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Publicado em 20 Jan, 2026

Desidratação: Saiba identificar este perigo invisível e como o prevenir

Saiba como identificar sintomas de desidratação e como agir para repor os níveis de hidratação no corpo humano. Encontre aqui dicas, resposta a mitos, erros a não cometer e conselhos sobre a forma correta de combater a desidratação. Encontre ainda dicas e respostas específicas para o problema da desidratação nos idosos.

A desidratação é muito mais que a sensação de sede. Existem vários mitos (que aqui desmistificamos) em redor da forma correta de nos hidratarmos, mas uma coisa é certa. A água é vida, e a sua falta tem várias consequências no corpo humano.

Uma boa notícia é que existem vários sinais de desidratação que podem ser identificados. E, após os reconhecer, também vai ficar a saber o que fazer (e os erros que nunca deve cometer) para repor as doses corretas de água no organismo. 

Saiba como estar atento aos sinais de défices de água no organismo, como corrigir esses desequilíbrios e veja ainda muitas dicas para uma rotina que ajuda a manter os níveis de hidratação corretos. Tudo o que é essencial saber relativamente à desidratação espera por si neste artigo.

 

 

O que é a desidratação?

A desidratação é a carência de água num organismo. Este é um problema extremamente grave para qualquer pessoa, já que 70% do corpo humano é composto por água. A origem da desidratação é um desequilíbrio entre a perda e a reposição de líquidos no corpo. Ou seja, eliminar mais água do que é ingerida.

A desidratação é um problema grave e que pode ter consequências nefastas para o organismo, tanto por défices agudos e num curto espaço de tempo como em casos de consumo insuficiente de água em prazos prolongados. Em qualquer dos casos existem vários sintomas de desidratação, que requerem intervenção médica específica para repor o equilíbrio do organismo.

Níveis de desidratação

A desidratação é normalmente definida em três patamares, de acordo com a severidade do problema:

 

Desidratação Défice de Líquidos
Ligeira / Leve 1-2% do peso corporal
Moderada 3-5% do peso corporal
Grave +6% do peso corporal

 

Casos de desidratação leve  podem ser resolvidos com a reposição progressiva do nível de líquidos no sangue. Para situações moderadas este deve ser também a primeira abordagem, mas com uma monitorização para avaliar os efeitos. 

Se não se registam melhorias ou a situação piora, e em casos de desidratação grave, deve-se procurar auxílio médico urgente para, com tratamentos intravenosos ou de outra ordem, reverter este quadro clínico grave.

Quais as principais causas de desidratação?

As causas de desidratação podem ter origem em problemas de saúde e doenças crónicas, maus hábitos e rotinas, falta de prevenção ou cuidados na realização de atividades diversas, impreparação para mudanças climatéricas / variações de temperatura e outros motivos. As principais causas de desidratação são as seguintes:

  • Ingestão insuficiente de água e falta de hábitos de hidratação nas rotinas diárias;
  • Diarreia e vómitos (perda rápida de líquidos e eletrólitos);
  • Exposição prolongada a temperaturas elevadas e/ou níveis de humidade reduzidos;
  • Realização de atividades físicas ou trabalhos intensos sem repor a hidratação;
  • Febre (aumento da transpiração e perda de água);
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou com cafeína;
  • Toma de medicamentos diuréticos, laxantes ou anti-hipertensores;
  • Má alimentação (ausência de frutas e outros alimentos com elevado teor de água);
  • Infeções urinárias ou renais;
  • Climatização com temperaturas muito altas ou com ar muito seco (por exemplo, em aviões);
  • Diabetes não controlada (excesso de urina devido a níveis elevados de açúcar no sangue);
  • Gravidez ou amamentação;
  • Doenças renais crónicas;
  • Ciclos menstruais mais prolongados ou intensos;
  • Ambientes de altitude elevada;
  • Queimaduras graves (perda de líquidos através da pele danificada).

 

A desidratação é um problema grave?

