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Publicado em 9 Abr, 2026

Quando muitos medicamentos são necessários ou são excessivos? Saiba o que é a polimedicação

A polimedicação é a toma em períodos prolongados de cinco ou mais medicamentos. Existe uma diferença entre polimedicação adequada, para controlo de doenças crónicas e outros problemas de saúde, e polimedicação inadequada, por duplicação ou cascata de medicação. Veja as consequências, sinais de alerta para problemas de medicação excessiva e estratégias para reduzir a polimedicação.

A polimedicação, a toma simultânea de cinco ou mais medicamentos por períodos prolongados, é uma realidade cada vez mais comum, especialmente entre a população idosa. E é um problema que se tende a agravar, pelo envelhecimento da população, e que tem impacto no sistema de saúde, a nível económico e, especialmente, na qualidade de vida na terceira idade. Até porque dados indicam que em Portugal 80% das pessoas com mais de 85 anos tomam, em média, sete medicamentos por dia.

Há que distinguir os dois tipos de polimedicação. Ela é positiva e até essencial quando existem várias doenças crónicas. O problema surge quando há duplicações, efeitos secundários confundidos com novas doenças ou simplesmente fármacos que já não fazem falta ou efeito.

Perceber as causas da polimedicação, os sinais de alerta e as formas de reduzir este risco faz uma diferença real na qualidade de vida de quem toma muita medicação e de quem cuida dessas pessoas. Até porque, como lhe vamos mostrar, existem várias formas de reduzir a dependência de determinados medicamentos, através de mudanças no estilo de vida. Saiba tudo o que precisa sobre polimedicação e como a reduzir neste artigo.

 

 

O que é a polimedicação?

A polimedicação é a toma de uma quantidade considerada muito alta de medicação, geralmente acima de cinco medicamentos diferentes e por períodos de tempo prolongados. Esta realidade tem várias origens e surge por motivos justificados, como quadros clínicos complexos, mas também pela fragmentação de cuidados e prescrições efetuadas por diferentes especialistas. 

Embora ela possa ocorrer em pessoas de qualquer faixa etária, a polimedicação nos idosos é mais frequente. Mas a revisão da terapêutica, e o recurso a práticas alternativas, permite muitas vezes reduzir o número de medicamentos prescritos. Isso reduz sintomas relacionados com contraindicações, efeitos secundários e reações adversas. Além disso, tem impacto nas rotinas e a nível psicológico, reduzindo a sensação de estar permanentemente em tratamento ao longo do dia.

A partir de quantos medicamentos se considera polimedicação?

Considera-se polimedicação a toma de cinco medicamentos ou mais por períodos de tempo prolongados. Ou seja, na contabilidade da polimedicação não entra a toma esporádica de medicamentos como antigripais ou para dores de cabeça, mas apenas a prescrição de fármacos para doenças crónicas ou tratamentos de longa duração. Existe ainda a definição de polimedicação major ou excessiva, geralmente associada à toma de dez ou mais medicamentos.

Polimedicação e polifarmácia são o mesmo?

Sim, polimedicação e polifarmácia são o mesmo conceito. A expressão mais usual em Portugal é polimedicação, enquanto no Brasil é frequente usar-se o termo polifarmácia. Mas ambos se referem à mesma questão.

Porque a polimedicação nos idosos é mais frequente?

A polimedicação nos idosos é mais frequente devido à elevada incidência de comorbilidades. A coexistência de várias doenças crónicas (como hipertensão, diabetes ou artroses) obriga à utilização simultânea de múltiplos fármacos para o seu controlo. Este cenário é agravado pelo processo natural de envelhecimento, que reduz a capacidade de recuperação e aumenta a necessidade de tratamentos contínuos e permanentes.

Além disso, a fragmentação dos cuidados por diversos especialistas e a maior suscetibilidade a efeitos secundários favorecem a “cascata prescritiva”. Isto ocorre quando novos medicamentos são adicionados para tratar sintomas causados por outros já existentes. A falta de uma revisão sistemática e de reconciliação terapêutica deixa os idosos mais expostos ao risco de medicação excessiva ou inapropriada.

