A chegada à terceira idade traz a oportunidade de desfrutar de um ritmo de vida mais calmo, mas é acompanhada de desafios como o isolamento social e a perda de rotinas. Ter um animal de companhia surge como uma solução transformadora. Os benefícios dos animais para idosos são diversos, e destacam-se o carinho incondicional, um novo propósito e múltiplas vantagens para a saúde, que estão cientificamente comprovadas.
As escolhas são diversas, e de acordo com as características de cada idoso pode-se optar por um cão, gato, pássaro ou outros animais. Esta presença ajuda a reduzir o stress, combater a solidão e até melhora a função cognitiva, que pode ser estimulada com práticas como a pet therapy.
Mas a inclusão de um animal de companhia no núcleo familiar requer cuidados e atenção a diversos detalhes. Desde a escolha da raça ideal até à gestão dos custos e à segurança no domicílio, há vários fatores a considerar. Continue a ler este artigo e saiba como integrar um novo membro na família de forma equilibrada, garantindo que esta amizade é uma fonte de alegria e vitalidade para o idoso.
- Quais os benefícios da companhia dos animais para idosos?
- Quais os melhores animais de companhia para idosos?
- Como escolher um animal de companhia para um idoso?
- O que é a pet therapy?
- Quais os riscos dos animais de estimação para idosos?
Quais os benefícios da companhia dos animais para idosos?
A companhia dos animais para os idosos traz benefícios ao nível físico, emocional, psicológico e social. A presença de um animal altera totalmente a vida dos idosos para melhor e o impacto desta mudança é facilmente sentido. Os principais benefícios da companhia de animais de estimação para idosos são:
- Novo propósito de vida e compromisso: Cuidar de um ser vivo oferece uma razão concreta para começar o dia com entusiasmo. Este sentido de responsabilidade renova a autoestima e a perceção de utilidade do idoso. Também conhecido como ‘Ikigai’, este propósito de vida é um dos segredos da longevidade;
- Criação de uma rotina estruturada: As necessidades do animal, como a alimentação e a higiene, ajudam a organizar as horas do dia. Ter horários definidos traz conforto psicológico e reduz a desorientação;
- Companhia constante e afetuosa: O animal preenche o silêncio da casa e está presente em todos os momentos. É um amigo fiel que oferece carinho incondicional, combatendo a solidão de forma imediata;
- Aumento da saúde física e combate ao sedentarismo: Pequenos passeios ou momentos de brincadeira incentivam o movimento do corpo. Manter-se ativo é fundamental para a autonomia dos idosos e para a saúde das articulações;
- Redução do stress e proteção cardiovascular: Acariciar um animal ajuda a baixar a pressão arterial e a acalmar o ritmo cardíaco. Este efeito relaxante protege o coração e diminui os níveis de ansiedade;
- Redução do risco e dos efeitos da depressão: A interação com animais estimula a produção de hormonas da felicidade e do bem-estar, como a serotonina. Estas substâncias naturais ajudam a combater a tristeza e o desânimo;
- Melhoria do humor e estabilidade emocional: A alegria contagiante dos animais tem o poder de transformar um dia difícil num momento mais leve. Eles oferecem um suporte emocional estável que ajuda a enfrentar as mudanças da idade;
- Redução da perceção da dor crónica: A interação com animais demonstrou diminuir a perceção subjetiva da dor em pessoas com condições crónicas, como artrite, fibromialgia, dores osteoarticulares. É um benefício documentado sobretudo com recurso à pet therapy, mas aplica-se também ao contexto doméstico;
- Combate ao isolamento e ajuda na integração social: Levar o cão à rua facilita o contacto com vizinhos e outros tutores de animais. O animal funciona como um “quebra-gelo” natural para iniciar conversas e criar novas amizades;
- Apoio no luto e na perda: Os idosos enfrentam com frequência a morte de pessoas próximas. O animal de estimação tem um papel documentado como suporte emocional nos processos de luto, oferecendo presença física e afeto num momento de vazio agudo;
- Relação emocional intensa e profunda: O vínculo que se cria é puro e livre de julgamentos, o que é extremamente reconfortante. Esta ligação afetiva única preenche necessidades de carinho que são vitais para o ser humano;
- Estimulação da memória e funções cognitivas: Lembrar-se dos horários das refeições, dos nomes e de pequenos truques mantém o cérebro exercitado. É uma forma lúdica de manter a mente ativa e focada;
- Sensação de segurança e proteção: Ter um animal em casa, por mais pequeno que seja, aumenta a sensação de vigília e alerta. O idoso sente-se menos vulnerável e mais seguro no seu próprio domicílio;
- Contribuição para a união familiar: O animal torna-se um interesse comum entre gerações, motivando visitas mais frequentes de filhos e netos. É o elo de ligação perfeito para criar memórias felizes em família.
