solidão na velhice é causada por diversas razões, onde as principais são:

  • Luto e Viuvez: A perda do cônjuge e de amigos próximos elimina as principais fontes de apoio emocional e companhia diária;
  • Dispersão Familiar e Emigração: A emigração de filhos, a vida urbana acelerada, o abandono familiar e a distância geográfica reduzem drasticamente os contactos e apoio presencial;
  • Limitações de Mobilidade, Saúde Física e Barreiras Arquitetónicas: Dificuldades físicas, doenças crónicas, dor constante, cansaço, medo de quedas nos idosos, falta de elevadores em prédios antigos e passeios degradados impedem o idoso de sair de casa, frequentar espaços públicos ou manter atividades sociais;
  • Reforma, Perda de Propósito e Quebra de Rotinas: O fim da vida profissional retira o convívio social rotineiro, o sentimento de utilidade e a estrutura diária;
  • Insegurança Económica: Pensões baixas limitam a capacidade de pagar transportes, cafés, atividades de lazer ou até aquecimento, reduzindo oportunidades de convívio;
  • Défices Sensoriais (Audição e Visão): A perda de audição ou visão dificulta a comunicação e leva o idoso a retrair-se para evitar situações de incompreensão ou constrangimento;
  • Exclusão Digital: A falta de conhecimento para usar as tecnologias para idosos isola o idoso num mundo onde a comunicação, serviços e relações familiares dependem cada vez mais da internet;
  • Desertificação Rural e Isolamento Geográfico: O fecho de serviços, comércio local e saída de população das zonas do interior deixa o idoso geograficamente isolado e sem apoio de proximidade;
  • Idadismo e Invisibilidade Social: O preconceito social face à idade faz com que o idoso se sinta desvalorizado, ignorado ou excluído pela sociedade;
  • Declínio Cognitivo: Doenças como o Alzheimer ou demências dificultam a manutenção de conversas, o reconhecimento de laços sociais e a autonomia para procurar contacto;
  • Estigma da Dependência: A vergonha de pedir ajuda ou de mostrar vulnerabilidade leva muitos idosos a esconderem as suas necessidades e a recusarem ajudas sociais ou os serviços de cuidados pessoais no domicílio;
  • Falta de Espaços de Convívio: O encerramento de centros de dia, clubes de reformados e espaços comunitários reduz drasticamente as oportunidades de socialização e de realizar jogos para idosos ou outras atividades.

 

Viver sozinho é sinónimo de sentir solidão?

Não, viver sozinho não é o mesmo que sentir solidão. O facto de viver sozinho é uma condição, mas que muitas vezes não causa sentimentos negativos. Se existir uma rotina com interações frequentes, seja com vizinhos, por meios digitais ou com serviços de apoio a idosos em casa, e o idoso não sentir qualquer problema em estar sozinho, não existe ligação entre essa opção e solidão.

Muitas vezes as pessoas preferem viver sozinhas, mantendo-se no ambiente que conhecem e dominam, sem que isso signifique sentir solidão. E, por exemplo, mesmo quando existem sentimentos negativos durante determinadas fases do dia, como durante a noite, isso não é sinónimo de solidão. Muitas vezes é melhor encontrar alguém para cuidar de idosos à noite, deixando que permaneçam na sua casa, do que correr o risco deles se sentirem isolados e em solidão num lar da terceira idade.

Como os problemas de saúde contribuem para a solidão?

Os problemas de saúde, especialmente os défices sensoriais (como a perda de audição) e a dor crónica, criam barreiras de comunicação e retiram a energia necessária para o convívio. Quando um idoso não consegue ouvir bem uma conversa ou sente desconforto físico ao deslocar-se, a tendência natural é o retraimento e a autoexclusão para evitar situações de frustração ou cansaço extremo, o que pode dar origem a sentimentos de solidão.

Como a reforma causa isolamento?

A reforma marca o fim abrupto de uma rede social obrigatória e de uma rotina de utilidade social, deixando um vazio e solidão que muitos não conseguem preencher. Sem o contacto diário com colegas e sem o propósito conferido pela profissão, pode-se perder o sentido de identidade e ver o seu círculo social restringir-se drasticamente ao ambiente doméstico.

