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Publicado em 3 Fev, 2026

Musicoterapia: Descubra como funciona uma das terapias mais completas para corpo e mente

Saiba o que é a musicoterapia e como ela atua sobre o cérebro. Veja porque esta é uma das terapias mais completas que existem, quem deve recorrer à musicoterapia e os seus benefícios. Veja ainda como decorrem as sessões, que instrumentos são usados e quais os preços das sessões de musicoterapia em Portugal.

A musicoterapia é uma das ferramentas terapêuticas mais poderosas e completas que existem, graças à forma como atua no corpo, mente e emoções. Através de uma abordagem holística, ela é valiosa para todas as idades. Mas os seus benefícios são ainda mais reconhecidos nos idosos, crianças com necessidades especiais e pacientes em reabilitação ou com outros quadros clínicos específicos.

A música tem a capacidade única de ativar praticamente todas as regiões do cérebro ao mesmo tempo. Por esse motivo, ela tem benefícios que vão desde a recuperação motora após um AVC até ao alívio de dores crónicas e ao desenvolvimento de capacidades de comunicação e socialização.

O que torna a musicoterapia ainda mais notável é a sua acessibilidade e versatilidade. Não é preciso saber tocar instrumentos ou ter conhecimentos musicais. Por esse motivo, esta é uma terapia de que todos podemos beneficiar. 

 

 

O que é a musicoterapia?

A musicoterapia é um procedimento clínico no qual a música e os seus elementos são utilizados como ferramentas terapêuticas. A definição da musicoterapia, por parte da Federação Internacional de Musicoterapia, indica que: 

“A musicoterapia é a utilização profissional da música e dos seus elementos como intervenção em contextos médicos, educativos e quotidianos com indivíduos, grupos, famílias ou comunidades que procuram otimizar a sua qualidade de vida e melhorar a sua saúde e bem-estar físico, social, comunicacional, emocional, intelectual e espiritual. A investigação, a prática, a educação e a formação clínica em musicoterapia baseiam-se em padrões profissionais de acordo com os contextos culturais, sociais e políticos.” (WFMT, 2011)

A musicoterapia tem diversos objetivos, que incluem o desenvolvimento de novas capacidades ou recuperação de outras que tenham sido perdidas ou estejam diminuídas no paciente. Além deste carácter associado à cura, ela também ajuda a prevenir distúrbios ou quebras cognitivas, melhora as capacidades de socialização e promove o bem estar geral. Desta forma, este método terapêutico visa melhorar a qualidade de vida e, nas populações seniores, contribuir para o envelhecimento saudável.

A musicoterapia é um tratamento reconhecido em Portugal?

A musicoterapia não integra o grupo de terapias de saúde (como a terapia da fala ou a terapia ocupacional) onde se posiciona, nem está associada às terapias não convencionais reconhecidas legalmente em Portugal pela DGS e pela Lei 71/2013. No entanto, como ocorre em muitas terapias holísticas com benefícios comprovados, existe Formação Superior em Musicoterapia, ministrada em várias Universidades, especialmente em mestrados.

Além deste reconhecimento académico, a Associação Portuguesa de Musicoterapia exige vários requisitos para a certificação dos especialistas nesta área. Para ter um musicoterapeuta certificado pela APMT é necessário um curso superior na área com um conjunto de disciplinas que combine a Musicoterapia (50% dos créditos curriculares), Música (25%) e Ciências de Saúde, Educação e do Comportamento (25%). 

Como tal, existe um reconhecimento científico e profissional, mas não está regulamentada juridicamente como profissão na área da saúde.

A musicoterapia é uma medicina alternativa ou complementar?

A musicoterapia integra as terapias complementares, como parte de uma abordagem holística em que se complementam várias abordagens que potenciam a eficácia dos tratamentos clínicos tradicionais e farmacológicas. Ela é usada, por exemplo, como forma de reforçar os benefícios do acompanhamento por psicólogos em diversos distúrbios mentais ou como complemento aos tratamentos médicos e medicação para doentes com dores crónicas.