O que um idoso deve considerar antes de adotar um animal de estimação?
Antes de adotar um animal de estimação um idoso deve considerar, para ter consciência da responsabilidade da decisão, ponderar a sua capacidade para assumir esta tarefa e escolher a melhor companhia, as seguintes condicionantes:
| Aspeto | O que considerar |
| Físico | Tem mobilidade e equilíbrio suficientes para cuidar do animal sem risco de queda ou lesão? |
| Mental | O estado cognitivo permite manter rotinas? Está preparado para a eventual morte do animal? |
| Situação de vida | O espaço é adequado? Há perspetiva de mudança do local de residência? |
| Financeiro | Há orçamento estável para despesas fixas e imprevistos veterinários? |
| Suporte | Existe alguém que ajude na rotina e que assuma o animal em caso de doença, hospitalização ou falecimento? |
| Perfil do Animal | A idade, o porte e a longevidade da espécie são compatíveis com a realidade do idoso? |
Quais os custos de ter um animal de estimação na terceira idade?
Os custos de ter um animal de estimação na terceira idade são muito variáveis, pois dependem do animal escolhido. Por exemplo, quem decida ter um aves ou um aquário com peixes vai ter despesas mais reduzidas em comparação aos que optam por um cão ou um gato.
Ainda assim, é possível dar uma estimativa aproximada do investimento inicial e dos custos permanentes com a alimentação e cuidados veterinários dos animais de companhia para idosos. Veja na tabela seguinte quais os custos médios e o que está incluído neste orçamento:
| Animal | Custo Inicial | Custos Permanentes |
| Cão | €250 – €600
Inclui: Cama, comedouros, coleira, trela/arnês, sacos de dejetos, brinquedos, microchip e primeiras vacinas. |
€60 – €150
Ração de qualidade, desparasitação mensal, vacinas anuais e reserva para urgências. |
| Gato | €180 – €400
Inclui: Caixa de areia, pá, arranhador, transportadora, cama, comedouros e microchip. |
€45 – €100
Ração, areia sanitária, desparasitação e check-up anual. |
| Aves (ex: Canário/Periquito) |
€60 – €180
Inclui: Gaiola, poleiros, comedouros, banheira e brinquedos. |
€10 – €25
Mistura de sementes/extrusados, suplementos e areia para o fundo da gaiola. |
| Peixes
(Aquário Água Doce) |
€120 – €450
Inclui: Aquário, filtro, aquecedor, iluminação, cascalho e plantas/decoração. |
€10 – €20
Comida em flocos/granulado, condicionadores de água e eletricidade (filtro/luz). |
| Coelhos | €130 – €280
Inclui: Gaiola grande ou cercado, casinha, comedouro, bebedouro e transportadora. |
€35 – €65
Feno (essencial), ração, vegetais frescos e vacinação específica. |
| Hamsters | €70 – €140
Inclui: Gaiola (min. 80cm), roda de exercício, substrato, casinha e túneis. |
€15 – €30
Ração, substrato de papel/madeira e pequenos mimos frescos. |
| Porquinhos da Índia | €110 – €230
Inclui: Gaiola ampla, esconderijos, comedouro e feno. |
€30 – €55
Feno, ração rica em Vitamina C, vegetais diários e substrato. |
Os médicos recomendam que os idosos tenham animais de estimação?