Sim, a desidratação é um problema bastante grave e que pode mesmo causar a morte quando não é tratada atempadamente. Este é um aviso visto muitas vezes, por exemplo, nos programas de TV sobre técnicas de sobrevivência, onde se explica que o ser humano pode passar até 5 dias sem alimentação mas não pode passar mais de 3 dias sem ingerir líquidos antes do corpo começar a sentir consequências graves.

Além disso, é preciso ter noção de que a desidratação causa problemas médicos imediatos, em situações de perda severa e acelerada de líquidos, e tem consequências a longo prazo no organismo quando existe uma falta frequente e contínua de líquidos. 

Uma desidratação súbita causada por diarreia intensa, vómitos persistentes ou exposição extrema ao calor pode tornar-se perigosa em poucas horas, especialmente em bebés, crianças pequenas e idosos. 

A desidratação crónica (quando a pessoa bebe consistentemente menos água do que o necessário) desenvolve-se de forma mais lenta. Mas, a longo prazo, ela afeta a função renal, a capacidade de concentração, o sistema cardiovascular e aumenta o risco de pedras nos rins, infeções urinárias e outros problemas de saúde.

A desidratação é uma doença?

A desidratação não é uma doença, já que as doenças são causadas por vírus, bactérias, fungos ou outros agentes patogénicos, resultam de disfunções nos órgãos e sistemas do corpo, decorrem de malformações congénitas, ou surgem devido a processos degenerativos como o cancro ou doenças autoimunes. A desidratação é, na verdade, um sintoma ou uma condição que resulta de um desequilíbrio entre a quantidade de líquidos que o corpo perde e a quantidade que recebe.

No entanto, a desidratação é um sinal de alerta que indica que o corpo não está a funcionar em condições ideais. E, se essa situação não for corrigida, pode levar ao desenvolvimento de doenças e complicações graves ou agravar condições de saúde preexistentes. Por isso, deve ser sempre levada a sério e tratada adequadamente.

 

Quais os principais sintomas de desidratação?

Os principais sintomas de desidratação dependem da severidade da condição de falta de líquidos no organismo (Leve, Moderada ou Grave) e são os seguintes:

 

Gravidade Sintomas
Desidratação Leve •Sede moderada

•Boca e lábios secos

•Urina escura e com cheiro intenso (amarela escuro)

•Menor frequência urinária

•Ligeira fadiga ou cansaço

•Redução na produção de suor

•Dor de cabeça ligeira

Desidratação Moderada •Sede intensa

•Boca muito seca

•Urina escassa e muito escura (cor laranja)

•Tonturas ou vertigens

•Dor de cabeça intensa

•Pele seca e menos elástica

•Olhos encovados

•Fraqueza muscular / câimbras

•Perda de Peso

•Obstipação

Desidratação Grave •Ausência de sede (sinal de alerta)

•Pouca ou nenhuma urina (cor âmbar escuro ou ausente)

•Confusão mental, desorientação ou delírios

•Irritabilidade excessiva

•Batimento cardíaco acelerado

•Respiração acelerada

•Pressão arterial baixa

•Pele muito seca, fria e pálida

•Fraqueza nos pulsos

•Convulsões

•Falência de órgãos

•Desmaio ou perda de consciência

 

Além destes sintomas existem ainda outros específicos de acordo com a faixa etária. Por exemplo, nos bebés o choro sem lágrimas, sonolência excessiva, fraldas secas de forma consecutiva e ter a moleirinha (topo posterior do crânio) mais mole que o habitual são indícios de possíveis problemas de desidratação.

Como confirmar desidratação?

As três principais formas de confirmar quadros de desidratação são as seguintes:

  • Urina: Quantidades mais reduzidas, cor mais escura (amarelo escuro, laranja ou âmbar) e cheiros mais intensos normalmente indicam uma falta de líquidos no organismo;
  • Saliva e mucosas: Ter a boca e lábios ressequidos ou saliva mais espessa são sinais da necessidade de aumentar a ingestão de líquidos;
  • Pele: Quando, ao beliscar a pele, ela demora a voltar ao normal e fica “como uma prega”, está na presença de um sinal claro de desidratação. A pele seca, escamada ou menos elástica também pode indicar falta de líquidos no organismo.