O musicoterapeuta trabalha frequentemente em articulação com médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais, integrando um plano de cuidados conjunto que trata o paciente como um todo. Ele também pode associar-se às equipas de apoio domiciliário, fornecendo sugestões que melhoram a qualidade de vida de pessoas acamadas, com demências, em reabilitação e outras situações.

Que formação um musicoterapeuta precisa ter?

Um musicoterapeuta deve ter formação superior nesta área, normalmente ministrada em Mestrados. Para ser reconhecido pela Associação Portuguesa de Musicoterapia é preciso cumprir cinco critérios:

  • Formação Profissional: Curso Superior com duração mínima de 2 anos, ministrada por um musicoterapeuta certificado e que inclua estágio profissional;
  • Supervisão Clínica: Cumprir 40h de supervisão individual ou 60h de supervisão inserida em grupo;
  • Experiência de Trabalho: Ter realizado um mínimo de 200h de trabalho profissional no espaço de um ano e cumprindo requisitos específicos;
  • Processo Terapêutico Formalizado: Ter efetuado 80h de processo terapêutico, na qualidade de utente e num contexto de prestação de serviços;
  • Formação Complementar: Participação em disciplinas das área de Música e de Ciências Sociais e da Saúde.

 

Para quem deseje apenas obter conhecimentos em musicoterapia, mas sem certificação profissional para exercer a profissão, existem vários cursos de formação profissional nesta área.

Que género de músicas se ouvem nas sessões de musicoterapia?

Os géneros musicais que geralmente se escutam nas sessões de musicoterapia são diversificados e selecionados com objetivos bem definidos. Além disso, a seleção tem em consideração a identidade sonora (ISO Musical) do paciente, procurando eleger géneros que vão de encontro às suas preferências e aumentam a adesão à terapêutica. 

Entre os tipos de músicas mais utilizados na Musicoterapia encontram-se:

 

Género Musical Benefícios
Música clássica Frequentemente usada para relaxamento e redução de ansiedade. Ajuda a diminuir a frequência cardíaca e promover calma.
Músicas de época

(da infância ou juventude do paciente)

Especialmente importante em idosos e pessoas com demência. Estimula memórias afetivas, melhora o humor e facilita a comunicação. 
Música ambiente

New Age

Chill Out

Utilizada em sessões de relaxamento profundo, meditação guiada e controlo da dor. Sons da natureza combinados com melodias suaves criam um ambiente terapêutico.
Músicas folclóricas e tradicionais Conecta o paciente à sua identidade cultural. Em Portugal, fados, música tradicional portuguesa e canções regionais são valiosas para estimular conversas e memórias.
Jazz e blues Usados para estimulação cognitiva e expressão emocional. O improviso pode incentivar a criatividade e a espontaneidade.
Músicas infantis Ideais para crianças, pessoas com autismo ou dificuldades cognitivas severas. Estruturas repetitivas facilitam a aprendizagem e potenciam a participação.
Sons rítmicos e

frequências de relaxamento

Utilizados em técnicas mais especializadas para alteração de estados de consciência, redução de stress ou melhoria do sono.
Música criada na sessão Improvisações musicais criadas pelo terapeuta e paciente em tempo real. Promove expressão emocional autêntica e comunicação não-verbal.

 

Ouvir música é uma forma de fazer musicoterapia?

Não, ouvir música não é o mesmo que fazer musicoterapia e essa é uma ideia redutora sobre o potencial deste método terapêutico. Obviamente que para se fazer musicoterapia é preciso ouvir música, mas a seleção dos géneros, do volume e da frequência são definidos pelo terapeuta que coordena a sessão visando objetivos específicos, seja a nível cognitivo, emocional ou em outros níveis.

Ouvir música é uma forma de lazer, que proporciona relaxamento, felicidade e outras sensações positivas. Mas isso é totalmente distinto de uma abordagem clínica e especializada aos benefícios da música, como ocorre nas sessões de musicoterapia.

Que pessoas devem ter sessões de musicoterapia?