Sim, os médicos recomendam que os idosos tenham animais de estimação, e várias investigações científicas comprovam os benefícios desta companhia. Por exemplo, um estudo da American Heart Association revela o papel dos cães na redução de problemas cardiovasculares, com os seus donos a apresentarem uma redução de 31% no risco de mortalidade por estas doenças. Isto é o resultado do impacto dos animais na redução do stress e pressão arterial.
Além do impacto na saúde física e socialização, dois dos pilares para um envelhecimento saudável, os animais também contribuem para a estimulação cerebral dos idosos. O Waltham Petcare Science Institute revelou que ter animais de estimação reduz o défice cognitivo à medida que envelhecemos. Devido a estas evidências, os médicos aconselham os idosos a ter a companhia de animais de estimação, desde que a sua presença não contribua para alergias e sejam escolhidas as espécies e raças adaptadas às capacidades da pessoa.
A companhia de animais de estimação contribui para a longevidade?
Sim, existem estudos que comprovam que a companhia de animais de estimação contribui para a longevidade. Por exemplo, o maior estudo nesta área efetuado na Suécia indica que as famílias unipessoais (pessoas da terceira idade que vivem sozinhas) que têm companheiros de quatro patas apresentam um risco 11% inferior de sofrer acidentes cardiovasculares.
Como escolher um animal de companhia para um idoso?
Para escolher um animal de companhia para um idoso siga estes passos:
- Avalie honestamente a situação do idoso: pondere a capacidade atual e impacto no saúde física, mobilidade, estado cognitivo, tipo de habitação e orçamento disponível;
- Defina o perfil ideal de animal: avalie o porte, nível de energia, necessidade de exercício e grau de autonomia da espécie;
- Escolha a espécie: cão, gato, pássaro ou outro, tendo em conta a capacidade real de cuidado e o estilo de vida do idoso;
- Dentro da espécie, escolha a raça ou tipo: se optar por cães ou gatos, lembre-se que algumas raças são mais calmas, menos exigentes fisicamente e mais indicadas para este contexto;
- Decida entre adoção ou compra: animais adultos de associações são frequentemente a opção mais equilibrada para idosos;
- Consulte o médico de família: fale com o seu médico para para excluir alergias, imunodepressão ou outras contraindicações de saúde;
- Envolva a família ou cuidadores: estabeleça desde o início quem apoia na rotina e quem assume o animal em caso de emergência;
- Prepare o espaço em casa: compre e instale zonas para o animal. Isto pode incluir áreas para cama, alimentação, higiene e zonas seguras, eliminando obstáculos que representem risco de queda;
- Acolha o animal progressivamente: dê tempo de adaptação a ambas as partes antes de estabelecer a rotina definitiva.
Como convencer um idoso a adotar um animal de estimação?
Para convencer um idoso a adotar um animal de estimação comece por introduzir o tema de forma natural, destacando benefícios concretos que ressoem com a realidade daquele idoso em particular (solidão, falta de rotina, perda de propósito). Evite argumentos genéricos e, caso ele recuse, não insista de imediato. Nesta situação deixe a ideia assentar e retome a conversa dias depois com uma perspetiva diferente.
A resistência inicial dos idosos neste tema é quase sempre emocional e dissolve-se com tempo e exposição gradual ao tema. Pode, por exemplo, partilhar pedir o apoio na conversa a outras pessoas com idade similar e que conseguem sentir os benefícios da companhia dos animais para a terceira idade. Outra boa estratégia passa por começar com um contacto informal, como tomar conta temporariamente do cão de um vizinho ou familiar.
Quando o idoso demonstrar abertura, garanta que ele é envolvido na decisão. Apesar de poder prestar aconselhamento, deve ser o idoso a decidir que animal pretende como companhia. Chegado a este ponto, visitar um canil, loja de animais ou uma associação é muitas vezes o passo decisivo. E deve ser também o idoso (por vezes com o apoio de familiares, como netos) a decidir qual o nome do novo membro do seu agregado.