 

Na presença destes sinais e de outros sintomas, como tonturas, olhos encovados, câimbras ou perda de peso, os problemas de falta de água no organismo podem ser confirmados nos seguintes exames médicos:

  • Exame de Urina: Mede a “densidade” (urina muito concentrada);
  • Exame de Sangue: Verifica os níveis de eletrólitos (sódio e potássio) e a função renal (ureia e creatinina), que costumam subir quando o corpo está desidratado;
  • Hemograma: O hematócrito pode aparecer elevado devido à redução do volume de plasma no sangue.

 

Quais os efeitos da desidratação no corpo humano?

Os efeitos da desidratação no corpo humano podem ser agudos ou progressivos, fazendo-se sentir no aspeto físico, capacidade mental e metabolismo interno. No primeiro quadro os efeitos ocorrem de forma acelerada e num curto espaço de tempo, o que origina normalmente quadros de emergência médica. Na desidratação prolongada os efeitos acumulam-se nos órgãos (pele, rins, sistema digestivo) e podem originar diversas doenças.

Efeitos da desidratação aguda

Veja no quadro seguinte como se desenvolvem, em poucas horas, os quadros de desidratação aguda.

 

Tempo Órgãos Afetados O que Acontece
Primeiras horas Sistema Cardiovascular Volume de sangue diminui, o coração bate mais rápido e a pressão arterial começa a cair
Sistema Renal e Urinário Rins reduzem produção de urina para conservar líquidos e as toxinas começam a acumular-se no sangue
4-8 Horas Sistema Nervoso Tonturas, confusão mental e desorientação surgem como efeito da falta de água no cérebro
Pele e Tecidos A pele perde elasticidade e os olhos começam a “afundar” (ficar encovados)
8-24 horas Órgãos Vitais Começa a ocorrer a falência dos órgãos internos. A incapacidade do coração bombear sangue suficiente para dar oxigénio aos órgãos pode causar um choque hipovolémico
(situação crítica) Sistema Nervoso Central Surgem convulsões, perda de consciência e o risco de morte é muito elevado

 

Efeitos da desidratação prolongada

Veja no quadro seguinte como se desenvolvem, no quadro clínico geral, os quadros de desidratação a longo prazo.

 

Tempo Órgãos Afetados O que Acontece
Semanas Metabolismo Geral Todas as reações químicas desaceleram (água é meio de transporte essencial)
Sistema Digestivo Digestão menos eficaz e incapacidade de absorver nutrientes. Maior probabilidade de obstipação.
Meses Rins Esforço excessivo pode levar a desgaste acelerado, formação de cálculos e outros problemas renais
Sistema Excretor Acumulação progressiva de toxinas, risco de infeções e sistema imunitário enfraquecido
Pele e Anexos Menor capacidade de regeneração e elasticidade da pele por falta de hidratação do colagénio, cabelo quebradiço 
Anos Sistema Musculoesquelético Rigidez e desconforto por falta de lubrificação das articulações
Sistema Nervoso Fadiga mental constante e falta de concentração e défice de memória a curto prazo
Envelhecimento Celular Maior vulnerabilidade a doenças por envelhecimento acelerado

 

Desidratação no Verão e no Inverno – Quais as diferenças?

A desidratação é um problema normalmente associado ao Verão, pelo calor, mas ele é igualmente grave durante os meses mais frios onde a sensação de sede é menor. Além disso, se nas altas temperaturas o suor é um alerta para a desidratação, durante o Inverno o corpo continua a perder água através da pele, mesmo que isso não se sinta.

Como tal, os sintomas nas duas estações também são distintos. Nos meses quentes a sede e exaustão ajudam a perceber défices de hidratação, que no tempo frio se notam mais através de pele ou lábios secos e pela garganta irritada. E se no Verão é o sol o principal “inimigo”, durante o Inverno esse papel é assumido por sistemas de aquecimento que reduzem a humidade no ar dentro de casa.

