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Publicado em 30 Jan, 2026

Mente ativa e fortalecida – Colha todos os benefícios da estimulação cognitiva

Estimulação Cognitiva - Saiba o que significa e os seus benefícios. Conheça as melhores atividades para treinar o cérebro e que áreas trabalha a estimulação cognitiva.

A estimulação cognitiva é um conjunto de atividades e rotinas que mantêm o cérebro ativo, saudável e resiliente ao longo de toda a vida. Estas atividades ativam as capacidades de diferentes áreas do cérebro, com impacto positivo na memória, atenção, raciocínio e linguagem. Esta é a chave para melhorar a neuroplasticidade, que garante a capacidade estrutural e funcional do cérebro.

Obter estímulos cognitivos assume um papel ainda mais relevante na terceira idade. Treinar o cérebro regularmente reduz o risco de demências, melhora a autonomia nas atividades quotidianas e promove o bem-estar emocional. E não é preciso gastar muito dinheiro nem recorrer a equipamentos sofisticados, já que muitas das atividades são gratuitas, acessíveis e facilmente integradas na rotina diária.

Se quer uma mente mais ativa, este artigo é essencial. Fique a saber como funciona a estimulação cognitiva, que benefícios concretos oferece, quais as melhores atividades para cada perfil e como implementar uma rotina eficaz que faz a diferença na saúde cerebral e na qualidade de vida. Continue a ler e descubra mais informações, até porque a leitura é também uma das melhores atividades de estimulação cognitiva.

 

 

O que é a estimulação cognitiva?

A estimulação cognitiva é um conjunto de atividades e de rotinas que trazem benefícios ao cérebro e à mente. Esta é uma terapêutica não invasiva e sem recurso a medicamentos que ajuda a treinar o cérebro, com efeitos benéficos ao nível da memória, capacidade de comunicação, atenção, raciocínio e outras áreas.

A estimulação cognitiva deve ser feita em todas as idades, através de várias práticas. Muitas vezes até é feita de forma inadvertida, como quando se pede a uma criança para desenhar as letras que conhece, quando um adulto lê um livro ou quando pedimos a um idoso para partilhar histórias do passado. 

Estas atividades ativam diferentes áreas do cérebro e, especialmente em idades mais avançadas, ajudam a evitar ou retardar perdas cognitivas. É por isso que, apesar de ser relevante em todas as idades, a estimulação cognitiva para idosos assume um papel essencial nas estratégias de envelhecimento saudável.

Como funciona a estimulação cognitiva?

A estimulação cognitiva funciona nesta sequência:

 

Etapa Efeito Resultado
Atividade Serve de gatilho e faz o cérebro sair da zona de conforto Quebra da rotina mental
Estimulação

(Ativação Cerebral)

O cérebro recruta, através da ativação dos neurónios, diferentes áreas para resolver o problema Foco e atenção aguçados
Consolidação

(efeitos a curto-prazo)

Melhoria na comunicação entre neurónios (sinapses rápidas) e agilidade mental. Isto resulta numa sensação de “clareza mental” e rapidez de raciocínio Facilidade em tarefas similares
Neuroplasticidade

(efeitos a longo prazo)

O cérebro cria novas conexões (sinapses) e fortalece as existentes, criando uma reserva que previne contra doenças degenerativas e declínio cognitivo Cérebro mais forte e “jovem”

 

O que é a neuroplasticidade?

A neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso central se reorganizar estrutural e funcionalmente de forma contínua, ganhando capacidade de responder a novas experiências e aprendizagens, bem como a consequências de lesões ou mudanças ambientais. Esta capacidade é alcançada através dos circuitos neuronais, que são grupos de neurónios responsáveis pelas várias capacidades do cérebro (memória, aprendizagem, coordenação, etc.).

Na prática, a neuroplasticidade funciona através de um mecanismo de ganhos, perdas e reforços. Ou seja, as ligações que não utilizamos enfraquecem e desaparecem, enquanto as que estimulamos através da repetição e de novos desafios tornam-se mais robustas e rápidas. É, no fundo, a prova biológica de que o cérebro é um órgão dinâmico que se molda literalmente conforme o uso que lhe damos ao longo de toda a vida.

Qual a relação entre neuroplasticidade e cognição?

