O verão é uma estação temida por muitas famílias que têm idosos ao cuidado. E há razão para isso. Em Portugal, as ondas de calor matam todos os anos, e as vítimas são esmagadoramente os mais velhos. Em julho de 2025, o país registou 1.331 mortes em excesso associadas ao calor, com a grande maioria a ocorrer entre pessoas com mais de 75 anos. Em 2024, uma onda de calor entre 22 de julho e 4 de agosto causou 715 mortes em excesso, um aumento de 19% acima do esperado. Em 2023, uma semana de calor extremo em agosto foi responsável por 384 mortes adicionais.
Estes não são números abstratos. São pais, avós, vizinhos. São pessoas que morreram porque o calor é mais perigoso para os idosos do que para qualquer outro grupo etário, e porque muitas famílias não sabem como agir quando as temperaturas sobem.
Este artigo existe para mudar isso. Aqui encontra tudo o que precisa saber: porque é que os idosos são tão vulneráveis ao calor, quais os sinais de alerta que nunca deve ignorar, o que fazer numa emergência e como proteger o seu familiar durante o verão, dia após dia.
Porque é que o calor é mais perigoso para os idosos
O calor extremo coloca todos em risco, mas os idosos são desproporcionalmente vulneráveis. A razão não é uma só: é uma combinação de alterações biológicas do envelhecimento que reduzem a capacidade do organismo de se defender das temperaturas elevadas.
A termorregulação enfraquece com a idade
O corpo humano mantém a temperatura interna estável através de mecanismos de termorregulação, dos quais a sudação e a vasodilatação periférica são os mais importantes. Com o envelhecimento, ambos ficam menos eficazes. Os idosos suam menos e de forma mais lenta do que os adultos jovens, o que significa que o arrefecimento pelo suor funciona com menos eficiência. A circulação periférica também se torna menos ágil, dificultando a dissipação de calor através da pele.
O resultado é que o organismo de um idoso demora mais tempo a responder ao aumento da temperatura e acumula calor interno mais rapidamente do que um adulto jovem nas mesmas condições ambientais.
A sensação de sede diminui
Com o avançar da idade, o mecanismo de sede torna-se progressivamente menos sensível. Um idoso pode estar já com um défice significativo de líquidos sem sentir sede. Esta alteração, que abordamos em detalhe no artigo sobre desidratação nos idosos, é particularmente perigosa no verão porque a pessoa não procura beber com a frequência necessária, mesmo quando o calor já está a causar danos.
O rim funciona com menor eficiência
Os rins dos idosos têm menor capacidade de concentrar a urina e de conservar líquidos quando o organismo está desidratado. Isso significa que perdem água mais rapidamente e que a desidratação se instala e agrava com maior velocidade do que nos mais jovens.
Doenças crónicas e medicação amplificam o risco
A maioria dos idosos tem pelo menos uma doença crónica e toma medicação regular. Doenças como insuficiência cardíaca, diabetes, doença renal crónica e hipertensão comprometem a capacidade do organismo de se adaptar ao stress térmico. A medicação, como veremos mais à frente neste artigo, pode também interferir diretamente com a termorregulação ou com a hidratação.
Quais os idosos em maior risco
Dentro do grupo dos idosos, existem perfis de risco mais elevado que merecem atenção redobrada durante os períodos de calor intenso.