Para evitar este problema durante todo o ano, é importante manter uma rotina de hidratação constante. Tanto nas refeições como nos intervalos entre elas é necessário beber água de forma frequente para garantir que o corpo tem o nível adequado de líquidos. 

No Inverno, em que os idosos se mantêm mais dentro de casa e recorrem aos aquecedores e radiadores, é importante alguém monitorizar a quantidade de água que ingerem. Este papel pode ser feito por familiares e também por equipas de apoio a idosos em casa, que têm um olhar atento para as principais necessidades de alimentação e hidratação das pessoas aos seus cuidados.

 

Porque é mais comum a desidratação nos idosos?

A desidratação é mais comum em idosos por um conjunto de causas associadas. A primeira causa é a menor sensação de sede com o avançar da idade, que faz com que sejam negligenciados hábitos de hidratação. A esta situação junta-se a perda de massa muscular (muitas vezes causada por sarcopenia), que reduz as reservas de água no organismo, e a diminuição da função renal. 

A esta questão juntam-se problemas com os hábitos alimentares (como consumir poucas frutas) e problemas de saúde (como diabetes), a que se junta muitas vezes os efeitos da medicação. Além disso, a redução da mobilidade e a incontinência urinária fazem com que muitos idosos não façam a ingestão de doses adequadas de líquidos.

Juntam-se ainda fatores ambientais, como as rotinas como passar muitas horas perto de aquecedores ou lareiras e em espaços com ar demasiado seco no Inverno. Junta-se ainda o uso de grandes quantidades de roupa nos meses frios, que faz aumentar a transpiração imperceptível e agrava problemas de desidratação.

A desidratação é um problema grave nos idosos?

Sim, a desidratação é um problema grave nos idosos por dois motivos. Em primeiro lugar, porque ocorre com maior frequência, com um estudo do projeto NutritionUp65 a indicar que os idosos do sexo masculino em Portugal consomem, em média, menos 51% do que as doses recomendadas de líquidos. 

Em segundo lugar porque pode ser a origem de complicações médicas e quebra da homeostase do organismo. Nas recomendações de hidratação para idosos da APN (Associação Portuguesa de Nutrição) é referido que a falta de água no organismo pode originar infeções urinárias, insuficiência renal, confusão e delírio, quedas em idosos e até um aumento da taxa de mortalidade em idosos hospitalizados.

Estudos referem também uma maior incidência de desidratação em idosos que residem em lares. Segundo estudos da Universidade de Oxford, o risco de desidratação de idosos em lares é 12 vezes superior ao daqueles que vivem em casa, apresentado vários motivos para essa situação. Uma forma de evitar este risco é manter os idosos em casa com o acompanhamento e monitorização adequadas, algo que se pode confiar com segurança aos serviços de apoio domiciliário da Caring.

Como detectar desidratação num idoso?

Os principais sinais de desidratação nos idosos são:

  • Confusão mental súbita, desorientação, sonolência excessiva, alterações de humor, dificuldade de concentração ou apatia;
  • Boca, lábios e língua muito secos ou esbranquiçados, olhos encovados;
  • Pele seca com pouca elasticidade (quando beliscada, demora a voltar ao normal);
  • Urina escura (cor laranja escuro ou âmbar), em pouca quantidade ou ausente durante 8-12 horas;
  • Tonturas ao levantar-se, quedas inexplicáveis ou aumento da frequência de quedas;
  • Fraqueza muscular, batimento cardíaco acelerado, respiração rápida ou pressão arterial baixa;
  • Ausência de sede (mesmo estando desidratados);
  • Infeções urinárias de repetição, obstipação persistente ou agravamento súbito de doenças crónicas.

 

Como prevenir a desidratação nos idosos?

Para prevenir a desidratação em idosos deve-se agir antecipadamente, de modo preventivo. Isso passa por oferecer líquidos para ingerir ou alimentos ricos em água de forma frequente, tirando partido de momentos-chave durante o dia (alimentação, medicação, etc). Isto chama-se de aumentar o aporte hídrico dos idosos. Além disso, deve-se manter uma rotina de alimentação saudável, sem saltar refeições, aproveitando o pequeno-almoço ou o lanche como oportunidades de ouro para reforçar a hidratação.