A neuroplasticidade é o motor biológico que constrói a infraestrutura necessária para que a cognição se manifeste e se aprimore. Elas relacionam-se através de um ciclo de atualização constante, onde o desafio mental ativa a plasticidade para remodelar e fortalecer as conexões entre os neurónios. O resultado desta interação contínua é a melhoria das funções cognitivas, como a memória, atenção e raciocínio, que se tornam mais rápidas, eficientes e resilientes.

Que áreas do cérebro trabalha a estimulação cognitiva?

A estimulação cognitiva trabalha especialmente sobre seis áreas do cérebro, oferecendo em cada uma delas benefícios distintos. Veja de que forma a estimulação cognitiva atua no cérebro através do quadro seguinte.

 

Área Cerebral Efeitos
Lobo Frontal Movimento Voluntário: Planeamento e execução de movimentos, produção da fala (articulação das palavras)
Córtex Pré-Frontal* Funções Executivas: Raciocínio lógico, planeamento, tomada de decisões, regulação emocional, atenção e personalidade
Lobo Temporal Memória e Compreensão: Formação de novas memórias, processamento auditivo e compreensão da linguagem
Lobo Parietal Integração Sensorial e Espacial: Noção de espaço, cálculo matemático (linha numérica mental) e processamento do tato
Lobo Occipital Processamento Visual: Reconhecimento de formas, cores, rostos e a interpretação visual de símbolos (leitura)
Cerebelo Coordenação e Equilíbrio: Coordenação motora fina, equilíbrio, postura e automatização de movimentos e aprendizagens motoras

*(parte frontal do lobo frontal)

 

A estimulação cognitiva funciona?

Sim, a estimulação cognitiva funciona, como é demonstrado em vários estudos. O Estudo Active, nos Estados Unidos, efetuado com sessões de treino de memória, capacidade de raciocínio e rapidez de processamento, mostrou que a estimulação cognitiva permitia aos idosos realizar com menos dificuldades as atividades quotidianas. E o estudo sobre prevenção da demência da Lancet, prestigiado jornal internacional, coloca a estimulação como uma das formas de prevenir esta doença.

Também em Portugal existem evidências de como treinar o cérebro ajuda a melhorar a qualidade de vida e prevenir problemas de saúde. A norma clínica 53/2011 da DGS coloca a estimulação cognitiva como uma estratégia para a terapêutica de pessoas com declínio cognitivo ou demência. Este conselho surge também nas páginas da associação Alzheimer Portugal. Também uma investigação da Universidade Católica sobre estimulação cognitiva mostrou as suas vantagens, viabilidade e boa relação custo-benefício na intervenção junto de pessoas com demência leve a moderada.

 

Quais os benefícios da estimulação cognitiva?

Os principais benefícios da estimulação cognitiva são:

  • Melhoria do funcionamento e atividades cerebrais: As principais áreas do cérebro são ativadas e treinadas, o que aumenta a neuroplasticidade;
  • Maior facilidade na realização de tarefas diversas: Treinar o cérebro permite realizar, de forma mais simples e intuitiva, as tarefas que foram praticadas anteriormente;
  • Prevenção de doenças cognitivas: A estimulação cognitiva reduz o risco e atrasa as consequências de doenças como Alzheimer e outras demências;
  • Autonomia: Ao atuarem sobre a coordenação motora, estas atividades permitem aos idosos continuarem a realizar as suas tarefas, e reduz o risco de quedas na terceira idade e outros riscos associados à mobilidade;
  • Rapidez de raciocínio: A agilidade de pensamento é beneficiada pela estimulação cognitiva;
  •  Melhoria da Saúde Mental: Tanto pela realização das atividades como pelos benefícios obtidos, a estimulação cognitiva mitiga ou evita ansiedade e depressão nos idosos;
  • Maior autoestima: O sentimento de eficácia e de capacidade de realização, capacidades reforçadas com estímulos cognitivos, ajudam a aumentar a autoestima, especialmente em idades mais avançadas;
  • Aumento da capacidade de socialização: Através de atividades de grupo, e pela manutenção das capacidades de comunicação e fala, é mais fácil a inserção na vida social e prevenir sentimentos de solidão na terceira idade;
  • Maior capacidade criativa e artística: A mente trabalhada expande os seus horizontes, o que ajuda na realização de atividades como pintura, teatro, música e outras formas de arte;
  • Melhor condição física: Através da maior coordenação motora, é facilitada a realização de exercícios físicos nos idosos, com benefícios múltiplos na saúde; 
  • Aumento da qualidade de vida: Ao ajudar a manter intactas as capacidades e conferir mais clareza mental, a estimulação cognitiva traz mais qualidade de vida às pessoas.