Como a viuvez e a perda de amigos influência na solidão?

A perda do cônjuge e de amigos de longa data elimina as principais fontes de apoio emocional e os “testemunhos” da história de vida do idoso. Os dados do SNS mostram que 30% das pessoas viúvas em Portugal relevam sentimentos de solidão.

A redução do círculo íntimo cria um vácuo afetivo difícil de substituir na velhice, pois as novas relações raramente atingem o mesmo nível de cumplicidade e partilha de memórias. Isso faz com que o idoso se sinta desamparado e isolado, o que muitas vezes deriva na sensação de solidão. 

O abandono familiar é uma causa para a solidão?

Sim, o abandono por parte de familiares, através da ausência ou escassez de visitas, aumenta o risco de solidão. O estudo Solidão e saúde mental de idosos institucionalizados, da Universidade de Lisboa, demonstra que os idosos que não recebem visitas frequentes são mais passíveis de sentir esse sentimento.

Este estudo alerta ainda para outra realidade, quando os idosos preferem ir para uma instituição porque entendem que suas famílias não podem cuidar deles. O que configura, também, outra forma de solidão, mas que pode ser combatida através de soluções alternativas como o apoio no domicílio.

Pode-se concluir que o abandono familiar, seja ele físico ou meramente emocional (ausência de visitas e interesse), é uma das causas mais profundas de solidão. Sentir que os descendentes e entes queridos são indiferentes à sua existência gera um sentimento de desvalorização e inutilidade. Esta realidade provoca uma dor emocional que o convívio com estranhos ou profissionais raramente consegue mitigar.

Qual a relação entre solidão e digitalização?

Pela falta de competências digitais numa sociedade cada vez mais tecnológica, os idosos sentem muitas vezes solidão associada à digitalização. Isso expressa-se na incapacidade de usar dispositivos modernos para comunicar com familiares, vergonha ou constrangimento por não saber usar funcionalidades digitais (como marcações médicas ou operações bancárias) e uma sensação de não pertencer ao mundo moderno.

As dificuldades económicas contribuem para o isolamento?

Sim, as dificuldades económicas contribuem de forma evidente para o isolamento e sentimentos de solidão. Por limitarem as interações sociais, pela necessidade de poupar dinheiro para bens vitais (como alimentação, medicamentos ou despesas correntes), muitos idosos acabam por se abster de ter vida social, caindo numa espiral de isolamento e solidão.

Como a mobilidade reduzida contribui para o isolamento?

A mobilidade reduzida, agravada por barreiras arquitetónicas como escadas ou falta de transportes adaptados, transforma a casa numa “prisão” involuntária. O idoso deixa de frequentar o espaço público, perdendo as interações espontâneas com a vizinhança que são fundamentais para combater o isolamento. Para evitar esta situação pode-se recorrer ao apoio domiciliário à terceira idade, que ajuda nas rotinas e na mobilidade, dá confiança e segurança e garante uma interação frequente entre idoso e cuidador.

 

Sinais de solidão nos idosos

Os principais sinais de solidão nos idosos são psicológicos, físicos e através da alteração de comportamentos e rotinas. Veja no quadro seguinte como detetar sinais de solidão em idosos.

 

Sinal Sintomas
Alterações de Humor Irritabilidade sem motivo aparente, apatia profunda ou choro frequente
Verbalização de Sentimentos Negativos Conversas frequentes sobre sensação de abandono ou sobre pessoas que faleceram
Perda de Interesse por atividades Abandono de atividades que traziam prazer, apatia na sua realização ou recusar a participação em atividades para idosos
Afastamento Social Deixar de atender o telefone, recusar convites para sair ou evitar interagir com vizinhos
Alterações no Sono Insónias frequentes, pesadelos ou, pelo contrário, dormir excessivamente durante o dia
Negligência nos Cuidados Pessoais Desleixo com a higiene pessoal, usar roupas sujas e não cuidar da aparência física (cabelo, barba, etc.)
Falhas na medicação Não tomar os medicamentos prescritos ou fazer as tomas fora dos horários corretos
Mudanças no Apetite Alimentação insuficiente, passar os horários habituais das refeições ou comer em excesso
Queixas Físicas Dores de cabeça, cansaço constante ou dores no corpo sem uma causa médica óbvia (somatização da dor emocional)
Desarrumação do Lar Acumulação de lixo, louça por lavar ou falta de cuidado geral com a limpeza da casa
Dificuldades Cognitivas Perda de memória recente, confusão ou dificuldade em manter o fio condutor de uma conversa

 

Como identificar a solidão emocional?