Além dos hábitos quotidianos, é preciso uma avaliação continuada na área da saúde. Desde logo monitorizando a frequência e aspeto da urina, bem como estar atento a problemas de obstipação e sintomas físicos ou mentais de desidratação. A isto juntam-se análises ao sangue e urina com maior frequência, verificar potenciais efeitos de medicação e fazer exames médicos para despiste de problemas de saúde (como renais) associados à desidratação sempre que o idoso apresenta sintomas de níveis insuficientes de água no organismo.

Como garantir a hidratação correta de idosos

Para garantir a hidratação correta de idosos siga estas dicas:

  • Varie a oferta de líquidos: Quebre a monotonia e, além da água, inclua o leite sumos de fruta, chás ou gelatinas como fontes de hidratação;
  • Integre alimentos ricos em água na dieta: As sopas, as frutas frescas e os vegetais (como pepinos, tomates, alface, curgete, espinafres, couve-flor) têm um alto teor de água e são extremamente nutritivos, o que aporta uma dupla vantagem;
  • Opte por bebidas a temperaturas mais altas: Muitos idosos são resistentes à água fria mas aceitam mais facilmente outras bebidas aquecidas ou à temperatura ambiente;
  • Prefira a frequência à quantidade: Em vez de oferecer um grande copo cheio, prefira dar água em menores quantidades mas em intervalos mais curtos;
  • Seja “chato” com este tema: Ofereça frequentemente e pergunte se o idoso se hidratou. A ingestão de líquidos deve ser uma preocupação diária;
  • Aproveite as refeições: Os almoços, jantares, lanches e pequenos-almoços são momentos estratégicos para aumentar a hidratação dos idosos, já que existe maior propensão ao consumo de líquidos nestes momentos; 
  • Estabeleça rotinas: Inclua na rotina a toma de um copo de água a meio da manhã, a meio da tarde ou antes de deitar, para reforçar a hidratação;
  • Combata resistências: Procure perceber se problemas como diarreias e incontinências, ou o medo de se levantar durante a noite, podem levar o idoso a beber menos água. Nessas situações tenha uma abordagem pedagógica, tente descomplicar essas questões e reforce a importância de continuar a manter uma boa hidratação;
  • Ofereça um “presente”: Para muitos idosos ter uma garrafa personalizada sempre consigo é uma forma de os recordar na necessidade de beber água e incentivar o consumo. Esta estratégia pode ajudar a alcançar o objetivo;
  • Esteja disponível: A perda de autonomia ou o cansaço podem levar os idosos a evitar as deslocações para ir ingerir líquidos. Esteja disponível para os ajudar nessas viagens ou esteja disponível para lhes levar a água.

 

Mitos e Verdades Sobre Desidratação

Veja neste quadro os principais mitos em torno da questão da desidratação e saiba quais as verdades relativamente a esses temas.

 

