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Publicado em 7 Nov, 2025

Respirar bem é viver melhor: pequenos gestos que fazem grande diferença

Mulher a respirar ao ar livre

Há-uma coisa que raramente comentamos, até que respiramos mal. É o simples acto de puxar ar para os pulmões e libertá-lo, sem pensar. Para muitos idosos esse gesto de respirar torna-se mais difícil o corpo muda, a elasticidade do tecido pulmonar diminui, a tosse aparece por mais pequenas causas e o ar pesado pesa dois vezes mais.

Mas não é “normal” sofrer com falta de fôlego como se nada se pudesse fazer. É possível intervir. E vale a pena começar cedo, com cuidado, com algo mais do que “esperar que passe”.

Quando falamos de saúde respiratória nos mais velhos, não estamos só a falar de prevenir algo grave. Estamos a falar de qualidade de vida, de poder levantar-se da cadeira, de subir as escadas com menos esforço, de respirar fundo ao ver o mar ou ao sentir o cheiro das flores.

Para quem cuida (filhos, familiares, cuidadores profissionais) saber que se estão a tomar passos para proteger os pulmões do idoso é um conforto que não se compra. Então, vamos a algumas ideias, algumas práticas, misturadas com reflexões e atalhos para tornar o dia-a-dia menos pesado, mais consciente e respirar com vida.

Dicas para melhorar a saúde respiratória

Primeiro, o ar à volta importa. Em casas onde as janelas raramente se abrem, onde o aquecimento se mantém todo o dia ligado ou onde o fumo ficou no passado, mas ainda paira, como aquele cheiro persistente de tabaco numa poltrona antiga, o risco respiratório sobe.

Se possível, deve abrir a janela todos os dias, ainda que só por dez minutos. Deixar entrar o fresquinho, permitir que o ar “se troque”. É simples, mas eficaz. E quando o ar de fora está muito frio ou muito poluído, ajustar o ventilador ou purificador de ar são boas alternativas.

Depois há o tabaco e aqui não se brinca. Se o idoso ou quem vive com ele ainda fuma, ou se faz parte da rotina de visitas o “um cigarro no pátio” que se arrasta para dentro, a qualidade do ar baixa muito. Mesmo o fumo residual (aquela “marca” que fica na cortina, no tecido) irrita. Sempre que possível eliminar o fumo do ambiente é um passo gigante para respirar melhor.

Movimento e alimentação

Outro pilar para respirar bem é o movimento. Pode soar banal, mas caminhar, ainda que devagar, com pausas, com apoio, fortalece o sistema respiratório tanto quanto o cardiovascular. Quando os músculos respiratórios são menos usados, a capacidade pulmonar diminui.

Já vimos idosos que evitam caminhar porque “cansa”, mas muitas vezes o que cansa não é só a idade. É o pulmão que trabalha mal porque está pouco usado. Incentivar dois ou três passeios curtos por dia, ou um de vinte minutos, pode fazer milagres. E se houver um cuidador por perto, que diga “vamos lá dar uma volta”, o efeito motiva-dupla se multiplica.

Alimentação e hidratação? Importam sim, e mais do que se pensa. Manter-se bem hidratado ajuda a manter as membranas das vias respiratórias menos secas, o que facilita a expulsão de muco e contaminantes. Água pura, infusões leves e evitar bebidas açucaradas em excesso são outras dicas para respirar melhor.

Quanto à alimentação, deve optar-se por frutas e legumes frescos, peixe ou azeite em vez de gorduras saturadas. São escolhas que reforçam o corpo inteiro e os pulmões também agradecem. Evitar ainda refeições muito pesadas antes de dormir, porque o refluxo pode agravar a respiração, sobretudo se a pessoa estiver deitada. Um simples pormenor que muda o sono.

Importância da vacinação

As vacinas são um tema que às vezes provoca hesitação, mas que merece ser destacado com clareza. A gripe, a pneumonia, (e quando aplicável) a vacina contra a Covid, tudo isto são barreiras reais à doença respiratória grave. Para um idoso os riscos de infeção, de hospitalização, são maiores. Portanto, garantir que as vacinas estão em dia é uma forma de proteção inteligente.

Um exercício que talvez passe despercebido, mas que é muito útil, é a respiração consciente. É natural respirar sem pensar, mas fazê-lo com intenção muda o jogo. Inspirar fundo (pelo nariz), segurar uns segundos, expirar lentamente (pela boca) várias vezes por dia ajuda a expandir os pulmões, a aumentar o volume de ar que entra, e a oxigenar melhor o corpo.

E uma postura correta conta muito. Mesmo sentado numa poltrona a ver televisão, se o tronco está curvado, os pulmões comprimem-se. Incentivar a pessoa a sentar-se ereta, ombros relaxados, que o cuidador coloque uma almofada atrás se necessário, ajuda. Pode parecer pouco, mas muda bastante.

Papel fundamental do cuidador

Em termos práticos de cuidar, o papel do cuidador torna-se fulcral. Observar alterações na respiração, como tosse que se prolonga, fadiga respiratória ou mudança no tom da voz, são sinais de alerta e não devem ser ignorados. Criar uma rotina que inclua abrir a janela, verificar o aquecimento (excessivo ou insuficiente), garantir que não há pó acumulado ou tapetes muito empilhados que dificultem o ar circular ou lembrar a ingestão de líquidos são gestos que fazem diferença.

Há, claro, factores que estão fora do nosso controlo, como o envelhecimento natural, doenças crónicas, poluição exterior, fumos urbanos. Mas dentro da esfera do que podemos gerir existem possibilidades que mudam o rumo e como respirar. E, quando pensamos nos mais velhos queremos mais do que fazer “o possível”. Queremos fazer o melhor.

Talvez o maior benefício de tudo isto seja menos perceptível. Um idoso que respira melhor vive com mais confiança. Brinca com o neto, sorri sem medo de uma tosse súbita, dorme melhor, levanta-se com menos peso no peito. E para as famílias, ver essa leveza devolvida é uma paz que não se compra.

Para finalizar, lembrar que cuidar da saúde respiratória dos mais idosos é cuidar de dignidade. É afirmar que a idade não é sinónimo de decrepitude, mas sim de cuidado, de atenção, de amor aplicado. Quando alguém inspira profundamente, não está só a puxar ar. Está a puxar vida. E se pudermos ajudar, com rotina, atenção, ambiente adequadamente preparado, então estamos a devolver-lhe essa vida.

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