A solidão emocional é caracterizada por uma sensação de vazio mesmo na presença de outras pessoas, a que se junta a visão de que os outros não o compreendem ou apoiam. Além disso, existe uma desconexão e falta de relações íntimas ou profundas com outras pessoas, o que resulta numa preferência pelo isolamento.

Este é um sentimento subjetivo que pode ser combatido com apoio psicológico e com a criação de relações mais abertas com pessoas em que se sente confiança. Quando não se combate a solidão emocional, ela acaba por dar origem a um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais que têm efeitos nefastos a longo prazo.

Que sinais físicos podem indicar solidão?

Os sinais físicos que indicam solidão são dores crónicas sem a existência de causa médica (somatização da dor), sinais de cansaço, apatia, reações abruptas ou extremas e falta de cuidados pessoais. Nestas situações deve-se procurar que a pessoa tenha apoio constante e permanente, com presença física e consultas de psicologia, a que se pode juntar ainda o apoio de cuidados pessoais no domicílio.

Quais os comportamentos que indicam solidão num idoso?

Os principais comportamentos que indicam solidão num idoso são:

  • Negligência: Falta de cuidados com a aparência física, na limpeza e arrumação da casa, na alimentação ou com a medicação;
  • Mudanças de Humor: Explosões de raiva, crises de choro e irritabilidade sem motivos;
  • Apatia: Uma sensação de que nada é importante e falta de emoção na realização de todas as tarefas;
  • Défices cognitivos e relacionais: Perdas de memória, dificuldade em manter conversas lógicas e contínuas, confusão, mudanças constantes de temas ou perda de interesse nas interações;
  • Saudosismo: Passar o tempo a recordar épocas e pessoas passadas;
  • Recurso excessivo ao sistema de saúde: Seja por dores sem explicação, sentimentos de mal estar, ansiedades, hipocondria ou por necessidade de ter alguém que a escute, marcar de forma frequente consultas e exames;
  • Isolamento: Recusa em manter rotinas de contacto com outras pessoas, recusar a participação em festas e eventos de família ou amigos ou outras alterações comportamentais;
  • Fome de atenção: Quando idosos procuram sempre meter conversa, prolongar os diálogos além do necessário e fazem imensas questões desnecessárias, podem estar apenas à procura de ter um interlocutor que os retire da sua própria solidão.

 

Consequências da solidão

As consequências da solidão fazem-se sentir na saúde física e mental, nas interações sociais e nos efeitos nos relacionamentos com os outros. As principais consequências da solidão são:

  • Depressão e Ansiedade: A solidão prolongada aumenta significativamente o risco de desenvolver perturbações do humor, estados de ansiedade crónica e depressão;
  • Declínio Cognitivo Acelerado: O isolamento social está associado a maior risco de demência, Alzheimer e deterioração das capacidades mentais;
  • Doenças Cardiovasculares: A solidão aumenta a pressão arterial, o risco de enfarte, AVC e outras complicações cardíacas;
  • Enfraquecimento do Sistema Imunitário: O stress crónico causado pela solidão compromete as defesas naturais do organismo, aumentando a vulnerabilidade a infeções;
  • Perturbações do Sono: A falta de interação social e o mal-estar emocional provocam insónias, sono fragmentado, hipersonia, e má qualidade de descanso;
  • Aumento da Mortalidade: Estudos demonstram que a solidão crónica aumenta o risco de morte prematura em percentagens comparáveis ao tabagismo;
  • Comportamentos de Risco: O isolamento pode levar ao consumo excessivo de álcool, tabaco, medicação inadequada, negligência dos cuidados de saúde e jogos de azar;
  • Perda de Autonomia e Mobilidade: A falta de estímulo social reduz a motivação para sair de casa, praticar exercício e manter capacidades físicas, de que pode resultar sarcopenia;
  • Desnutrição: A ausência de companhia às refeições diminui o apetite e o interesse em preparar refeições equilibradas;
  • Ideação Suicida: A solidão severa e prolongada aumenta drasticamente o risco de pensamentos suicidas e tentativas de suicídio na terceira idade;
  • Baixa Autoestima e Perda de Identidade: O isolamento faz com que o idoso se sinta invisível, desvalorizado e sem propósito na sociedade;
  • Sobrecarga dos serviços de saúde: Idosos solitários recorrem mais frequentemente a urgências, consultas médicas e medicação, sobrecarregando o sistema de saúde;
  • Espiral de Isolamento-Solidão: A solidão causa o isolamento, que faz com que o idoso acabe por sentir ainda mais a solidão, numa espiral contínua que acaba com os laços sociais.