 

De que forma a estimulação cognitiva beneficia a memória?

A estimulação cognitiva fortalece o hipocampo e as redes neuronais responsáveis pelo armazenamento e recuperação de dados. Este treino e reforço favorece a retenção de novas informações e o acesso a recordações antigas. Através da repetição e de estratégias de associação, o cérebro organiza com mais eficiência o “arquivo” mental, o que reduz os lapsos de memória no quotidiano.

De que forma a estimulação cognitiva beneficia a linguagem?

Os estímulos cognitivos ativam no cérebro as áreas de Broca e Wernicke, respetivamente responsáveis pela produção e compreensão do discurso. Ao exercitar o vocabulário e a fluência verbal, a comunicação mantém-se mais fluida, organizada e diversificada. Dessa forma torna-se mais fácil expressar ideias e interagir socialmente.

De que forma a estimulação cognitiva beneficia a capacidade de raciocínio?

O treino cognitivo e repetido do córtex pré-frontal permite ao cérebro analisar situações complexas e tomar decisões de forma mais lógica e estruturada. Atividades de estimulação cognitiva, como problemas e puzzles, desenvolvem flexibilidade mental e permitem encontrar soluções alternativas com maior rapidez e menor esforço cognitivo.

De que forma a estimulação cognitiva beneficia a atenção e concentração?

A estimulação cognitiva aumenta a capacidade de atenção e de concentração ao treinar o cérebro para filtrar distrações e focar-se em tarefas específicas. Outro benefício associado é o aumento da resistência à fadiga mental, o que permite manter o foco em atividades prolongadas, como a leitura ou uma conversa, com muito mais facilidade.

De que forma a estimulação cognitiva beneficia o estado emocional?

Realizar com sucesso desafios de estimulação cognitiva liberta neurotransmissores como a dopamina, que promovem sensações de prazer e bem-estar, combatendo a apatia e melhorando o estado emocional. Além disso, através de sentimentos de competência e controlo das próprias capacidades, os estímulos cognitivos ajudam a mitigar sintomas de ansiedade e depressão, comuns em quadros de isolamento ou envelhecimento.

A estimulação cognitiva é benéfica para a forma física?

A estimulação cognitiva ajuda a manter a forma física direta e indiretamente. De forma direta, atua na ligação direta através do lobo frontal e do cerebelo, que coordenam o planeamento e a execução do movimento, facilitando a realização de exercícios e atividades físicas. E, por consequência dessas atividades, obtêm-se os benefícios a nível de saúde física, mental e emocional do desporto nos idosos.

 

Que pessoas devem fazer a estimulação cognitiva?

Todas as pessoas devem fazer estimulação cognitiva ao longo de toda a vida, através de um conjunto diversificado de hábitos e rotinas. A diversidade de atividades é extremamente relevante, já que garante um cérebro plenamente funcional, porque trabalhar apenas determinadas áreas não evita o declínio cognitivo de outras partes da “massa cinzenta”.

Apesar de ser sempre importante, é na infância e na terceira idade que se torna ainda mais fulcral a estimulação cognitiva. Nos mais jovens, o neurodesenvolvimento é crucial porque o cérebro possui o seu nível máximo de plasticidade, funcionando como uma “esponja” que molda a sua arquitetura básica. Ao contrário do adulto, onde o foco é a preservação, na criança a estimulação serve para criar uma rede neuronal mais densa e complexa.

Com o avançar da vida torna-se também mais relevante a estimulação cognitiva. O declínio cognitivo, que se começa a acentuar a partir dos 40 anos e fica mais evidente depois dos 60 anos, exige um esforço redobrado para manter a agilidade e capacidade cerebral intactas e prevenir diversas doenças e debilidades.

A estimulação cognitiva funciona em pessoas com Alzheimer e outras demências?