| Fator de risco | Porquê aumenta a vulnerabilidade |
| Idade superior a 75 anos | A vulnerabilidade ao calor aumenta de forma significativa a partir dos 75 anos, quando os mecanismos de termorregulação estão mais comprometidos |
| Viver sozinho | Não há ninguém que detete sinais precoces de descompensação ou que garanta a ingestão regular de líquidos |
| Mobilidade reduzida ou dependência | Dificuldade em deslocar-se a espaços mais frescos, em se vestir adequadamente ou em aceder a líquidos de forma autónoma |
| Demência ou alteração cognitiva | Incapacidade de reconhecer o próprio desconforto, de pedir ajuda ou de adotar comportamentos protetores |
| Doenças cardiovasculares | O coração já comprometido tem maior dificuldade em compensar o aumento da carga circulatória associada ao calor |
| Diabetes | Compromete a resposta vascular ao calor e aumenta o risco de desidratação e de complicações metabólicas |
| Doença renal crónica | Reduz a capacidade de compensar a perda de líquidos e eletrólitos |
| Polimedicação | Vários medicamentos comuns nos idosos interferem com a termorregulação ou aumentam a perda de líquidos |
| Habitação sem ventilação adequada | Casas fechadas, sem sombra ou ar condicionado, podem atingir temperaturas muito superiores ao exterior |
Os sinais de alerta que nunca deve ignorar
Reconhecer os sinais de que um idoso está a ser afetado pelo calor pode ser a diferença entre uma intervenção a tempo e uma emergência. Os sintomas desenvolvem-se por fases, mas nos idosos podem progredir mais rapidamente e de forma menos evidente do que nos mais jovens.
Sinais precoces: o momento de agir antes que piore
- Sede intensa ou ausência de sede apesar do calor: qualquer uma das situações pode indicar desidratação em curso;
- Urina escura ou em menor quantidade do que o habitual: sinal de desidratação que merece hidratação imediata;
- Fadiga excessiva ou sonolência fora do habitual: o organismo sob stress térmico desvia recursos para tentar compensar;
- Irritabilidade ou alterações de comportamento: por vezes o primeiro sinal de que algo não está bem;
- Pele quente e vermelha: sinal de que o organismo está a tentar dissipar calor pela pele;
- Dor de cabeça persistente: frequentemente associada à desidratação e ao stress térmico;
- Cãibras musculares: especialmente nas pernas, associadas à perda de sais minerais pelo suor.
Sinais de alerta intermédios: agir com urgência
- Tonturas ao levantar ou ao caminhar: sinal de hipotensão ortostática agravada pela desidratação;
- Náuseas ou vómitos: o sistema digestivo é rapidamente afetado pelo stress térmico;
- Pele fria e húmida com suores frios: pode indicar exaustão pelo calor, que requer intervenção imediata;
- Fraqueza generalizada ou dificuldade em se manter de pé: sinal de comprometimento circulatório;
- Confusão ou desorientação: qualquer alteração do estado de consciência num dia de calor é sinal de emergência.
Sinais de emergência: ligue imediatamente para o 112
- Temperatura corporal acima de 40°C;
- Pele muito quente, seca e vermelha sem suor;
- Perda de consciência ou convulsões;
- Confusão mental grave, discurso incoerente ou incapacidade de responder;
- Frequência cardíaca muito rápida com pulso fraco;
- Dificuldade em respirar.
Perante qualquer destes sinais, ligue imediatamente para o 112 e inicie medidas de arrefecimento enquanto espera pelos serviços de emergência.
Golpe de calor: o que é, como reconhecer e o que fazer
O golpe de calor é a forma mais grave de doença relacionada com o calor e constitui uma emergência médica. Ocorre quando o organismo perde completamente a capacidade de regular a temperatura interna, que sobe de forma descontrolada acima dos 40°C, causando danos progressivos nos órgãos vitais.
É a principal causa de morte relacionada com o calor nos idosos e pode ocorrer em poucas horas de exposição a temperaturas extremas, especialmente quando combinadas com humidade elevada, ausência de ventilação e esforço físico.