 

Como a solidão afeta a esperança de vida?

A solidão tem um impacto negativo na esperança média de vida comparável a fumar perto de 15 cigarros por dia, aumentando o risco de morte prematura em cerca de 30%. Esta conclusão é corroborada pelo principal estudo a nível mundial sobre a relação entre os Relacionamentos Sociais e Risco de Mortalidade. É ainda referida a comparação entre o impacto da falta de relacionamentos sociais e outras doenças com elevado impacto na taxa de mortalidade, como a obesidade, consumo excessivo de álcool e hipertensão. 

Em sentido contrário, manter relações sociais saudáveis e sólidas tem um impacto bastante positivo na esperança média de vida das populações. Para as pessoas que participaram no estudo e padecem de doenças (cancros, problemas cardiovasculares, problemas neurológicos ou falhas renais), a taxa de sobrevivência foi 50% mais alta nas pessoas com relações sociais saudáveis. 

A solidão aumenta o risco de depressão nos idosos?

Sim, a solidão é uma das causas para depressão geriátrica. Sendo um sentimento negativo que em idades mais avançadas é exacerbado pela perda de familiares e amigos, distância de familiares, problemas de mobilidade que impossibilitam interações sociais, problemas económicos e outras razões, a solidão aumenta o risco de depressão na terceira idade.

A autonegligência pode ser causada pela solidão?

Sim, a solidão pode levar à negligência com os cuidados pessoais, com a higiene dos idosos, medicação e na limpeza da casa. Este fenómeno ocorre porque a solidão crónica retira o sentido de propósito e a motivação para manter rotinas.

Como a solidão afeta a alimentação nos idosos?

A solidão afeta de forma grave os cuidados com uma boa alimentação  e de hidratação nos idosos, o que pode derivar em problemas de saúde graves. Esta situação é causada por alteração das rotinas (passar a fazer as refeições sozinhos) ou por sintomas de solidão como falta de motivação e apatia, negligência com os cuidados pessoais, baixa autoestima ou mesmo falta de apetite. 

Como o isolamento pode causar doenças nos idosos?

O isolamento pode causar doenças nos idosos de forma indireta, já que ela dificulta o acesso a medicamentos, alimentos e outros bens essenciais, prejudica a saúde mental e pode levar a negligências com os cuidados pessoais. Estas consequências do isolamento acabam, a largo prazo, por dar origem a défices nutricionais, problemas físicos, distúrbios mentais e outros problemas que causam doenças e contribuem para a redução da esperança média de vida.

Ou seja, este é um processo com duas fases. A primeira é de logística, acessibilidade e comportamental, em que não existe o acesso aos essenciais. Na segunda fase, derivada dessa impossibilidade de acesso, surgem efeitos biológicos e psicológicos, com doenças causadas pelo isolamento. 

Como a solidão afeta a qualidade de vida na terceira idade?