Sim, como vários estudos demonstram, a estimulação cognitiva protege o cérebro e ajuda a prevenir e a reduzir os efeitos de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, e outras demências. O referido estudo da Lancet conclui que a estimulação cognitiva, efetuada ao longo das várias fases da vida, pode prevenir o surgimento de 45% dos casos de demência.

Tanto pelos benefícios da estimulação cognitiva como pela necessidade de monitorização constante, estes cuidados podem ser confiados a familiares ou a serviços de cuidados de saúde ao domicílio.

A estimulação cognitiva funciona em pessoas que tiveram um AVC?

Sim, a estimulação cognitiva é uma ferramenta essencial na recuperação pós-AVC, tirando partido da neuroplasticidade para reorganizar as funções cerebrais afetadas pela lesão. Ao exercitar as áreas adjacentes à zona lesionada, o cérebro consegue criar novas vias de comunicação, o que ajuda a recuperar capacidades como a fala, a atenção e a memória, minimizando as sequelas funcionais e melhorando a autonomia do paciente.

Para garantir uma recuperação mais rápida, esta estimulação deve ser realizada com uma rotina continuada. Para assegurar um conjunto de atividades diversas e com a frequência necessária, efetuada por staff especializado uma das melhores soluções passa pelos cuidados pessoais no domicílio.

Qual a diferença entre estimulação cognitiva e reabilitação cognitiva?

A estimulação cognitiva é uma intervenção geral e preventiva, indicada para manter o cérebro ativo e saudável em indivíduos com ou sem dificuldades diagnosticadas. Pelo contrário, a reabilitação cognitiva é um processo clínico e personalizado, desenhado especificamente para pessoas que já sofrem de uma lesão ou patologia (como um AVC), com o objetivo de recuperar funções perdidas ou ensinar estratégias de compensação para facilitar a vida no dia a dia.

Qual a diferença entre treino cognitivo e estimulação cognitiva?

O treino cognitivo foca-se na prática repetitiva de exercícios específicos (como cálculos ou puzzles) para melhorar uma função isolada, como a memória de trabalho. Já a estimulação cognitiva é uma abordagem mais abrangente e social, que envolve diversas atividades para promover o funcionamento mental e o bem-estar geral, sem se limitar apenas à repetição de uma tarefa técnica.

 

Que atividades de estimulação cognitiva existem?

Existem diversas atividades de estimulação cognitiva, algumas exclusivamente para esta tarefa, como cadernos de exercícios, e outras que combinam estímulos cognitivos com outros benefícios físicos e emocionais. Como, por exemplo, jogos para idosos que juntam a atividade física com a estimulação cognitiva dos sentidos ou da coordenação motora. 

Os principais tipos de atividades de estimulação cognitiva são:

 

Nome Tipo de Atividade
Livros de atividades de estimulação Tratam-se de cadernos, disponíveis em lojas ou para download online, que incluem atividades como unir pontos, problemas de raciocínio lógico, jogos de palavras e letras, jogos de imagens e outros.

Podem também ser os habituais cadernos de passatempos com sopas de letras, cruzadex, sudoku e outros jogos.

Jogos de Memória Os jogos de pares, ligar imagens a palavras, o jogo do Stop e outros desta categoria são excelentes para treinar a memória
Apps digitais de estimulação cognitiva Apps de smartphone e jogos de computador com atividades diversas, como mahjong, puzzles digitais, sudoku, jogos de países e de letras. 

Entre as aplicações, existem categorias específicas destinadas a diferentes públicos, como as que se inserem nas tecnologias para idosos

