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Publicado em 17 Jun, 2026

Osteoporose em idosos: Quando os ossos pedem atenção

Saiba quais os sintomas da osteoporose em idosos, os fatores de risco e as consequências de não tratar. Conheça as melhores estratégias de prevenção e tratamento para a saúde óssea na terceira idade

Há doenças que avisam antes de atacar. A osteoporose não é uma delas. Avança em silêncio, sem dor, sem sintomas visíveis, enquanto vai retirando densidade aos ossos pouco a pouco. E o primeiro sinal de que algo estava errado é, muitas vezes, dramático: uma queda banal, um movimento brusco ou até um simples espirro que resulta numa fratura que ninguém esperava.

Em Portugal, um estudo recente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto revelou que a osteoporose afeta uma em cada sete pessoas adultas, com uma diferença muito significativa entre homens e mulheres. E entre os idosos, este número sobe de forma considerável, tornando esta doença uma das principais responsáveis pela perda de autonomia na terceira idade.

Neste artigo respondemos às perguntas mais importantes sobre a osteoporose em idosos: o que é, como reconhecer os seus sinais, que riscos comporta, que fatores estão associados e o que pode realmente ser feito para a prevenir e tratar.

 

 

O que é a osteoporose e porque afeta tanto os idosos?

A osteoporose é uma doença óssea sistémica caracterizada pela diminuição da massa óssea e pela deterioração da microarquitetura do osso. Segundo a CUF, esta deterioração torna o esqueleto progressivamente mais fragilizado, aumentando significativamente o risco de fraturas mesmo com traumatismos de baixo impacto, que em circunstâncias normais não seriam suficientes para quebrar um osso saudável.

A osteoporose é uma doença normal do envelhecimento?

Não totalmente. É verdade que a densidade óssea diminui naturalmente com a idade em praticamente todas as pessoas, mas a osteoporose representa uma perda de massa óssea muito além do que seria esperado apenas pelo envelhecimento. O osso é um tecido vivo que está constantemente a ser destruído e reconstruído, num processo chamado remodelação óssea. Até cerca dos 30 anos, a formação de osso novo supera a destruição, e a massa óssea aumenta. A partir daí, a balança começa a inverter-se lentamente, e a partir da menopausa nas mulheres, ou de forma mais gradual nos homens, a perda óssea acelera.

Quando esta perda é suficientemente acentuada para comprometer a resistência estrutural do osso, a pessoa entra na fase chamada osteopenia, e mais tarde, se a perda continuar, em osteoporose propriamente dita. É, por isso, uma questão de grau: não é a passagem do tempo em si, mas a velocidade e a intensidade com que o osso se vai perdendo.

Porque é que a osteoporose afeta mais as mulheres do que os homens?

O estudo conduzido pela Associação Portuguesa de Osteoporose e Doenças Ósseas Metabólicas, divulgado pela Universidade do Porto, encontrou uma prevalência de osteoporose de 15% na população portuguesa adulta, com uma diferença marcante entre sexos: 17% nas mulheres contra apenas 2,6 a 13% nos homens, dependendo do estudo de referência.

A explicação principal está nas hormonas. O estrogénio tem um papel protetor fundamental na manutenção da massa óssea, ao regular a atividade das células que destroem o osso. Com a menopausa, os níveis de estrogénio caem drasticamente, e a perda óssea acelera de forma significativa, especialmente nos primeiros cinco a dez anos após a última menstruação. Os homens também perdem massa óssea com a idade, devido à diminuição gradual da testosterona, mas este processo é tipicamente mais lento e tardio, o que explica a diferença na prevalência entre os sexos.

A partir de que idade se deve fazer rastreio da osteoporose?

Segundo as recomendações citadas pela investigadora Daniela Santos Oliveira da FMUP, recomenda-se o rastreio da osteoporose em todas as mulheres com mais de 50 anos após a menopausa, e nos homens a partir dos 70 anos. O rastreio deve ser feito mais precocemente, independentemente da idade, em pessoas mais jovens que já tenham sofrido uma fratura de fragilidade ou que tenham fatores de risco relevantes, como história familiar de osteoporose, doenças crónicas específicas ou uso prolongado de certos medicamentos.