A solidão afeta de forma grave a qualidade de vida na terceira idade e dificulta o acesso a um envelhecimento saudável. A OMS avalia a solidão como um problema de saúde pública e considera que o combate à solidão e isolamento é uma das áreas de intervenção que deve ser trabalhada nos quatro pilares do envelhecimento saudável:

  • Ambientes / Locais adaptados à terceira idade;
  • Combater o Idadismo (preconceitos e estereótipos sobre a terceira idade);
  • Cuidados Integrados;
  • Cuidados a Longo Prazo.

 

Os efeitos da solidão na qualidade de vida e na saúde das pessoas são claros. E isso torna essencial a definição de estratégias para combater este sentimento, evitando a destruição dos laços sociais, problemas de saúde e outras consequências. A tomada de decisões e criação de planos de ação é essencial para reverter os sentimentos de solidão.

 

Estratégias para combater a solidão

O combate à solidão pode incluir diversas mudanças pessoais, de socialização, comportamentais e de cariz médico. Elas vão identificar e reverter os motivos para o sentimento de solidão, alterar hábitos, comportamentos e a visão pessoal, coordenar estratégias integradas com família, apoio domiciliário e cuidados de saúde e procurar fortalecer a pessoa, de forma a que a recuperação seja sólida e não apenas momentânea. 

Algumas das principais estratégias para combater a solidão são:

  • Fortalecimento da Rede de Apoio Familiar e Social: Promover a intergeracionalidade, fazer com que os momentos partilhados com familiares sejam enriquecedores e dar relevo à sabedoria do idoso nas tomadas de decisão, contribuindo para a sua valorização pessoal;
  • Integração Social e Comunitária: Promover a participação em atividades para idosos, convívios com amigos, inscrição em universidades seniores, programas de voluntariado, grupos de igreja, desporto senior e outras formas de interação;
  • Acompanhamento médico e psicológico: Promover o apoio psicólogos com ferramentas para encontrar causas, reverter sintomas e ajudar no enriquecimento e valorização pessoal, grupos de apoio, recurso a terapias holísticas e outras formas de apoio clínico;
  • Inclusão Digital: Ajudar os idosos a aderir à Agetech, com o uso de dispositivos e acesso às redes sociais para combater o isolamento e a solidão;
  • Alteração de Rotinas: Procurar implementar nos hábitos quotidianos momentos de interação e para conhecer novas pessoas, como idas ao café, aos mercados ou aos parques onde se fomenta o convívio;
  • Pet Therapy: A adoção de um animal de estimação ou visitas a quintas de animais é uma das melhores formas de combater a solidão;
  • Apoio Domiciliário: Através da presença continuada de um cuidador, que partilha todos os momentos, faz companhia e dá suporte ao idoso com uma abordagem pedagógica, respeitadora e amiga, os cuidados de apoio no domicílio são uma excelente solução para combater a solidão.

 

A que entidades recorrer como apoio para combater a solidão

Existem várias entidades que oferecem suporte, por telefone ou em grupos presenciais de apoio, para pessoas com solidão. Algumas das mais conhecidas associações e grupos de combate à solidão em Portugal são:

 

O apoio domiciliário ajuda no combate à solidão nos idosos?

Sim, o apoio domiciliário é uma excelente forma de combater a solidão nos idosos e para outros grupos de pessoas que, por estarem acamadas, sofrerem de doenças crónicas ou se encontram com mobilidade reduzida, acabam por sofrer de isolamento ou experienciar sentimentos de solidão. Os cuidadores, além da presença constante, conseguem através da sua experiência e treino, chegar até às pessoas com uma abordagem pedagógica e que ajuda a “quebrar o gelo” da solidão.

O apoio domiciliário é uma excelente ferramenta para assegurar todos os cuidados que são negligenciados por força dos sentimentos de solidão. Estes serviços garantem os cuidados pessoais e de higiene, os cuidados de saúde ao domicílio e a alimentação, conseguindo ainda promover as interações sociais dificultadas pela perda de mobilidade. 

Muitas vezes o isolamento e a solidão são uma avalanche que acaba por ter outras consequências a nível da saúde física e mental, dos relacionamentos e da capacidade de socializar. Os cuidados de apoio domiciliário da Caring, através dos seus ajudantes familiares especializados, são a solução certa para reverter esta espiral de solidão e recuperar a felicidade de viver e de conviver com os outros.

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