Leitura Ler livros ativa e trabalha várias áreas do cérebro, com a identificação das palavras e frases, a criatividade para recriar os cenários e situações descritas, e a memória
Puzzles Ao trabalhar a identificação de símbolos, a lógica, a atenção e foco, e a motricidade fina (na colocação das peças), os puzzles oferecem uma variedade de estímulos cognitivos 
Jogos Tradicionais Diversos jogos tradicionais agem sobre diferentes área do cérebro. Alguns atuam na memória, outros na coordenação motora e outros são mais focados nos estímulos de cores e do tato
Obter novos conhecimentos Seja ao aprender uma nova língua, experimentar hobbies e formas de arte, novas receitas ou outras atividades, estas atividades desafiam o cérebro a criar novas redes para processar informações antes desconhecidas, trabalhando a fala, a coordenação motora, a capacidade de memorização e outras áreas
Jogos de Estratégia e Tabuleiro O xadrez, dominó, cartas, Pictionary, Trivial, Risco e outros jogos treinam o raciocínio, pensamento lógico e o foco. Além disso, pela interação social que geram também oferecem outros estímulos cognitivos e emocionais 
Escrita Criativa ou de treino Seja com diários e escrita de histórias, para os mais avançados, ou simplesmente com treino de recordação de letras, palavras ou da escrita da assinatura, a escrita é uma das formas de estimulação cognitiva mais enriquecedoras
Exercício Físico Diversos exercícios exigem atenção, foco, memória e motricidade. Dessa forma, são ativadas e trabalhadas diferentes áreas do cérebro.
Atividades domésticas e do quotidiano  Manter as rotinas ajuda a estimular o cérebro dos idosos. Algumas das principais tarefas são ir às compras (trabalha a memória, e raciocínio matemático nos pagamentos), dobrar a roupa (atenção e motricidade), arrumar a casa (flexibilidade mental e planeamento espacial)
Reminiscência e Partilha de Memórias Através de relatos de época, cantigas tradicionais e da visualização de fotografias, os idosos reforçam a memória, já que o cérebro trabalha na visualização e recordação de memórias
Estimulação Sensorial O tato, cheiro e o paladar oferecem estímulos sensoriais que trabalham diferentes áreas do cérebro
Música A música é das atividades mais poderosas para estimulação cognitiva, especialmente em demências. Ela ativa múltiplas áreas cerebrais simultaneamente: memória (letras e melodias), coordenação motora (ritmo, dança), linguagem e emoções
Jardinagem e Horticultura Combina vários estímulos, como planeamento, memória (cuidados necessários), coordenação motora fina, estimulação sensorial (texturas, cheiros), e oferece benefícios emocionais através do contacto com a natureza
Culinária É uma atividade que muitos idosos valorizam, multissensorial e com componente emocional. E trabalha ainda o raciocínio lógico (que ingrediente entra em que momento) e a capacidade matemática (medições, tempos de confeção, etc). Além disso, confere uma sensação autonomia e, quando partilhada com familiares, também aumenta a capacidade de socialização e estimula a fala

 

Quais as melhores atividades de estimulação cognitiva para idosos?

As melhores atividades de estimulação cognitiva para idosos são as que prazer e funcionalidade no dia a dia. Destacam-se a música, jogos de memória e tabuleiro, leitura, puzzles, culinária e jardinagem. É ainda fulcral manter as atividades quotidianas, pois reforçam a autonomia e bem-estar enquanto trabalham memória, raciocínio e coordenação. 

O segredo para fazer corretamente a estimulação cognitiva nos idosos é diversificar as atividades. Desta forma, são criados desafios para as diferentes áreas do cérebro. Além disso, é importante garantir que a pessoa aprecia estas atividades, garantindo motivação e continuidade.

Quais os melhores exercícios de estimulação cognitiva?

Os melhores exercícios de estimulação cognitiva são aqueles que desafiam múltiplas funções cognitivas simultaneamente. Nesta categoria inserem-se os cadernos de atividades, os exercícios de memória , a escrita criativa ou diários  e os exercícios de cálculo mental. Outra excelente abordagem é o uso de tecnologias para idosos, que estimulam a aprendizagem de novas competências e garantem um menu variado de atividades.

Quais os melhores jogos de estimulação cognitiva?

Os melhores jogos físicos para estimular a mente dos idosos incluem o xadrez, damas, dominó, cartas, Trivial Pursuit e jogos de memória por trabalharem estratégia, raciocínio e interação social. Puzzles e jogos de construção desenvolvem perceção espacial e concentração. No formato digital, apps especializadas em treino cognitivo, mahjong, sudoku e jogos de palavras oferecem variedade e progressão de dificuldade.

O recurso à tradição e memória coletiva é outra excelente estratégia. Jogos tradicionais portugueses como o jogo do galo, bisca ou sueca também são excelentes por combinarem estímulo mental com componente social e cultural. Para escolher e garantir a adesão, tenha em consideração as preferências pessoais e as áreas cognitivas que se pretendem trabalhar.