 

Quais os sintomas da osteoporose em idosos?

Na grande maioria dos casos, a osteoporose não tem sintomas. É esta a resposta que surpreende muitas pessoas e que explica porque é que a doença é tão frequentemente diagnosticada tarde, já depois de ocorrer uma fratura.

A osteoporose tem sintomas visíveis?

Não, na maioria dos casos. A osteoporose é frequentemente descrita pelos especialistas como uma doença silenciosa, porque na fase inicial e intermédia não provoca dor, desconforto ou qualquer sinal percetível. É possível ter osteoporose avançada durante anos sem qualquer suspeita, até que ocorra uma fratura ou, em casos mais avançados, alterações posturais visíveis.

Esta ausência de sintomas é precisamente o que torna a osteoporose tão perigosa: muitas pessoas só descobrem que a têm depois de sofrerem uma fratura, num momento em que o osso já está significativamente fragilizado e em que a intervenção chega tardiamente.

Que sinais podem indicar osteoporose avançada?

Quando a osteoporose já está em fase mais avançada, podem surgir alguns sinais que merecem atenção:

  • Diminuição da estatura: a perda progressiva de altura, por vezes de vários centímetros ao longo dos anos, resulta do colapso silencioso das vértebras;
  • Hipercifose (curvatura acentuada da coluna): o aparecimento de uma postura mais curvada, conhecida popularmente como corcunda, é um sinal clássico de fraturas vertebrais por compressão;
  • Dor crónica nas costas: dor persistente na coluna, que pode surgir mesmo sem uma queda evidente, pode indicar microfraturas vertebrais;
  • Fraturas com traumatismos mínimos: quebrar um osso com uma queda de pequena altura, ou mesmo sem qualquer queda identificável, é um dos sinais mais característicos da doença;
  • Dor no esterno ou nas costelas: pode indicar fraturas nestas estruturas, que por vezes ocorrem com esforços simples como tossir.

Como se diagnostica a osteoporose se não há sintomas?

O diagnóstico de osteoporose é feito principalmente através da densitometria óssea, também chamada DXA, um exame indolor e rápido que mede a densidade mineral óssea, geralmente na coluna lombar e no fémur. Como explica a CUF, o diagnóstico pode também ser feito quando ocorre a primeira fratura de fragilidade num doente com fatores de risco que reduzem a massa óssea, mesmo sem ter feito densitometria previamente.

Este exame é simples, não invasivo e está disponível na maioria dos centros de imagiologia em Portugal, geralmente com referenciação do médico de família ou de um especialista.

 

Quais os riscos da osteoporose não tratada?

A osteoporose não tratada não é apenas uma questão de fragilidade óssea abstrata. Tem consequências muito concretas e, em muitos casos, graves. Em Portugal, estima-se que ocorram anualmente cerca de 40 mil fraturas osteoporóticas, das quais mais de 25% localizadas na anca, segundo dados citados pela Trofa Saúde.

A fratura da anca é a complicação mais grave?

Sim, é considerada a complicação mais grave da osteoporose, tanto pela sua frequência como pelas suas consequências. A fratura do fémur proximal, na zona da anca, está associada a um aumento significativo do risco de mortalidade no ano seguinte, especialmente em pessoas com mais de 75 anos. Além do risco de vida, está associada a internamentos prolongados, cirurgia, imobilização e, em muitos casos, perda definitiva de autonomia.

Cerca de metade das pessoas que eram independentes antes de uma fratura da anca necessitam de ajuda permanente para as atividades do dia a dia depois da fratura, e o risco de dependência aumenta com a idade. Esta é talvez a estatística mais importante a reter: uma queda relativamente simples pode marcar o início de uma perda de independência irreversível.

As fraturas vertebrais também são graves?

Sim, embora muitas vezes passem despercebidas. As fraturas vertebrais por compressão são extremamente comuns na osteoporose e podem ocorrer com esforços do dia a dia, como levantar um peso, tossir ou simplesmente movimentar-se de forma menos cuidadosa. Como descreve a CUF, a fratura traz consigo dor crónica, imobilidade, perda de autonomia e, frequentemente, depressão associada.