Dois tipos de golpe de calor
| Golpe de calor clássico | Golpe de calor por esforço |
| Mais comum nos idosos e nas crianças | Mais comum em adultos jovens e ativos |
| Causado por exposição prolongada ao ambiente quente sem atividade física significativa | Causado por exercício intenso em ambiente quente |
| Instalação gradual ao longo de horas ou dias | Instalação rápida, durante ou logo após o esforço |
| Pele quente, seca e vermelha (ausência de suor) | Pele quente, frequentemente ainda húmida |
| Temperatura corporal acima de 40°C | Temperatura corporal acima de 40°C |
O que fazer enquanto espera o 112
- Transportar imediatamente a pessoa para um local fresco, à sombra ou com ar condicionado;
- Deitar a pessoa e elevar os membros inferiores se estiver consciente;
- Arrefecer o corpo com rapidez: compressas de água fria ou gelo embrulhado em pano nas axilas, virilhas e pescoço, que são as zonas onde os grandes vasos sanguíneos ficam mais próximos da superfície;
- Humedecer a pele com água fria e ventilar com um leque ou ventoinha;
- Se estiver consciente e conseguir engolir, oferecer água fresca em pequenos goles;
- Nunca deixar a pessoa sozinha e monitorizar a respiração e o estado de consciência;
- Não dar medicamentos para a febre, como o paracetamol, porque não são eficazes no golpe de calor e podem ser prejudiciais.
Exaustão pelo calor: diferenças e como agir
A exaustão pelo calor é menos grave do que o golpe de calor, mas requer intervenção imediata para evitar que progrida para uma emergência. É o estado em que o organismo ainda consegue regular parcialmente a temperatura, mas já está em esforço significativo.
| Exaustão pelo calor | Golpe de calor |
| Temperatura corporal elevada mas abaixo de 40°C | Temperatura corporal acima de 40°C |
| Suor abundante, pele fria e húmida | Pele quente, seca e vermelha |
| Fraqueza, tonturas, náuseas | Confusão mental grave, perda de consciência |
| A pessoa está consciente e orientada | Estado de consciência comprometido |
| Requer intervenção mas não é emergência imediata | Emergência médica: ligue 112 imediatamente |
Como tratar a exaustão pelo calor
- Levar imediatamente para um espaço fresco e à sombra;
- Deitar a pessoa com os pés ligeiramente elevados;
- Remover roupas em excesso e desapertar o colarinho;
- Oferecer água fresca ou bebidas com sais minerais em pequenos goles frequentes;
- Aplicar compressas de água fria na testa, pescoço e pulsos;
- Monitorizar durante pelo menos uma hora e evitar que a pessoa retome atividade no calor.
Se os sintomas não melhorarem em 30 minutos, se a pessoa perder a consciência ou se a temperatura subir acima de 40°C, ligue imediatamente para o 112.
Como prevenir: medidas práticas para o dia a dia
A prevenção é sempre a melhor abordagem. A maioria das mortes relacionadas com o calor em idosos é evitável com medidas simples e consistentes aplicadas antes e durante os períodos de calor intenso.
Horários e atividade
- Evitar sair de casa entre as 11h e as 17h, que são as horas de maior intensidade solar e térmica;
- Programar as saídas necessárias para a manhã cedo ou para o final da tarde;
- Reduzir ou cancelar qualquer atividade física intensa nos dias de calor extremo;
- Preferir atividades no interior em espaços frescos durante os períodos mais quentes;
- Se tiver de sair, usar chapéu de abas largas, roupa leve e de cores claras, e protetor solar.
Roupa e vestuário
- Optar por roupas leves, folgadas e de fibras naturais como o algodão ou o linho, que permitem a transpiração;
- Evitar roupas escuras que absorvem mais calor;
- Assegurar que o idoso tem roupa adequada disponível e que consegue selecioná-la, especialmente se tiver alguma limitação cognitiva.
Contacto e vigilância
- Verificar o bem-estar do idoso pelo menos duas vezes por dia nos períodos de calor intenso;
- Telefonar de manhã e ao final da tarde para garantir que está bem hidratado e que a casa não está demasiado quente;
- Identificar um vizinho de confiança que possa verificar presencialmente se não houver resposta ao telefone.
Para famílias que não conseguem estar presentes com a regularidade necessária durante os meses de verão, o apoio domiciliário garante uma presença profissional regular que monitoriza o estado de saúde, assegura a hidratação e deteta sinais precoces de descompensação. A Caring disponibiliza também apoio durante as férias dos cuidadores, para que o familiar não fique sem acompanhamento nos períodos em que a família não pode estar presente.