Ter um animal de estimação ajuda a combater a solidão dos idosos?
Sim, ter um animal de estimação ajuda a combater a solidão dos idosos. Apesar da diferença ser mais notória com animais mais “interativos”, como cães e gatos, outros animais como aves ou peixes acabam por ser uma presença com impacto positivo na vida dos idosos. E, como tal, eles ajudam a quebrar a sensação de isolamento e de solidão dos idosos.
Como ter um animal de estimação impacta a rotina dos idosos?
Ter um animal de estimação tem um impacto extremamente positivo na rotina dos idosos, contribuindo para uma vida mais ativa, com mais saúde física, mental e emocional. Mais do que uma simples companhia, o animal dita um ritmo que obriga o idoso a sair da passividade, transformando o domicílio num ambiente de interação constante. Os principais impactos práticos que um animal tem na rotina dos idosos são:
- Estruturação do “Relógio Biológico”: O animal tem necessidades de alimentação e higiene em horários fixos. Isto cria uma “espinha dorsal” no dia do idoso, combatendo a desorientação temporal e o hábito de passar demasiado tempo na cama ou no sofá;
- Aumento da Mobilidade Funcional: Seja para levar o cão a passear ou simplesmente para lançar uma bola a um gato, o idoso acaba por realizar movimentos de flexão, caminhada e coordenação motora sem que isso pareça um exercício penoso ou forçado;
- Ponte de Ligação com o Exterior: Ter um animal incentiva a saída de casa e a socialização. O animal é um catalisador de conversas, o que quebra o ciclo de isolamento que muitas vezes se instala após a reforma;
- Estímulo da Memória e Organização: Gerir as vacinas, as idas ao veterinário e o stock de ração exige um planeamento mental ativo. Esta estimulação cognitiva diária é uma forma natural de manter o cérebro focado e responsável;
- Ocupação do Tempo com Sentido: O tempo que antes era preenchido pelo silêncio ou pela televisão passa a ser dedicado ao cuidado. Escovar o pelo, limpar as taças ou simplesmente observar as brincadeiras do animal traz uma sensação de utilidade e ocupação gratificante.
Quais os melhores animais de companhia para idosos?
Os melhores animais de estimação para idosos são os seguintes:
| Animal de Companhia | Perfil e Vantagens |
| Cães (Adultos, de Raças Calmas) | São os melhores para quem procura lealdade total e estímulo para caminhar. Cães seniores são ideais porque já têm um temperamento estável, não exigem tanto treino e adaptam-se facilmente ao ritmo de vida mais sossegado do idoso |
| Gatos (Adultos) | A opção perfeita para idosos com mobilidade mais reduzida, que vivem em apartamentos ou idosos acamados. São independentes, não precisam de passeios na rua e oferecem um enorme conforto térmico e emocional através do ronronar e do contacto no colo |
| Aves (Canários ou Periquitos) | Excelentes para quem vive sozinho e aprecia “vida” e som em casa. O canto das aves tem um efeito terapêutico comprovado. Exigem pouca manutenção física, bastando a limpeza da gaiola e a troca de água e sementes |
| Peixes (Aquário de Água Doce) | Oferecem um benefício visual e relaxante (efeito hipnótico) que ajuda a reduzir a pressão arterial e a ansiedade. São animais que não causam riscos de quedas ou alergias, exigindo apenas uma alimentação regular e limpeza ocasional |
| Coelhos ou Porquinhos-da-índia | Ideais para quem gosta do contacto tátil e de animais silenciosos. São dóceis, fáceis de manusear e podem viver num espaço delimitado, o que facilita a organização da higiene da casa |
Quais as melhores raças de cães para idosos?
As melhores raças de cães para idosos dependem sempre do perfil de cada pessoa, mas as principais características devem incluir porte pequeno a médio, temperamento dócil, baixa necessidade de exercício intenso e fácil manutenção. Depois, entre as opções, deve avaliar características específicas como o nível de ruído, necessidade de escovagem e outras necessidades.