Muitas fraturas vertebrais nunca chegam a ser diagnosticadas, porque a dor é atribuída a outras causas, como dores nas costas comuns na idade. Mas cada fratura vertebral aumenta significativamente o risco de uma nova fratura no futuro, criando um ciclo que precisa de ser interrompido o mais precocemente possível.

A osteoporose aumenta o risco de quedas?

Indiretamente, sim. A osteoporose em si não causa quedas, mas é a condição que transforma uma queda inofensiva numa fratura grave. As quedas em idosos resultam de múltiplos fatores combinados, como fraqueza muscular, problemas de equilíbrio e visão reduzida, e quando ocorrem num esqueleto fragilizado pela osteoporose, as consequências são desproporcionalmente mais graves.

Esta combinação entre risco de queda e fragilidade óssea é o que torna a prevenção de quedas e o tratamento da osteoporose duas frentes que devem ser sempre trabalhadas em conjunto nos idosos.

 

Que fatores aumentam o risco de osteoporose?

Os fatores de risco para a osteoporose dividem-se em dois grupos: os que não podem ser alterados e os que dependem, em grande medida, do estilo de vida.

Quais os fatores de risco que não podem ser alterados?

  • Sexo feminino: devido à queda dos estrogénios após a menopausa;
  • Idade avançada: a perda óssea acelera progressivamente com o avançar dos anos;
  • História familiar de osteoporose ou fraturas: a predisposição genética tem um peso significativo no risco individual;
  • Etnia: pessoas de etnia caucasiana e asiática apresentam, em média, maior risco;
  • Estrutura corporal pequena: pessoas com menor massa corporal têm habitualmente menor reserva óssea;
  • Fratura de fragilidade prévia: ter já sofrido uma fratura com traumatismo mínimo aumenta significativamente o risco de novas fraturas.

Quais os fatores de risco modificáveis?

 

Fator de risco modificável Como contribui para a osteoporose
Sedentarismo A falta de exercício com impacto reduz o estímulo necessário para a manutenção da densidade óssea
Tabagismo Reduz a absorção de cálcio e interfere com a produção hormonal protetora do osso
Consumo excessivo de álcool Interfere com a formação óssea e aumenta o risco de quedas
Alimentação pobre em cálcio e proteína Compromete os elementos essenciais à formação e manutenção do tecido ósseo
Défice de vitamina D Compromete a absorção intestinal de cálcio, essencial para a saúde óssea
Baixo peso corporal ou perda de peso acentuada Reduz a reserva de massa óssea e a proteção mecânica natural
Uso prolongado de corticosteroides Estes medicamentos aceleram diretamente a perda de massa óssea
Exposição solar insuficiente Reduz a síntese natural de vitamina D pelo organismo

 

Que doenças aumentam o risco de osteoporose?

Algumas doenças crónicas estão associadas a um risco aumentado de osteoporose, designada nestes casos por osteoporose secundária. Entre as mais relevantes estão o hipertiroidismo, as doenças inflamatórias intestinais, a artrite reumatoide, a doença renal crónica, a diabetes e certas doenças que afetam a absorção intestinal de nutrientes. O uso prolongado de medicamentos como corticosteroides, alguns anticonvulsivantes e certos tratamentos hormonais também é reconhecido como fator de risco, segundo informação do portal médico Medi.

 

Como prevenir e tratar a osteoporose nos idosos?

A boa notícia é que a osteoporose tem estratégias de prevenção e tratamento bem estabelecidas e eficazes, especialmente quando a intervenção começa antes da primeira fratura.

Que alimentos ajudam a prevenir a osteoporose?

A alimentação é um dos pilares mais importantes na manutenção da saúde óssea, em qualquer fase da vida, mas particularmente relevante nos idosos.

  • Alimentos ricos em cálcio: lacticínios, vegetais de folha verde escura, sardinha com espinha, amêndoas e tofu;
  • Alimentos ricos em proteína: peixe, carne magra, ovos, leguminosas e lacticínios, essenciais para a matriz óssea;
  • Alimentos ricos em vitamina D: peixe gordo, gema de ovo e alimentos fortificados;
  • Vegetais e fruta variados: fornecem vitamina K e outros micronutrientes importantes para a saúde óssea.