Um estudo nacional sobre polimedicação descobriu que, num grupo de pessoas com mais de 85 anos, havia 79,5% de idosos polimedicados. Em média cada inquirido tomava 7,1 medicamentos, com maior prevalência de fármacos como estatinas (para colesterol e problemas cardiovasculares), benzodiazepinas (ansiedade e insónias) e inibidores da bomba de protões (problemas gástricos). Outro estudo nacional sobre polimedicação em idosos registou um máximo de 14 medicamentos prescritos ao mesmo doente.

A polimedicação é uma má prática?

Não, a polimedicação não é uma má prática quando os fármacos prescritos são necessários para a manutenção do estado de saúde do doente e prevenir complicações médicas. Por exemplo, alguém que tenha diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares precisa de medicação específica para cada um destes problemas crónicos. E, como tal, este é um caso de polimedicação adequada.

Existem, no entanto, casos de polimedicação inadequada, com vários medicamentos prescritos para a mesma finalidade. Isto também pode ocorrer quando são adicionados medicamentos como tratamento de novas doenças diagnosticadas, apesar dos sintomas serem apenas efeitos secundários da medicação já utilizada pelo doente.

Qual a relação entre polimedicação e medicação desnecessária?

A relação existente é que a medicação desnecessária (por fármacos que já não oferecem benefícios ou prescrições duplicadas) é uma demonstração de polimedicação inadequada. Quando o doente toma mais de cinco medicamentos mas todos eles têm uma função específica, não existe qualquer tipo de medicação desnecessária ou inapropriada.

Existem regras em Portugal para a polimedicação?

Não existem regras, através de legislação específica, para a polimedicação em Portugal. Existe, no entanto, um conjunto de obrigações éticas associadas à profissão médica e um conjunto de plataformas eletrónicas que ajudam a reduzir o risco de polimedicação inadequada.

Por exemplo, o Artigo 4º do Código Deontológico da Ordem dos Médicos indica, no nº 4, que os profissionais devem proteger a sociedade através de uma gestão rigorosa dos recursos. Esta obrigação, que combina a prestação dos cuidados devidos aos doentes com a prevenção da sobrecarga do sistema de saúde por efeitos adversos e outras consequências de polimedicação inadequada, faz com que a prescrição médica deva ser adaptada às reais necessidades do paciente.

Existem ainda ferramentas digitais, como a Plataforma de Dados de Saúde, que permitem analisar o histórico de medicamentos prescritos a cada doente. Isto previne a duplicação de medicação e permite identificar situações de polimedicação inadequada. Existem ainda regras da DGS para a reconciliação da medicação dos pacientes, que também ajudam a garantir que apenas são administrados os fármacos necessários.

 

Quais as principais causas para a polimedicação?

As principais causas para a polimedicação são as seguintes:

  • Doenças Crónicas e Comorbilidades: A presença de múltiplas patologias crónicas em simultâneo (como hipertensão, diabetes e asma) exige frequentemente o uso de vários fármacos para o controlo de cada uma das condições, somando rapidamente o número de comprimidos diários;
  • Fragmentação dos Cuidados de Saúde: Doentes acompanhados por diversos especialistas que não comunicam entre si leva a que cada um prescreva para a sua área específica, sem uma visão integrada que evite interações ou duplicações;
  • Cascata Prescritiva: Ocorre quando o efeito secundário de um medicamento é mal interpretado como uma nova condição médica, levando à prescrição de um segundo fármaco para tratar sintomas que, na realidade, eram efeitos secundários do primeiro;
  • Automedicação e Uso de Suplementos: O consumo por iniciativa própria de analgésicos, vitaminas ou produtos naturais é muito comum na população geral e contribui significativamente para o excesso de substâncias ativas no organismo, muitas vezes sem conhecimento do médico assistente;
  • Transições entre Níveis de Cuidados: Mudanças de contexto clínico (como uma alta hospitalar ou a troca de médico de família) podem gerar falta de reconciliação terapêutica, com novos fármacos são adicionados sem que os antigos sejam devidamente retirados ou ajustados;
  • Inércia Terapêutica e Falta de Revisão: A manutenção de receitas por hábito, durante anos, sem que haja uma reavaliação periódica da necessidade real e eficácia de cada fármaco, impede a suspensão de tratamentos que já não oferecem benefícios clínicos;
  • Dispersão na Aquisição: A compra de medicamentos em diferentes farmácias ou por vários familiares impede que o farmacêutico tenha o histórico completo do doente. Isso dificulta a detecção de interações e da própria polimedicação;
  • Medicalização do Quotidiano: A tendência crescente para tratar desconfortos ligeiros, stress ou problemas de estilo de vida com soluções farmacológicas, em vez de abordagens não medicamentosas, aumenta a carga química diária da população e quantidades de medicamentos usados.