Com base nesses critérios, as raças de cães mais recomendadas para idosos são as seguintes:
- Cavalier King Charles Spaniel: dócil, silencioso, contenta-se com passeios curtos e adora colo. Considerado por muitos especialistas o companheiro ideal para a terceira idade;
- Shih Tzu: muito apegado ao tutor, adapta-se bem a apartamentos e gasta energia dentro de casa. Requer escovação regular;
- Pug: afetuoso, pouco activo e praticamente não ladra. Requer atenção ao calor por ser braquicefálico;
- Maltês: leal, pequeno (3 a 4 kg) e sensível. Não exige longos passeios e gosta de rotinas calmas;
- Poodle toy/miniatura: inteligente, fácil de treinar, muito apegado e hipoalergénico. Excelente opção para quem tem alergias;
- Bichon Frisé: alegre, sociável e gentil. Adapta-se bem a ambientes internos e é pouco agressivo;
- Schnauzer miniatura: atento, fácil de educar e bom vigia. Ideal para quem vive sozinho e quer um cão desperto;
- Bulldog Francês: Brincalhão mas de baixa energia, prefere sestas curtas a longas corridas e é extremamente afetuoso, sendo ideal para quem vive em apartamentos;
- Lhasa Apso: Mais independente que o Shih Tzu, é um excelente cão de companhia que se adapta perfeitamente a ritmos de vida calmos e não exige atenção constante;
- Galgo (Greyhound) Adulto: Surpreendentemente conhecido como “o bife de sofá”, é um cão silencioso, extremamente gentil e que, quando adotado já adulto, prefere o descanso a grandes correrias;
- Yorkshire Terrier: Pequeno, corajoso e muito inteligente, é uma companhia vibrante que se adapta a qualquer espaço e cria laços de lealdade muito fortes com o tutor.
Quais as melhores raças de gatos para idosos?
As cinco melhores raças de gatos para idosos são as seguintes:
- Ragdoll: É um gato extremamente dócil e afetuoso que relaxa totalmente quando lhe pegam ao colo, sendo ideal para quem procura uma companhia constante e calma;
- Inglês de Pelo Curto (British Shorthair): Uma raça muito serena e independente que gosta de estar por perto sem ser demasiado exigente, além de exigir cuidados mínimos com o pelo;
- Sagrado da Birmânia: Gatos muito gentis e equilibrados que criam laços profundos com os donos e possuem um miar suave, adaptando-se bem a apartamentos tranquilos;
- Persa: É a raça mais sedentária e tranquila de todas, perfeita para quem passa muito tempo sentado, embora exija uma escovagem diária obrigatória;
- Azul Russo: Um gato reservado e muito leal que aprecia a rotina e o silêncio, sendo muito intuitivo em relação ao estado emocional do seu dono.
Dica: A melhor opção para um sénior é adotar um gato já adulto ou idoso num abrigo, mesmo que não seja de uma raça específica. Os gatos tornam-se mais calmos com a idade, pois não têm a energia caótica de um gatinho e apenas procuram o conforto de um colo e uma vida sossegada.
Que animais de estimação são menos aconselhados para idosos?
Os animais menos aconselhados para idosos incluem cachorros jovens, gatos bebés, cães de grande porte ou de alta energia, grandes papagaios e répteis. Por exemplo, raças de cães muito ativas, como o Border Collie ou o Jack Russell, exigem um esforço físico incompatível com a maioria dos seniores. Aves exóticas de vida longa e tartarugas grandes também são desaconselhadas devido à sua longevidade extrema.
Relativamente aos animais muito novos, especialmente cães e gatos, a grande questão prende-se com o risco de quedas em idosos causadas por puxões na trela, saltos inesperados ou correrias pela casa. Além disso, filhotes requerem um treino intensivo e paciência, que podem ser exaustivos nesta fase da vida.
Ter muitos peixes ou pássaros é também desaconselhado. A manutenção de gaiolas grandes ou aquários complexos exige força física e agilidade para a limpeza.
O que é a pet therapy?