Mitos Verdades
Devemos beber 8 copos de água por dia. Sim, esta é a regra geral, mas as necessidades de hidratação variam muito consoante o peso, idade, nível de atividade física, clima e estado de saúde.
Só o sol e o exercício é que causam desidratação A desidratação pode ocorrer em qualquer situação. Inclusive dentro de casa e ainda mais com ar seco. Aliás, no simples ato de respirar estamos a expelir água que precisa de ser reposta.
Só preciso de beber água quando está calor Desidratamos tanto no Verão como no Inverno. Os hábitos de beber líquidos são importantes e devem ser mantidos todo o ano.
Uma pessoa desidratada tem sede. A sede é um indicador tardio de desidratação – quando a sentimos, o corpo já perdeu cerca de 1-2% dos seus líquidos. Isto é ainda mais importante nos idosos.
O café e o chá desidratam. A cafeína tem um leve efeito diurético, mas estudos mostram que o consumo moderado de café e chá (2-3 chávenas por dia) contribui para a hidratação total.
Posso beber toda a água que preciso para o dia de uma vez só. O corpo só consegue absorver cerca de 200-300ml de água de cada vez. Beber grandes quantidades leva à eliminação rápida do excesso, sem benefício real.
Cerveja e vinho hidratam porque têm água As bebidas alcoólicas têm um forte efeito diurético que supera o conteúdo de água que contêm. O álcool inibe a hormona antidiurética, fazendo-nos eliminar mais líquidos do que ingerimos.
A desidratação só é perigosa em casos extremos A falta de água no organismo de forma frequente e continuada causa graves problemas de saúde. É importante combater a desidratação leve, até porque é mais frequente e pode prolongar-se.
Bebidas isotónicas hidratam mais que a água As bebidas isotónicas são úteis após exercício intenso (mais de 1 hora) ou na desidratação com perda de eletrólitos (diarreia, vómitos). Para hidratação do dia a dia, água simples é mais adequada, económica e evita excesso de açúcar e sódio.
Comer fruta não ajuda na hidratação 20% da nossa hidratação diária vem dos alimentos e o consumo de frutas (como melancia, melão, morangos, laranjas) e vegetais (como pepino, alface e tomate) contribuem significativamente.

 

Quais as consequências da desidratação?

As principais consequências da desidratação são as seguintes:

  • Infeções Urinárias: A falta de líquidos impede a expulsão de bactérias do sistema urinário;
  • Insuficiência Renal Aguda: Os rins deixam de filtrar toxinas devido ao baixo volume de sangue;
  • Obstipação Crónica: O intestino absorve água das fezes, tornando a evacuação difícil e dolorosa;
  • Quedas e Fraturas: A desidratação causa tonturas e fraqueza, aumentando o risco de quedas;
  • Delirium e Confusão Mental: O desequilíbrio eletrolítico afeta o cérebro, causando desorientação e perda cognitiva;
  • Choque Hipovolémico: A queda drástica do volume sanguíneo impede o coração de bombear sangue;
  • Úlceras de Pressão (Escaras): A pele desidratada torna-se frágil, facilitando feridas em idosos imobilizados;
  • Convulsões: O desequilíbrio de sais minerais gera descargas elétricas cerebrais descontroladas.

 

Como prevenir a desidratação?

Para prevenir a desidratação deve-se implementar uma rotina diária de cuidados de hidratação, que inclua tanto a ingestão de líquidos como de alimentos com alto teor de água. Geralmente, a divisão aconselhada é de 80% das necessidades de hidratação com líquidos e os restantes 20% com alimentos sólidos. Na alimentação diária, deve-se evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas ou de cafeína, que podem agravar a desidratação.

Além da rotina diária, é preciso antecipar o aumento das necessidades de ingestão de água. Isto acontece antes de exercícios físicos ou de atividades intensas e também quando são anunciadas ondas de calor. Nesta questão entra também a reposição de líquidos depois de problemas de saúde, como diarreias, vómitos, febre ou episódios de incontinência urinária. Deve-se também usar roupa adequada ao estado do tempo (por exemplo, roupas mais leves no Verão para evitar o excesso de suor). 

Prevenir a desidratação passa também por adaptar os cuidados à toma de medicamentos. Sempre que são administrados diuréticos, que aumentam a excreção de urina do corpo, deve-se compensar essa perda mais acentuada com o reforço da hidratação. Por fim, deve-se verificar a cor da urina, estado da pele, olhos, unhas e outros sintomas de desidratação, para repor défices de água no organismo.

Quanta água se deve beber por dia para evitar a desidratação?