 

Como as comorbilidades influenciam a polimedicação?

As comorbilidades são um dos principais motivos para a polimedicação, já que ela ocorre quando uma doença primária, e que requer medicação, dá origem a outros problemas de saúde que também necessitam tratamento. Por exemplo, a insuficiência cardíaca exige habitualmente diuréticos e betabloqueadores para a função do coração, mas complicações frequentes, como a fibrilação auricular ou a insuficiência renal crónica, obrigam à introdução de outros fármacos, elevando a medicação diária.

O que é a cascata de prescrição?

A cascata de prescrição é a introdução de novos fármacos para tratar efeitos secundários de um primeiro medicamento. Ela ocorre quando sintomas causados por um medicamento são considerados um novo problema de saúde ao invés de um efeito adverso ou secundário, dando essa situação origem ao aumento da medicação total administrada ao paciente.

Por exemplo, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dores articulares provocam frequentemente um aumento da pressão arterial. Isto pode levar o médico a prescrever um anti hipertensor para tratar hipertensão, que é, na verdade, um efeito secundário do primeiro medicamento.

Consultar vários médicos aumenta o risco de medicação em excesso?

Sim, a consulta de vários médicos aumenta o risco de medicação em excesso quando os pacientes não informam os clínicos sobre todos os medicamentos que tomam e não existe reconciliação medicamentosa. Além disso, médicos diferentes podem optar por uma abordagem diferente para os problemas do paciente, prescrevendo novas terapêuticas que podem duplicar ou colidir com as já existentes. 

A informação digital sobre todas as receitas na Plataforma de Dados de Saúde e a reconciliação de medicamentos são duas soluções para este problema.

 

Quais os sinais de problemas com polimedicação?

Veja no quadro seguinte os principais problemas causados pela polimedicação:

 

Categoria Sinais e Sintomas
Físicos Tonturas, quedas frequentes, fadiga inexplicada, tremores, alterações no ritmo cardíaco, perda de funcionalidade motora, náuseas, problemas digestivos e alterações do apetite
Cognitivos Confusão mental, dificuldade de concentração, lapsos de memória, estado de sonolência, torpor ou apatia, alterações súbitas de humor
Reações Adversas Surgimento de novos sintomas após início de medicação, interações entre fármacos com efeitos imprevistos, agravamento de condições preexistentes
Rotinas de Medicação Dificuldade em seguir horários de toma, esquecimento frequente de doses, confusão entre medicamentos, complexidade crescente na gestão diária da medicação
Impacto Psicológico Sensação de estar permanentemente em tratamento, ansiedade associada à medicação, perda de autonomia, impacto negativo na qualidade de vida percebida
Adesão à terapêutica Resistência ou recusa em tomar medicação, abandono de tratamentos, dificuldade em distinguir para que serve cada medicamento
Hospitalização Internamentos motivados por interações medicamentosas, por quedas ou por descompensação de doenças crónicas associada a conflitos entre medicação
Económicos Encargos diretos com consultas e medicamentos pelos pacientes, e desperdício de fármacos não tomados
Sobrecarga do SNS Aumento de urgências e internamentos evitáveis, pressão sobre médicos de família e especialistas, custos acrescidos para o SNS

 

Existem sinais específicos de polimedicação nos idosos?