Onde encontrar profissionais de estimulação cognitiva?

Existem diversos tipos de profissionais que podem guiar as rotinas de estimulação cognitiva. Para pessoas idosas ou que necessitam permanecer em casa, o apoio domiciliário é uma excelente opção. Os ajudantes familiares da Caring, por exemplo, estão vocacionados para fazer o trabalho de estímulo cognitivo de quem está aos seus cuidados, através de atividades e estratégias diversificadas.

Entre os profissionais que podem ajudar nesta área entram também psicólogos especializados em neuropsicologia, terapeutas ocupacionais, gerontólogos e alguns enfermeiros com formação específica. Pela sua experiência profissional, estes profissionais estão habilitados para planear e conduzir programas de estimulação cognitiva.

A própria família e amigos têm um papel fulcral na estimulação cognitiva. Por exemplo, ao conhecerem as preferências e o estado de espírito de um idoso, conseguem também através de conversa, atividades partilhadas, jogos e outras tarefas ajudar nesta tarefa.

É preciso gastar muito dinheiro para fazer estimulação cognitiva?

Não, na verdade muitas estratégias de estimulação cognitiva requerem apenas empenho e a vontade de garantir o bem-estar. Incentivar a memória com a partilha de histórias, garantir a motricidade fina pela partilha da culinária ou jardinagem, combinar socialização com raciocínio lógico através de jogos, como tantas outras atividades, são totalmente grátis e não têm custos.

Em algumas das atividades mais típicas, como nos cadernos de atividades, existem várias opções para diversos preços. Além de poder praticar estas atividades gratuitamente com tablets ou smartphones, pode fazer download e imprimir diversas atividades apenas com o custo de algumas fotocópias. Se optar por cadernos, tem preços que vão desde os 3€ até acima dos 40€. Para jogos de estimulação cognitiva, encontra opções desde os 5€ até valores acima dos 100€.

 

Como implementar uma rotina de atividades de estimulação cognitiva?

Para implementar uma rotina de atividades de estimulação cognitiva siga estes conselhos:

  • Defina um horário fixo diário, preferencialmente no momento em que a pessoa tem mais energia (geralmente pela manhã), para criar o hábito e estabilidade;
  • Adapte sempre as atividades aos gostos pessoais e à história de vida da pessoa, utilizando temas que lhe sejam familiares e agradáveis (futebol, costura, culinária, viagens);
  • Garanta que o ambiente está tranquilo, bem iluminado e silencioso, desligando a televisão ou o rádio para minimizar distrações e favorecer a concentração;
  • Comece sempre com exercícios mais simples para promover o sucesso inicial e a confiança, aumentando a dificuldade gradualmente apenas quando a pessoa se sentir confortável;
  • Transforme a estimulação num momento de convívio e lazer, evitando que pareça uma “aula”, um teste escolar ou uma avaliação médica das capacidades;
  • Utilize objetos reais e manuseáveis (como moedas, fotografias, baralhos de cartas ou utensílios de cozinha) em vez de apenas papel e caneta, para tornar a experiência mais sensorial;
  • Elogie o esforço e a tentativa, independentemente de o resultado estar certo ou errado, para reforçar a autoestima e evitar a frustração;
  • Respeite o tempo de resposta da pessoa, aguardando pacientemente e evitando a tentação de completar as frases ou dar a resposta imediatamente;
  • Verifique se as necessidades básicas estão satisfeitas antes de começar, garantindo que a pessoa está hidratada, confortável e a usar óculos ou aparelhos auditivos, se necessário;
  • Varie o tipo de estímulos ao longo da semana, alternando entre atividades de memória, linguagem, cálculo e motricidade para não tornar a rotina monótona;
  • Esteja atento aos sinais de fadiga ou irritação e tenha flexibilidade para interromper a atividade ou mudar para algo mais relaxante se a pessoa se mostrar cansada;
  • Envolva a família ou cuidadores na atividade sempre que possível, pois a interação social é, por si só, um dos estímulos mais poderosos para o cérebro.

 

Quais as melhores atividades para começar a fazer estimulação cognitiva?