A quantidade de água diária recomendada normalmente em Portugal é de 2,0 Litros para mulheres adultas e de 2,5L para homens adultos, de forma a evitar a desidratação. O que se traduz, normalmente, em valores entre 6 e 10 copos de água diariamente. Estes valores estão em linha com as recomendações da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA):

 

Grupo Etário Valores Diários Recomendados
Bebés (0-6 meses) 100-190 mL/kg por dia
Bebés (6-12 meses) 800-1000 mL/dia
Crianças (1-2 anos) 1100-1200 mL/dia
Crianças (2-3 anos) 1300 mL/dia 
Crianças (4-8 anos) 1600 mL/dia
Rapazes (9-13 anos) 2100 mL/dia
Raparigas (9-13 anos) 1900 mL/dia
Adolescentes Valores iguais aos adultos, por sexo
Homens adultos 2500 mL/dia (2,5 litros)
Mulheres adultas 2000 mL/dia (2 litros)
Idosos Valores iguais aos adultos, por sexo
Grávidas 2300 mL/dia (aumento de 300 mL)
Lactantes 2700 mL/dia (aumento de 700 mL)

 

Como corrigir problemas de desidratação?

Resolver problemas de desidratação leve e moderada passa pela reposição dos níveis de líquidos no corpo humano, normalmente através da ingestão de quantidades maiores de água e de bebidas isotónicas. Mas quando se trata de casos mais severos, os conselhos do INEM para tratar desidratação grave são os seguintes:

  1. Se a vítima estiver consciente e falar bem consigo, sente-a e dê-lhe a beber água em pequenos goles, de forma compassada, mas repetida e persistente;
  2. Em caso de vómitos e/ou diarreia, existem preparados hidratantes que poderá obter numa farmácia;
  3. Não lhe dê nada para comer, porque poderá desidratar ainda mais a vítima;
  4. Aconselhe a vítima a descansar num local abrigado do calor. Ela deverá começar a melhorar, mas se isso não acontecer procure apoio médico.

 

Quando procurar ajuda médica por desidratação?

Deve-se procurar ajuda médica quando existem sintomas graves de desidratação, como desmaios, desfalecimentos, convulsões, problemas psicológicos (desorientação, delírios), respiração e batimentos cardíacos acelerados ou uma pressão arterial muito baixa. Estes são sinais de alerta para situações graves e que, normalmente, requerem cuidados hospitalares ou de emergência para hidratação por via intravenosa. 

Também se deve procurar ajuda médica quando, em situações de desidratação moderada, os sintomas não são atenuados ou se agravam. É o caso de obstipação, urina com cor muito escura, tonturas, cefaleias (dores de cabeça), fraqueza muscular, câimbras e perda de peso. E, ainda, quando situações de diarreia ou vómito se prolongam por períodos temporais mais alargados. Estes quadros clínicos requerem uma avaliação médica para decidir entre o reforço da hidratação ou a reposição dos níveis com soro. 

Qual o tratamento para a desidratação?

O tratamento “conservador” para a desidratação é o aumento da toma de líquidos (água ou Sais de Reidratação Oral com eletrólitos), para repor os níveis. Normalmente, quando se atinge novamente a homeostase e não existem danos no sistema renal, a recuperação dos sintomas e o aumento da frequência de visitas à casa de banho para urinar indicam que a questão ficou resolvida.

Quando este tratamento não produz efeitos, ou existem casos graves de desidratação, o tratamento é feito por via intravenosa, através da administração de soro em ambiente hospitalar ou por equipas de emergência médica. Isto ajuda a repor de forma acelerada a quantidade de água na corrente sanguínea e evitar problemas mais severos. 

Para pessoas que sofrem com mais frequência de problemas relacionados com desidratação, o apoio de cuidados de saúde ao domicílio ajuda a reconhecer os sintomas e acompanhar de forma especializada a recuperação do equilíbrio dos níveis de água no organismo.

Qual a importância dos sais minerais ou eletrólitos para resolver a desidratação?

Os sais minerais (eletrólitos), como o sódio e o potássio, são fundamentais porque a água sozinha não consegue hidratar as células de forma eficiente. Os eletrólitos ajudam na retenção hídrica (manter a água no interior das células), no equilíbrio elétrico (transmissão de impulsos nervosos) e na regulação do pH do sangue e pressão arterial. É por estas vantagens que o soro hospitalar normalmente tem associado NaCl (cloreto de sódio) e KCl (cloreto de potássio) na sua composição. 