A pet therapy, ou Terapia Assistida por Animais (TAA), é uma intervenção terapêutica estruturada que se baseia no relacionamento entre pacientes e animais e que é orientada por profissionais de saúde ou educação. Ao contrário da simples convivência com um animal de estimação, esta modalidade utiliza animais especificamente treinados como parte de um plano de tratamento, com o objetivo de obter melhorias na condição do doente.
O ponto chave deste processo é o forte vínculo biológico entre seres humanos e animais, que facilita a reabilitação e aumenta o bem-estar. Através de interações monitorizadas, que podem incluir o toque, o ato de alimentar, passear ou escovar o animal, promovem-se melhorias na motricidade, redução drástica da ansiedade e estímulo da comunicação verbal e não verbal.
A pet therapy é uma ferramenta poderosa utilizada atualmente em hospitais, escolas de ensino especial e unidades de cuidados paliativos. Ela também está disponível através de terapeutas em clínicas privadas e centros de tratamento específicos para esta finalidade.
A pet therapy é uma boa opção para idosos?
Sim, a pet therapy é uma boa opção para idosos com diferentes tipos de doenças do foro mental e psicológico (como Alzheimer, demência ou depressão), que enfrentam problemas de isolamento ou sentimentos de solidão e que precisam de trabalhar a motricidade fina. Além disso, ela é indicada para todos os idosos, pois introduz estímulos cognitivos que contribuem para o bem estar e para a manutenção da capacidade e atividade cerebral.
Entre os benefícios comprovados da terapia assistida por animais para idosos estão:
- Controlo da Agitação na Demência: A interação com cães de terapia reduz significativamente os episódios de agitação, agressividade e ansiedade em pacientes com Alzheimer e outras demências;
- Combate à Solidão e Depressão: Investigações confirmam que idosos que participam em sessões de pet therapy apresentam níveis de isolamento social muito inferiores, uma melhoria notável no estado de humor e melhoria na taxa de resistência e recuperação na depressão geriátrica;
- Redução da Tensão Arterial e Stress: A presença de animais de terapia baixa os níveis de cortisol (hormona do stress) e aumenta a libertação de oxitocina e endorfinas, ajudando a estabilizar a pressão arterial em idosos com hipertensão;
- Melhoria da Função Cognitiva: A interação regular com animais estimula a memória e as funções executivas, ajudando a retardar o declínio cognitivo ligeiro através do estímulo sensorial e da necessidade de foco;
- Melhoria das competências motoras e equilíbrio: as atividades físicas envolvidas nas sessões de pet therapy contribuem para melhorar o equilíbrio, a coordenação e reduzir o risco de quedas. A interação física com os animais, ao acariciar, dar petiscos, ou caminhar na sua companhia, recruta grupos musculares essenciais para a autonomia do idoso;
- Redução da dor física crónica: investigações documentam que a pet therapy pode reduzir a dor, a pressão arterial e a fadiga, enquanto aumenta os níveis de energia e a satisfação com a vida;
- Melhoria do apetite e da nutrição em doentes com demência: um estudo registou um aumento significativo da ingestão alimentar e do peso corporal em doentes com Alzheimer após a introdução de um aquário na sala de refeições.
Quais os animais mais indicados para pet therapy com idosos?
O cão é o animal mais indicado para terapia com idosos, pela sua capacidade de interagir com humanos e por ser naturalmente sociável, comunicativo, sensível e fácil de treinar. Os gatos são também populares, especialmente na socialização de idosos que permanecem mais tempo em casa. Em contexto de perda de mobilidade nos idosos, os coelhos, peixes e aves surgem como alternativas válidas para sessões de estimulação sensorial mais suave.
Na prática clínica os cães e os cavalos são os mais escolhidos. Os Golden Retriever e o Labrador são as raças caninas que melhor reúnem as características exigidas a um animal coterapeuta. Os cavalos, utilizados em contexto de equoterapia, são particularmente indicados para trabalhar o equilíbrio, a coordenação motora e a autoconfiança, sendo uma opção a considerar em idosos com mais mobilidade.
Em que doenças a pet therapy traz mais benefícios aos idosos?