As melhores atividades para começar a fazer estimulação cognitiva são as atividades quotidianas, já que se tratam de conhecimentos adquiridos e que mais facilmente são trabalhados. O foco deve estar, nesta fase, em garantir um conjunto diversificado de estímulos, para trabalhar as várias áreas do cérebro.

Depois opte por jogos simples e atividades que vão ao encontro das preferências e gostos pessoais. Isso facilita a adesão, aumenta a motivação e evita a frustração face a potenciais dificuldades. Quando chegar a um patamar em que existem várias rotinas, comece a aumentar o nível dos “desafios cognitivos” e avance para atividades mais específicas, para uma estimulação completa e eficaz.

Como escolher atividades de estimulação cognitiva ?

A escolha das atividades de estimulação cognitiva deve ter em consideração, principalmente, três fatores:

  • Áreas a trabalhar: A prioridade é definir que áreas cerebrais se pretende estimular, já que isso ajuda a identificar o tipo de atividades mais adaptadas às necessidades;
  • Preferências Pessoais: Incentivar atividades que vão ao encontro dos gostos de cada pessoa (como culinária, música, leitura, jogos, etc). Isso facilita a adesão às atividades e aumenta a motivação;
  • Nível de Dificuldade: Para evitar a frustração, garantir os estímulos certos e não criar um impacto emocional negativo, deve-se escolher atividades adaptadas às capacidades atuais do participante. Depois deve-se monitorizar em permanência a facilidade com que as atividades são executadas para aumentar ou baixar o nível de dificuldade;
  • Segurança: As atividades devem estar adaptadas às características e constrangimentos pessoais de cada um, como dificuldades motoras ou visuais, para não colocarem em risco a segurança dos participantes.

 

Com que frequência se deve fazer estimulação cognitiva?

A estimulação cognitiva deve ser uma tarefa diária, realizada através de uma rotina diversificada. O segredo passa pela introdução de diversos estímulos ao longo do dia, para trabalhar diferentes partes do cérebro e evitar o desgaste excessivo com a acumulação de tempo na mesma atividade.

Quanto tempo devem durar as atividades de estimulação cognitiva?

A duração ideal de uma sessão de estimulação cognitiva deve variar entre 30 a 90 minutos, podendo ser dividida em blocos mais curtos de 15 a 20 minutos ao longo do dia para evitar a fadiga mental. Para as atividades digitais, o tempo das sessões deve ser encurtado para períodos entre 15 e 30 minutos de cada vez. O tempo mínimo nunca deve ser inferior a 15 minutos, já que não permite ativar com total eficácia as áreas do cérebro que se pretendem trabalhar.

Para definir o tempo certo de duração da atividade verifique a atenção plena e o esforço durante o exercício. Quando surjam sinais de cansaço, frustração ou irritabilidade, a atividade deve ser interrompida. Ao verificar estes parâmetros, adapte o tempo das sessões seguintes. 

Encontrar o tempo de duração da atividade é extremamente importante. A partir do momento em que existem sinais de stress, exaustão ou distração, o cérebro deixa de processar novos ganhos sinápticos. E, como tal, perde-se a eficácia e deixam de existir benefícios na continuação da atividade.

Como adaptar atividades ao nível cognitivo da pessoa?

Para adaptar as atividades ao nível cognitivo da pessoa é preciso fazer uma monitorização constante. Seja para a realização de jogos ou cadernos de atividades, verificando o tempo para concluir os desafios, ou a altura de uma conversa em que um idoso não consegue responder a determinadas questões ou se distrai, é importante analisar os comportamentos, sentimentos e rapidez de execução.

Com base nesta verificação, deve-se aumentar ou reduzir a complexidade das tarefas de forma contínua e progressiva. Isso garante que se oferecem os estímulos necessários e durante o período em que se atinge a máxima eficácia sem retirar a pessoa de uma zona de conforto.

Como evitar a desistência ou frustração durante atividades de estimulação cognitiva?

Para evitar a desistência ou frustração durante a introdução de estímulos cognitivos deve-se estar atento à atenção plena, frustração, irritação ou perdas de concentração. A abordagem deve ser pedagógica, procurando manter a pessoa na atividade sem resistência mas reconhecendo quando é o momento de parar de insistir.