Hidratação no verão: quanto beber e como garantir
A hidratação adequada é a medida preventiva mais importante e mais acessível. Um idoso bem hidratado tem muito maior capacidade de lidar com o calor do que um idoso desidratado, e a diferença entre os dois estados pode ser de apenas algumas horas de ingestão insuficiente de líquidos.
Quanto deve um idoso beber por dia no verão
A recomendação geral para adultos é de 1,5 a 2 litros de água por dia. Em dias de calor intenso, este valor deve aumentar para 2 a 2,5 litros, salvo contraindicação médica por insuficiência cardíaca ou renal grave, casos em que o médico assistente deve ser consultado sobre os limites recomendados.
A regra prática mais fácil de aplicar é observar a cor da urina. Urina clara ou amarelo-pálido indica boa hidratação. Urina escura ou de cheiro intenso indica que é preciso beber mais.
Como garantir que o idoso bebe o suficiente
- Colocar um copo de água ou uma garrafa à vista em todos os espaços onde o idoso passa mais tempo;
- Oferecer água de forma proativa a cada hora, sem esperar que o idoso a peça;
- Preparar águas aromatizadas com limão, hortelã ou pepino para tornar a hidratação mais apelativa;
- Incluir alimentos com alto teor de água nas refeições: melancia, pepino, laranja, morango, tomate e sopa;
- Preparar gelatinas, iogurtes e sumos naturais diluídos como formas alternativas de hidratação;
- Evitar bebidas alcoólicas e com cafeína em excesso, que têm efeito diurético;
- Usar um diário ou aplicação de registo para acompanhar a quantidade de líquidos ingerida ao longo do dia.
Para compreender em detalhe os mecanismos da desidratação nos idosos e os seus efeitos no organismo, consulte o nosso guia completo sobre como prevenir e tratar a desidratação nos mais velhos.
Alimentação no calor: o que ajuda e o que prejudica
A alimentação tem um papel importante na capacidade do organismo de lidar com o calor. Alguns alimentos e hábitos alimentares contribuem para manter o equilíbrio hídrico e eletrolítico, enquanto outros aumentam o risco de descompensação.
Alimentos que ajudam
- Frutas com alto teor de água: melancia, melão, morangos, laranjas e pêssego são excelentes opções para o verão, combinando hidratação com vitaminas e minerais;
- Hortícolas frescos: pepino, alface, tomate, abobrinha e pimentos têm alto teor de água e são leves para o sistema digestivo;
- Sopas frias: o gaspacho e outras sopas frias de vegetais são uma forma saborosa de combinar hidratação e nutrição;
- Iogurte natural: fonte de cálcio, proteína e probióticos, com bom teor de água e fácil digestão;
- Alimentos ricos em potássio: banana, batata cozida, feijão e abacate ajudam a repor os sais minerais perdidos pela sudação.
Alimentos e hábitos a evitar
- Refeições pesadas e muito calóricas, que aumentam a produção de calor metabólico durante a digestão;
- Alimentos muito salgados, que aumentam a sede e a retenção de sódio;
- Álcool em qualquer quantidade, que acelera a desidratação;
- Excesso de cafeína, com efeito diurético;
- Alimentos muito quentes, que elevam a temperatura interna.
Um padrão alimentar semelhante ao da dieta mediterrânica, rico em vegetais, frutas, azeite e peixe, é naturalmente adaptado às exigências do clima quente e protege o organismo de forma integrada durante os meses de verão.
Como preparar a casa para o calor extremo
A casa é o principal ambiente de vida da maioria dos idosos, especialmente daqueles com mobilidade reduzida. Preparar o espaço para as ondas de calor é uma medida preventiva de grande impacto.
Gestão da temperatura interior
- Fechar as janelas, portadas e persianas durante as horas mais quentes do dia para impedir a entrada de calor;
- Abrir as janelas ao final da tarde e durante a noite, quando a temperatura exterior desce abaixo da interior;
- Usar ventoinhas para criar circulação de ar. Colocar uma bacia com gelo ou água fria à frente da ventoinha aumenta o efeito de arrefecimento;
- Se houver ar condicionado, definir a temperatura entre 24°C e 26°C. Evitar diferenças superiores a 8°C em relação ao exterior, que podem causar choque térmico;
- Identificar o espaço mais fresco da casa e garantir que o idoso passa a maior parte do tempo nesse espaço durante o calor intenso.