As doenças onde a pet therapy oferece mais benefícios aos idosos são as seguintes:
| Condição | Principais Benefícios |
| Alzheimer e Demências | Redução da agitação, agressividade e ansiedade, melhoria do apetite e da nutrição |
| Depressão geriátrica | Diminuição dos sintomas depressivos e aumento dos níveis de serotonina |
| Hipertensão arterial | Redução da pressão arterial e da frequência cardíaca em sessões regulares |
| Ansiedade e stress crónico | Diminuição do cortisol e aumento da oxitocina e endorfinas |
| Declínio cognitivo ligeiro | Estimulação da memória, da atenção e das funções executivas |
| Isolamento social e solidão | Não é uma doença, mas nestes casos regista-se uma melhoria do humor e da predisposição para a interação social |
| Dor crónica | Redução da perceção subjetiva da dor em condições osteoarticulares |
| Limitação motora e reabilitação | Melhoria do equilíbrio, coordenação e competências motoras finas |
Quais os riscos dos animais de estimação para idosos?
Os principais riscos dos animais de estimação para idosos prendem-se com as questões de segurança, o impacto a vários níveis ao assumir uma nova responsabilidade e o perigo associado à sobrecarga financeira e ao luto em caso de falecimento do animal. Os principais riscos dos animais de companhia para os idosos são:
- Risco de quedas e fraturas: Brinquedos espalhados, taças de água ou o próprio animal a passar entre as pernas podem provocar tropeções;
- Fragilidade cutânea e lesões: A pele dos idosos é naturalmente mais fina e sensível. Uma brincadeira mais entusiasta, um arranhão acidental ou uma dentada leve podem causar feridas que demoram a cicatrizar ou que infetam facilmente;
- Higiene dos idosos e doenças zoonóticas: Se a rotina de desparasitação e limpeza não for rigorosa, o idoso (cujo sistema imunitário pode estar mais fragilizado) fica mais exposto a fungos, bactérias ou parasitas transmitidos pelos animais;
- Sobrecarga física e articular: Tarefas como carregar sacos de ração pesados, limpar caixas de areia ou segurar um cão que puxa muito a trela podem causar dores nas costas, ombros e articulações;
- Stress e ansiedade: A preocupação constante com a saúde do animal ou a incapacidade de lidar com um comportamento difícil pode gerar um nível de stress contraproducente para a saúde do idoso;
- Impacto financeiro imprevisto: As despesas com veterinário, medicação crónica ou rações especiais podem tornar-se um peso excessivo no orçamento fixo da reforma;
- Impacto emocional do luto: A perda de um animal de estimação pode ser devastadora, provocando um vazio emocional que, nalguns casos, desencadeia episódios depressivos profundos.
Como ao apoio domiciliário ajuda na rotina com o animal de estimação
O apoio domiciliário ajuda na rotina com o animal de estimação ao garantir que este compromisso nunca se torne um peso ou tem um impacto negativo no idoso. O cuidador pode ajudar a assumir tarefas como a alimentação e a higiene do animal, acompanhar o idoso nas idas ao veterinário e ajudar nos passeios como parte dos cuidados pessoais no domicílio.
Além deste papel de suporte, o apoio domiciliário é também uma mais-valia na prevenção de riscos. O seu olhar atento permite remover obstáculos, reconhece os dias onde é necessário mais apoio devido à fadiga ou dificuldades de mobilidade, e assegura o cumprimento de agenda de rotinas de higiene e saúde como a desparasitação. Além disso, em caso de doença ou hospitalização, os cuidados com o animal ficam assegurados.
Ter um animal de estimação na terceira idade é, para muitos idosos, uma das decisões mais transformadoras que podem tomar. Ela oferece companhia, propósito, e alegria, entre muitos outros benefícios na saúde física, cognitiva e emocional. Se ter apoio para gerir esta nova rotina for uma preocupação, a Caring está ao seu lado. Conte com os nossos cuidadores para o ajudar a viver esta experiência com tranquilidade, segurança e todo o carinho que ela merece.