O reforço positivo, através de elogios sinceros e não forçados, é igualmente importante. Isso traduz-se em sentimentos de bem estar, autonomia e valorização pessoal, que aumentam a motivação e a resiliência face a desafios ou dificuldades futuras. 

Que erros evitar ao fazer estimulação cognitiva?

Estes são os erros que se devem evitar ao introduzir atividades de estimulação cognitiva:

  • Infantilização: utilizar uma linguagem ou atividades desenhadas para crianças com adultos, o que fere a dignidade e gera rejeição imediata à prática;
  • Desacompanhamento: lançar apenas a pessoa “às feras” dos desafios sem uma presença que ofereça o apoio necessário face a dificuldades e sirva de incentivo;
  • Falta de monitorização: Não avaliar os impactos, sensações e efeitos das atividades, agindo como se elas fossem apenas uma forma de passar o tempo em vez de instrumentos de valorização e evolução;
  • Ambiente inadequado: realizar as atividades em locais com excesso de ruído, distrações visuais ou interrupções constantes que impedem a concentração e aumentam a fadiga mental;
  • Subestimação de capacidades: oferecer tarefas demasiado simples ou repetitivas por assumir que a pessoa já não consegue aprender nada novo, o que gera tédio, desmotivação e até de desrespeito;
  • Foco no resultado: priorizar a resposta correta em vez de valorizar o processo de raciocínio e o esforço despendido, o que aumenta a ansiedade e o medo de errar;
  • Ajuda excessiva: realizar a tarefa pela pessoa ou dar a resposta rapidamente, impedindo que o cérebro faça o esforço necessário para criar novas conexões neuronais;
  • Sobrecarga de estímulos: apresentar demasiadas instruções ou atividades complexas em simultâneo, o que causa confusão mental e exaustão rápida;
  • Correção impaciente: interromper ou corrigir a pessoa de forma brusca durante a execução, o que destroi a autoconfiança e a fluidez do pensamento;
  • Comparação com o passado: relembrar ou lamentar capacidades que a pessoa tinha antigamente, gerando sentimentos de perda, frustração e tristeza;
  • Rigidez de tempo: insistir na continuação da atividade quando já existem sinais claros de cansaço ou irritação, tornando o momento punitivo em vez de estimulante;
  • Falta de personalização: aplicar exercícios sem ligação com a história de vida ou interesses da pessoa, resultando em falta de motivação e apatia;
  • Cortar a autonomia: decidir as atividades sem dar à pessoa a oportunidade de escolher o que prefere fazer, retirando-lhe o controlo sobre o seu próprio processo de estimulação.

 

É possível fazer estimulação cognitiva sozinho ou precisa de acompanhamento?

Existem várias atividades de estimulação cognitiva que podem ser realizadas sozinhas. No entanto, deve existir sempre um acompanhamento ou monitorização para verificar o prazer na realização da atividade, definir os tempos de duração e avaliar a sua eficácia. É preciso, no entanto, ter em consideração o tipo de atividades, os seus riscos e as capacidades da pessoa que vai participar.

Sempre que sejam tarefas mais exigentes ou com potenciais perigos (como atividades online para pessoas com baixa literacia digital ou culinária por pessoas com problemas de visão), é importante o acompanhamento próximo. Além disso, nas atividades para reabilitação cognitiva, de quem sofreu um AVC, ou de manutenção de capacidades, em pacientes com demências, o acompanhamento é essencial e obrigatório.

Existindo opção de escolha entre estimulação cognitiva em solitário ou com outras pessoas, deve-se optar pela segunda opção. O acompanhamento durante as atividades contribui positivamente para a capacidade de socialização e ajuda no combate ao isolamento.

O papel do apoio domiciliário na estimulação cognitiva

O apoio domiciliário desempenha um papel decisivo na estimulação cognitiva. Através de um acompanhamento próximo, contínuo e especializado, os cuidadores estão aptos a introduzir e monitorizar atividades que desafiam o cérebro de forma segura e personalizada.

Esta intervenção profissional contribui diretamente para um envelhecimento ativo, acelera a recuperação após eventos de saúde e garante a manutenção das capacidades em pessoas com défices cognitivos instalados. Quando a família não tem a disponibilidade necessária ou precisa de orientação técnica, os assistentes familiares da Caring tornam-se o elo fulcral entre o cuidado e a qualidade de vida.

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