Todas as pessoas, independentemente da sua idade, podem fazer sessões de musicoterapia direcionadas a diferentes necessidades específicas. Seja para questões de ansiedade, depressão, problemas de interação social, défices cognitivos ou outras situações, a musicoterapia é uma ferramenta terapêutica poderosa e com benefícios reconhecidos. 

No entanto, existem determinados grupos de pacientes a quem a musicoterapia é ministrada de forma mais frequente, pelos benefícios médicos reconhecidos. Estes grupos incluem:

 

Pacientes Benefícios Evidências
Alzheimer e outras Demências A música resgata memórias, reduz a agitação e melhora a orientação e o humor A Associação Alzheimer Portugal reconhece vários benefícios da musicoterapia para pessoas com demências
Doença de Parkinson O ritmo (estímulo auditivo externo) funciona como um “metrónomo” para o cérebro, ajudando a superar o bloqueio da marcha, a melhorar a fluidez do movimento e a reduzir os tremores através da estabilização rítmica. Uma investigação da Universidade do Colorado concluiu que diversas práticas de musicoterapia oferecem melhorias de 15% a 20% nos nos parâmetros da marcha, na função da fala e no bem estar psicossocial
Em recuperação de AVC (Acidente Vascular Cerebral) A musicoterapia é fundamental na reabilitação da fala (através do canto, que utiliza áreas do cérebro diferentes da fala comum) e na recuperação de movimentos motores finos e grossos, estimulando a neuroplasticidade nas áreas afetadas Um estudo sobre Contributos da música na reabilitação da pessoa após AVC demonstra que existem melhorias a diversos níveis, nomeadamente na marcha, força,  equilíbrio,  habilidades  motoras,  humor  e  comunicação
Autistas A musicoterapia facilita a comunicação não-verbal e ajuda na regulação emocional e na interação social O principal estudo do impacto da musicoterapia em crianças autistas demonstrou, através de exames de imagem cerebral, que a musicoterapia melhora a comunicação social e fortalece as redes neuronais que ligam a audição ao movimento, áreas cruciais para o desenvolvimento da empatia e da interação.
Transtornos de Saúde Mental Em casos de depressão, ansiedade severa ou stress pós-traumático, a música permite expressar sentimentos difíceis de verbalizar O principal estudo sobre benefícios da musicoterapia para pessoas em depressão mostra que mais de 80% dos doentes sentiram efeitos positivos, que esta terapêutica não tem efeitos adversos e que a taxa de abandono dos tratamentos é muito reduzida 
Dor Crónica A musicoterapia atua como analgésico complementar, ajudando o paciente a reinterpretar a sensação de dor e a reduzindo a dependência exclusiva de fármacos  Através de técnicas de relaxamento e distração cognitiva, a terapia da música ajuda a baixar os níveis de cortisol (stress) e a aumentar a libertação de endorfina
Deficiência Intelectual ou Motora Ajuda no desenvolvimento de competências cognitivas e na estimulação sensorial, promovendo uma maior autonomia Michael Thault, criador da Musicoterapia Neurológica, demonstra neste estudo sobre o papel da música na neuroreabilitação que existem ganhos ao nível da neuroplasticidade com esta terapêutica
Bebés Ajuda na regulação do sono, alívio de tensões, fortalecimento do vínculo afetivo e estimulação sensorial Um estudo da PERCEPTA – Revista de Cognição Musical, revela efeitos positivos da musicoterapia no desenvolvimento neurocomportamental, cerebral, motor e cognitivo, além de respostas emocionais e analgésicas dos bebés.

 

A musicoterapia é indicada para pessoas idosas?

Sim, a musicoterapia é indicada para a terceira idade e insere-se nas atividades para idosos que oferecem benefícios a vários níveis. Esta terapia estimula a memória, trabalha a motricidade fina, combate o isolamento e a depressão, ajuda na interação social, melhora o sono e atua na regulação do humor e da ansiedade.

Além destes benefícios e estímulos cognitivos para idosos, a terapia através da música é ainda relevante para minimizar o impacto de doenças e problemas mais presentes na terceira idade. Ela ajuda, por exemplo, a mitigar os efeitos do Alzheimer e outras demências, Parkinson, depressão, ansiedade e outros problemas de saúde. 