Não existem sinais específicos de polimedicação nos idosos, já que os sintomas e consequências são partilhados com outras faixas etárias. No entanto, pelas debilidades associadas ao aumento de problemas crónicos, fragilidade biológica e polimedicação, existem sinais mais frequentes de doses de medicação elevadas nos idosos:

  • Sinais Físicos e de Equilíbrio: A ocorrência frequente de tonturas e quedas em idosos é um dos alertas mais graves, muitas vezes acompanhada de fadiga inexplicada, tremores ou alterações no ritmo cardíaco e perda de agilidade motora;
  • Alterações Cognitivas e do Humor: É comum observar-se confusão mental, lapsos de memória e perda cognitiva, sonolência excessiva (torpor) e uma apatia ou alterações de humor que podem ser confundidas com o próprio envelhecimento, mas que derivam do excesso de fármacos;
  • Problemas Digestivos e de Apetite: Náuseas, dificuldades digestivas e a perda de apetite são sinais físicos diretos de que o sistema gastrointestinal está sobrecarregado;
  • Novos Sintomas Inexplicados: O surgimento de sintomas logo após o início de uma nova medicação ou o agravamento de condições que já estavam controladas são indicadores fortes de interações medicamentosas adversas ou secundárias;
  • Dificuldades na Gestão Diária: O esquecimento frequente de doses, a confusão entre comprimidos ou a incapacidade de seguir os horários estabelecidos revelam que a complexidade da medicação ultrapassou a capacidade de independência e autonomia do idoso.

 

Os riscos de polimedicação nos idosos são mais graves?

Sim, os riscos de polimedicação nos idosos são mais graves devido à maior fragilidade biológica e à perda de funcionalidade motora e cognitiva. Isto potencia consequências críticas como quedas frequentes e internamentos hospitalares evitáveis. 

A maior suscetibilidade dos idosos a reações adversas e interações medicamentosas faz com que um erro de dosagem ou uma “cascata prescritiva” possa comprometer rapidamente a sua autonomia e a qualidade de vida. Esta situação tem um forte impacto no envelhecimento saudável e na independência dos idosos.

Como a polimedicação dificulta a adesão à terapêutica?

A polimedicação dificulta a adesão à terapêutica ao criar uma complexidade na gestão diária, que gera confusão entre medicamentos, esquecimento frequente de doses e dificuldade em cumprir horários rigorosos. Esta situação é particularmente grave nos idosos que, por confusão mental, dificuldades visuais para identificar os diferentes fármacos e outros motivos, podem fazer tomas erradas e sofrer efeitos de sobredosagem ou falta de medicação.

Além disso, a polimedicação tem um forte impacto psicológico, especialmente em pessoas que sempre se sentiram saudáveis. O aparecimento de efeitos secundários desagradáveis e o impacto psicológico de estar “permanentemente em tratamento” levam frequentemente à resistência ou mesmo ao abandono voluntário de fármacos essenciais.

 

Como reduzir o perigo de polimedicação?

Para reduzir o risco de polimedicação, a organização, a revisão e a informação são os segredos principais. Em primeiro lugar é necessário ter uma lista de todos os fármacos, com as doses e horários de toma, que permite a qualquer médico saber que medicamentos estão já a ser administrados. Isto ajuda também na prevenção de potenciais efeitos adversos em emergências médicas ou internamentos. 

Além disso, a organização ajuda a garantir a toma nos momentos indicados com recurso a caixas organizadoras semanais ou a Preparação Individualizada da Medicação (PIM). Isto facilita o cumprimento das rotinas e evita sobredosagem ou falhas na toma da medicação. Esta gestão deve ser acompanhada da revisão da medicação, para retirar fármacos que já não são necessários, evitar duplicações e, se necessário, ajustar doses ou substituir medicamentos por outros mais eficazes e polivalentes.