 

Um padrão alimentar como a dieta mediterrânica reúne naturalmente muitos destes alimentos, sendo por isso reconhecida como um dos padrões alimentares mais favoráveis à saúde óssea a longo prazo.

Qual o papel da exposição solar e da vitamina D?

A exposição solar diária moderada é essencial, porque é através dela que o organismo sintetiza a maior parte da vitamina D de que necessita. A CUF recomenda exposição solar diária, sem exageros, como parte das medidas de prevenção da osteoporose. Em idosos com exposição solar limitada, por mobilidade reduzida ou outras razões, a suplementação de vitamina D pode ser recomendada pelo médico, com base em análises de sangue.

Que tipo de exercício é mais eficaz contra a osteoporose?

O exercício físico com impacto controlado e o treino de força são os mais eficazes para estimular a formação óssea. Caminhar, subir escadas, dançar e exercícios com pesos ou elásticos são opções acessíveis e seguras para a maioria dos idosos. O exercício tem ainda um benefício adicional crucial: melhora o equilíbrio e a força muscular, reduzindo diretamente o risco de quedas. Como explorámos no artigo sobre o sedentarismo e os seus efeitos na saúde, a inatividade física é um dos fatores que mais contribui para a perda acelerada de massa óssea e muscular na terceira idade.

Quais os tratamentos médicos disponíveis para a osteoporose?

Quando a prevenção já não é suficiente e o diagnóstico de osteoporose está estabelecido, existem tratamentos farmacológicos eficazes, sempre prescritos e acompanhados por um médico:

  • Bifosfonatos: são os medicamentos mais utilizados, atuam reduzindo a destruição óssea e são habitualmente o tratamento de primeira linha;
  • Suplementação de cálcio e vitamina D: geralmente associada a outros tratamentos, para garantir os elementos necessários à formação óssea;
  • Terapêutica hormonal: em casos selecionados, pode ser considerada em mulheres na pós-menopausa;
  • Denosumab e outros agentes biológicos: usados em casos específicos, com base na avaliação do risco individual.

 

Esta lista é meramente informativa. A escolha do tratamento depende sempre da avaliação médica individual, considerando a gravidade da doença, os fatores de risco e outras condições de saúde.

Como o apoio domiciliário ajuda na gestão da osteoporose?

Para um idoso com osteoporose, especialmente após uma fratura, o ambiente doméstico e o acompanhamento diário fazem uma diferença real na prevenção de novas complicações.

Um cuidador profissional presente no domicílio pode ajudar a implementar, na prática, muitas das medidas de prevenção: garantir uma alimentação rica em cálcio e proteína, incentivar a exposição solar diária e a prática de exercício adequado, e, sobretudo, vigiar e reduzir os riscos de queda em casa, eliminando obstáculos, garantindo boa iluminação e apoiando a mobilidade em segurança. Após uma fratura, o apoio no processo de recuperação e de retoma gradual da atividade é igualmente determinante para o sucesso da reabilitação e para evitar a perda de autonomia. Conheça o serviço de apoio domiciliário da Caring e descubra como podemos ajudar o seu familiar a viver com mais segurança. Para uma avaliação personalizada, peça a sua estimativa sem compromisso.

 

Cuidar dos ossos é cuidar do futuro

A osteoporose ensina uma lição que vale a pena reter: o silêncio de uma doença não significa ausência de gravidade. Pelo contrário, é precisamente porque não dói, não incomoda e não se vê, que a osteoporose precisa de atenção ativa e regular, e não de espera por sinais que podem nunca chegar a tempo.

Saber os fatores de risco, fazer o rastreio na idade certa, ajustar a alimentação, manter o corpo em movimento e, sobretudo, agir antes da primeira fratura, é a forma mais eficaz de garantir que os ossos continuam a sustentar uma vida ativa e independente durante muitos anos.

 

Nota: A informação apresentada neste artigo destina-se exclusivamente a fins informativos e educativos. Não substitui o aconselhamento médico personalizado. Para avaliação do risco individual de osteoporose, consulte o seu médico de família.

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