Deve-se dar comida a uma pessoa com desidratação?

Não, nunca se deve dar comida a uma pessoa que está a sofrer de desidratação moderada ou grave. Como explica o INEM e indicam os conselhos de hidratação do SNS24, dar comida sólida a uma pessoa nestas condições pode agravar ainda mais o quadro de desidratação.

Que erros não cometer ao tentar corrigir problemas de desidratação?

Para corrigir problemas de desidratação estes são os erros que tem de evitar:

  • Beber água em grande quantidade de uma só vez: Beber 1-2 litros de repente pode causar desconforto gástrico, vómitos e até hiponatremia (diluição perigosa do sódio no sangue). O correto é beber pequenas quantidades (alguns goles) a cada 10-15 minutos;
  • Apenas água em desidratação moderada a grave: Quando há perda significativa de líquidos (por diarreia, vómitos, suor excessivo), perderam-se também eletrólitos essenciais. Deve optar por soluções de reidratação oral (SRO) ou adicionar uma pitada de sal e açúcar à água;
  • Oferecer bebidas muito geladas ou muito quentes: Líquidos a temperaturas extremas podem causar choque térmico no sistema digestivo, provocar vómitos e dificultar a absorção. O ideal é água ligeiramente fresca ou à temperatura ambiente;
  • Dar bebidas açucaradas ou refrigerantes: O excesso de açúcar pode piorar a desidratação ao exigir mais água para ser processado, além de poder causar diarreia osmótica. Sumos industrializados e refrigerantes não são adequados para reidratação;
  • Oferecer bebidas com cafeína ou álcool: Café, chá preto forte, bebidas energéticas e álcool têm efeito diurético, aumentando a perda de líquidos e agravando a desidratação em vez de a corrigir;
  • Forçar uma pessoa inconsciente ou com vómitos a beber: Isto pode causar asfixia ou aspiração de líquidos para os pulmões. Estes são casos médicos que requerem soros intravenosos no hospital;
  • Parar a reidratação quando os sintomas melhoram ligeiramente: Após melhoria inicial, é essencial continuar a ingestão regular de líquidos durante 24-48 horas para repor completamente as reservas do corpo;
  • Alimentar uma pessoa em desidratação severa: O processo da digestão exige água e agrava o desequilíbrio sistémico. Opte primeiro pela ingestão de líquidos e apenas mais tarde inclua alimentos (preferencialmente com alto teor de água).

 

O que é a hidratação excessiva?

A hidratação excessiva ocorre quando a ingestão de líquidos ultrapassa a capacidade dos rins de a eliminar através da urina. Esta situação pode causar problemas pela diluição das quantidades recomendadas de sódio no sangue, existindo risco de edemas cerebrais (por inchaço intracraniano), sobrecarga cardiovascular (pelo maior volume de sangue a bombear) ou ainda câimbras e arritmias (por desequilíbrio eletrolítico).

Como acontece com a desidratação, também a hidratação excessiva (ou intoxicação por água) deve ser prevenida e evitada, para manter um bom equilíbrio do corpo.

 

Como ajudar os idosos a combater a desidratação?

Para ajudar os idosos a combater a desidratação é necessária uma presença constante, de forma a garantir bons hábitos de hidratação, identificar sintomas de défice de água no organismo e atuar em caso de necessidade de combater os efeitos e consequências da desidratação. Esta atenção pode ser feita por familiares e também pelas equipas de cuidados pessoais no domicílio.

Os cuidadores especializados conhecem as necessidades de hidratação, de alimentação,  e outras rotinas para um estilo de vida ativo e um envelhecimento saudável. Além disso, estão aptos para, com atenção constante e uma abordagem pedagógica, implementarem hábitos que contribuem para a saúde de cada pessoa. Como isso, são uma solução específica que garante múltiplos benefícios. 

Se conhece alguém que necessita de acompanhamento em casa, não hesite. Contacte a Caring e encontre soluções de cuidado domiciliário adaptadas às necessidades de quem mais ama.

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