A informação é igualmente fulcral. Ler os folhetos informativos, que indicam para que serve cada medicamento, efeitos adversos e interações com outros fármacos, ajuda a perceber se existe duplicação de medicação ou sintomas expectáveis. Isso evita sobredosagens, a toma de diferentes medicamentos para a mesma finalidade e prevenir a cascata de medicação para combater sintomas identificados como novas doenças.

Para reduzir o perigo da polimedicação é essencial a atenção da família e dos cuidadores, como no apoio domiciliário a idosos. Estas pessoas garantem acompanhamento permanente, conhecem as questões de saúde dos idosos, ajudam nas rotinas de medicação e acompanham as suas idas aos médicos. Isto torna-os interlocutores chave na implementação de cuidados de saúde prescritos pelos profissionais.

O que é a revisão da medicação e como funciona?

A revisão da medicação é um processo clínico estruturado onde um profissional de saúde (médico ou farmacêutico) analisa todos os medicamentos que o paciente está a tomar para otimizar o tratamento. Este procedimento analisa os fármacos prescritos, os de venda livre e os suplementos naturais, para garantir que a terapêutica é segura e eficaz. Os passos na revisão da medicação incluem:

  1. Inventário Completo: É feito o levantamento de tudo o que o paciente toma, verificando as dosagens e horários;
  2. Avaliação de Necessidade: O profissional analisa se cada fármaco ainda tem uma indicação clínica válida. Com o tempo, algumas condições desaparecem ou mudam, tornando certos medicamentos desnecessários, ineficientes ou a precisar substituição;
  3. Deteção de Riscos: Identificam-se potenciais interações perigosas entre fármacos, duplicações (dois nomes diferentes para o mesmo princípio ativo) ou efeitos secundários que estejam a prejudicar a qualidade de vida;
  4. Simplificação (Desprescrição): Se possível, o médico retira medicamentos que já não trazem benefícios ou substitui vários comprimidos por um único fármaco de associação, facilitando o cumprimento e reduzindo a quantidade de tomas;
  5. Monitorização: Define-se quando será feita a próxima revisão, garantindo que o plano terapêutico se mantém atualizado face ao estado de saúde do paciente.

 

Existem ferramentas clínicas para avaliar a medicação?

Sim, existem várias ferramentas clínicas e critérios validados internacionalmente para avaliar a medicação. Isto ajuda os profissionais a decidir o que manter e o que retirar (desprescrição ou deprescribing). Os mais conhecidos são:

 

Ferramenta Descrição
Critérios STOPP/START O padrão-ouro na Europa. O STOPP indica quando parar um fármaco potencialmente inapropriado, enquanto o START indica medicamentos que deveriam estar prescritos e não estão
Critérios de Beers Desenvolvidos pela Sociedade Americana de Geriatria, listam medicamentos que devem ser evitados ou usados com cautela em idosos
Questionário MAI O Medication Appropriateness Index (MAI) é uma ferramenta baseada em 10 questões (indicação, eficácia, dosagem, interações, etc.) para avaliar a adequação de cada fármaco
Algoritmos de Desprescrição Fluxogramas específicos (como os do site deprescribing.org) que guiam o médico sobre como reduzir a dose ou parar fármacos como IBPs ou benzodiazepinas

 

Qual o médico mais indicado para avaliar a medicação dos doentes?

Os médicos mais indicados para avaliar a medicação dos doentes são o Médico de Medicina Geral e Familiar (também conhecido como o Médico de Família) ou o Geriatra, com o papel de avaliar a polimedicação nos idosos. Em contexto hospitalar o Médico de Medicina Interna, ou Internista, desempenha o papel crucial de rever toda a terapêutica de doentes com múltiplas patologias agudas e crónicas.

Qual o papel do farmacêutico para prevenir a polimedicação?