Se não houver ar condicionado
- Identificar espaços públicos frescos próximos: centros comerciais, bibliotecas, museus, igrejas ou centros de saúde, que podem servir de refúgio nas horas mais quentes;
- Aplicar películas refletoras nas janelas mais expostas ao sol;
- Usar cortinas ou persianas claras que reflitam a luz solar;
- Colocar plantas na varanda ou na janela para criar sombra natural;
- Garantir que o quarto está fresco à hora de dormir, porque as noites quentes são um fator de risco adicional para os idosos.
Equipamentos úteis
- Termómetro de quarto: permite monitorizar a temperatura interior e agir antes que atinja valores perigosos;
- Spray de água: borrifar água fresca na pele é uma forma simples e eficaz de arrefecer rapidamente;
- Bolsa de gelo ou compressas frias: úteis para aplicar nas zonas de maior irradiação vascular em caso de sobreaquecimento;
- Lençóis de algodão leve: substitua a roupa de cama mais pesada por opções mais frescas durante o verão.
O papel dos medicamentos no risco de calor
A medicação é um fator frequentemente subestimado no risco associado ao calor em idosos. Vários dos medicamentos mais prescritos nesta faixa etária podem interferir com a termorregulação, aumentar a perda de líquidos ou reduzir a capacidade de resposta do organismo ao stress térmico.
| Classe de medicamentos | Exemplos comuns | Efeito no risco de calor |
| Diuréticos | Furosemida, hidroclorotiazida | Aumentam a eliminação de líquidos e sais minerais, acelerando a desidratação |
| Betabloqueadores | Atenolol, bisoprolol, metoprolol | Reduzem a capacidade de aumentar a frequência cardíaca em resposta ao calor e podem diminuir a sudação |
| Antipsicóticos | Haloperidol, risperidona, quetiapina | Comprometem a termorregulação central e reduzem a sensação de calor |
| Antidepressivos tricíclicos | Amitriptilina, clomipramina | Reduzem a sudação e comprometem a termorregulação |
| Anticolinérgicos | Oxibutinina, tolterodinea | Inibem a sudação, impedindo o arrefecimento natural |
| Anti-inflamatórios (AINEs) | Ibuprofeno, diclofenac | Podem comprometer a função renal, especialmente em situação de desidratação |
| Lítio | Carbonato de lítio | Os níveis no sangue aumentam com a desidratação, podendo causar toxicidade |
Isto não significa que estes medicamentos devam ser suspensos. A decisão de alterar, reduzir ou suspender qualquer medicação é sempre do médico assistente. O que se recomenda é que as famílias e os cuidadores estejam conscientes deste risco e que comuniquem ao médico qualquer alteração no estado do idoso durante os períodos de calor. A gestão da polimedicação nos idosos é sempre um tema a abordar com o médico de família, especialmente antes do verão.
Checklist de verão para familiares e cuidadores
Esta checklist resume as medidas mais importantes a implementar antes e durante os períodos de calor intenso. Use-a como guia prático de verificação.
| O que verificar | Feito |
| A casa tem ventilação adequada ou ar condicionado a funcionar | |
| As janelas e portadas são fechadas durante o dia e abertas à noite | |
| Existe água disponível e acessível em todos os espaços da casa | |
| O idoso bebe pelo menos 1,5 a 2 litros de líquidos por dia | |
| A urina tem cor clara (sinal de boa hidratação) | |
| As saídas estão programadas para as horas mais frescas do dia | |
| A roupa disponível é leve, folgada e de cores claras | |
| A medicação foi revista com o médico à luz do risco de calor | |
| Existe contacto de alguém de confiança que pode verificar o idoso presencialmente | |
| Os sinais de alerta de desidratação e golpe de calor são conhecidos por todos os cuidadores | |
| O número de emergência 112 está facilmente acessível | |
| O idoso sabe que deve pedir ajuda se se sentir mal |
Perguntas frequentes sobre calor e idosos
A que temperatura é que o calor se torna perigoso para um idoso?