O farmacêutico desempenha um papel crucial como o último filtro de segurança no circuito do medicamento, atuando na revisão sistemática da terapêutica para identificar interações, duplicações e medicamentos potencialmente inapropriados. Ele tem um papel essencial na educação do doente e na implementação de sistemas de preparação individualizada, através dos quais consegue identificar duplicações e outros problemas. 

O farmacêutico ajuda a travar a “cascata terapêutica” ao alertar para efeitos secundários mascarados de novas patologias. Esta intervenção colaborativa é fundamental para simplificar regimes posológicos e facilitar processos de desprescrição, garantindo que o doente toma apenas o estritamente necessário com a máxima segurança. 

Por fim, através do histórico do cliente na farmácia é possível ao farmacêutico identificar problemas com a toma, antecipando efeitos graves para os pacientes.

Que alternativas existem para prevenir a polimedicação?

A melhor forma de prevenir a polimedicação é através de hábitos de vida e terapias alternativas. Isto permite, sem colocar em risco a toma de medicação para problemas crónicos, reduzir doses ou substituir alguma da medicação. Por exemplo, os exercícios físicos para idosos são uma excelente estratégia para evitar insónias e ansiedade, podendo substituir a toma de benzodiazepinas. 

O recurso a terapias holísticas, como acupuntura ou ioga, também contribui para a melhoria da saúde física e psicológica, permitindo baixar doses ou eliminar medicação. Outra boa estratégia é uma alimentação saudável, reforçada com superalimentos que ajudam a controlar problemas de tensão e outras condições médicas. Os seus efeitos são visíveis, por exemplo, nos ganhos de saúde obtidos com uma boa alimentação para diabéticos.

A promoção da literacia em saúde é também fundamental. Compreender a finalidade de cada fármaco aumenta o sentido crítico e permite questionar a necessidade de novas prescrições e identificar efeitos secundários. 

Esta postura ativa, complementada por revisões terapêuticas regulares e reconciliação, garante que a intervenção farmacológica é vista como um último recurso ou um complemento, e não como a única resposta para o bem-estar e a longevidade.

 

O que pode ser feito pelos doentes e cuidadores para prevenir polimedicação?

Para prevenir a polimedicação, os doentes e cuidadores devem começar por manter uma lista atualizada de tudo o que é administrado, com indicação de dosagens e horários. Doentes e cuidadores devem conhecer a finalidade de cada fármaco e partilhar esta lista rigorosa em todas as consultas, urgências e idas à farmácia, o que previne a duplicação de receitas e a perigosa “cascata prescritiva”.

A implementação de rotinas e estratégias no quotidiano também é importante, especialmente para a toma correta da medicação por idosos que confundem mais facilmente horários e comprimidos. Uma presença próxima, a cargo de familiares e do apoio domiciliário, com o uso de caixas de organização e alarmes para os momentos de medicação, são passos simples que garantem o seguimento das indicações médicas.

Estes cuidadores familiares e profissionais também têm o papel de impulsionar mudanças no estilo de vida que ajudem a reduzir a necessidade de medicamentos. Incentivar as atividades para idosos, implementar dietas saudáveis, fazer estimulação cognitiva e garantir o bom suporte psicológico são contributos essenciais para um envelhecimento mais saudável e menos dependente de fármacos. 

Além disso, o recurso a cuidados de saúde no domicílio, como parte do apoio domiciliário, garante um acompanhamento médico especializado, a cargo de enfermeiros e outros profissionais. Isto é fulcral para monitorizar de forma constante a quantidade, doses e efeitos da medicação. 

Esta abordagem holística, potenciada pelos cuidados de familiares e do apoio em casa, é um dos trunfos para reduzir a dependência de fármacos. Existem sempre medicamentos que não podem nunca ser eliminados, como para o controlo de doenças crónicas. Mas, através de uma boa saúde física e mental, é possível trocar princípios ativos de fármacos por uma rotina diária mais ativa, saudável e enriquecedora, que reduz os riscos e consequências da polimedicação.

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