Não existe um valor único, porque o risco depende da combinação entre temperatura, humidade, exposição solar e características individuais. De forma geral, temperaturas ambientes acima de 32°C são consideradas de risco elevado para idosos vulneráveis, especialmente quando combinadas com humidade acima de 60% e sem ventilação adequada. A Direção-Geral da Saúde emite alertas e recomendações específicas durante os períodos de calor intenso, que devem ser acompanhados de forma regular no verão.
Um idoso com ar condicionado está totalmente protegido?
O ar condicionado reduz muito o risco, mas não elimina todos os perigos. É importante garantir que a temperatura interior não é demasiado baixa em relação ao exterior, o que pode causar choque térmico nas transições. O idoso ainda precisa de manter a hidratação adequada, porque o ar condicionado resseca o ambiente e aumenta a perda de água por evaporação. E nas saídas ao exterior, o risco mantém-se.
Que bebidas são melhores para hidratar um idoso no calor?
A água é sempre a melhor opção. Águas aromatizadas com limão, pepino ou hortelã podem torná-la mais apelativa. As bebidas isotónicas, em pequenas quantidades, podem ajudar a repor sais minerais perdidos pelo suor. O leite magro frio é também uma boa opção de hidratação. A evitar: álcool, café e refrigerantes em excesso. Os sumos de fruta naturais podem ser consumidos diluídos em água.
O que fazer se um idoso recusar beber água?
Esta é uma situação frequente, especialmente em pessoas com demência ou com alterações cognitivas. Algumas estratégias: oferecer líquidos com sabor (chás frios, águas aromatizadas, sumos diluídos), recorrer a alimentos com alto teor de água como melancia, gelatinas ou sopas frias, oferecer pequenas quantidades de forma frequente em vez de grandes copos de uma vez, e usar copos ou chávenas que o idoso prefira. Se a recusa for persistente e os sinais de desidratação estiverem presentes, contacte o médico assistente.
Como saber se o idoso teve um golpe de calor ou uma outra situação de saúde?
A temperatura corporal acima de 40°C, a pele muito quente e seca, a confusão mental grave e a ausência de suor numa situação de calor extremo são sinais muito sugestivos de golpe de calor. No entanto, em idosos, qualquer alteração súbita do estado de consciência num dia de calor deve ser tratada como emergência e deve ser chamado o 112 imediatamente. O diagnóstico diferencial é sempre feito pelos profissionais de saúde.
O apoio domiciliário pode ajudar durante uma onda de calor?
Sim, de forma muito direta. A presença regular de um cuidador profissional garante que o idoso bebe regularmente, que os sinais precoces de descompensação são detetados a tempo, que a casa está preparada adequadamente e que existe alguém que pode agir de imediato em caso de emergência. Para famílias que trabalham ou que vivem longe, é uma segurança que pode ser decisiva.
O verão mais seguro começa antes do calor chegar
As mortes por calor em Portugal não acontecem de repente. Acontecem ao longo de horas, muitas vezes em casa, em silêncio, sem que ninguém detete a tempo o que está a acontecer. A maioria é evitável. E a prevenção não exige grandes recursos: exige atenção, informação e presença.
Se tem um pai, uma mãe ou um familiar idoso, este é o momento de verificar se a casa está preparada, se a hidratação é suficiente, se a medicação foi revista com o médico e se existe alguém que garante o contacto regular nos dias mais quentes. Estas perguntas, feitas agora, podem fazer toda a diferença quando o calor chegar.
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Nota: A informação apresentada neste artigo destina-se exclusivamente a fins informativos e educativos. Em caso de emergência relacionada com o calor, ligue imediatamente para o 112. Para questões sobre medicação ou condições de saúde específicas, consulte sempre o médico assistente.