Mas a musicoterapia ajuda os idosos, e pessoas de todas as idades, das mais diversas formas. E, como tal, é importante conhecer detalhadamente todos os benefícios da musicoterapia.

 

Quais os benefícios da musicoterapia?

A musicoterapia oferece benefícios que abrangem praticamente todas as áreas da saúde física, mental e emocional. Por exemplo, enquanto trabalha sobre a coordenação motora através dos movimentos para fazer música, está também a apelar à concentração, à criatividade, à expressão de sentimentos num ambiente de relaxamento e bem estar. Como tal, esta terapia atua de forma holística no organismo.

O que torna a musicoterapia única é a sua capacidade de trabalhar simultaneamente o corpo, a mente e as emoções através de uma experiência que é simultaneamente terapêutica e prazerosa. Enquanto outras terapias se focam apenas numa área ou num benefício específico, a música ativa múltiplas regiões cerebrais ao mesmo tempo, maximizando os resultados.

Os principais benefícios comprovados da musicoterapia incluem:

  • Aumenta a atenção e concentração: Treina o foco ao exigir o acompanhamento de ritmos e melodias;
  • Melhora o humor e oferece sensações de bem-estar e relaxamento: Liberta endorfinas e dopamina, os químicos naturais da felicidade;
  • Estimula a coordenação motora e os movimentos: O ritmo serve de guia para sincronizar movimentos e melhorar a marcha;
  • Funciona como analgésico contra dores crónicas: Distrai o cérebro do estímulo da dor e reduz a tensão muscular;
  • Potencia a capacidade auditiva: Treina o ouvido para distinguir frequências, timbres e intensidades;
  • Melhora a memória: Ativa recordações ligadas a canções e ajuda na retenção de nova informação;
  • Reduz a ansiedade, o stress e a tensão: Abranda o ritmo cardíaco e reduz os níveis de cortisol (a hormona do stress);
  • Ajuda a reduzir sintomas de depressão: Estimula a vitalidade e oferece novos canais de prazer e motivação;
  • Oferece estímulos cognitivos para diversas áreas do cérebro: Ativa múltiplas áreas cerebrais em simultâneo (associadas à linguagem, lógica e emoção);
  • Combate o isolamento e reduz o isolamento social: Cria pontes de ligação e partilha com o terapeuta ou com o grupo;
  • Melhora a fala e capacidades de comunicação (verbal e não verbal) e socialização: Usa o canto e o ritmo para facilitar a articulação e a expressão de ideias;
  • Promove a capacidade de expressar sentimentos: Oferece uma via segura para libertar emoções difíceis de verbalizar;
  • Ajuda a regular sensações e reduz comportamentos agressivos ou impulsivos: Ajuda no autocontrolo emocional através da estrutura rítmica;
  • Aumenta a autoestima e sentimento de realização: Proporciona o domínio de uma nova competência e o sentimento de eficácia;
  • Melhora a qualidade do sono: Prepara o corpo e a mente para o descanso profundo e regular;
  • Estimula a Neuroplasticidade: Ajuda o cérebro a criar novas ligações para compensar áreas lesionadas por doenças como AVC.

 

Como a musicoterapia atua no cérebro das pessoas?

A musicoterapia atua em praticamente todas as áreas do cérebro das pessoas, contribuindo para maior neuroplasticidade, libertação de neurotransmissores, melhorando a sincronização entre as várias partes deste órgão e reduzindo hormonas nocivas como o cortisol. Além disso, a musicoterapia consegue, ao contrário de muitas outras atividades, ativar os dois hemisférios do cérebro. Esta capacidade, designada de ativação bilateral, comprova os vários benefícios desta terapia.

Veja neste quadro de que forma a musicoterapia ativa as várias partes do cérebro:

 

Área Cerebral Função Ativada Efeito Terapêutico
Córtex auditivo Processamento dos sons e melodias Melhora a capacidade de distinção sonora e atenção auditiva
Hipocampo Armazenamento e recuperação de memórias Estimula memórias antigas, especialmente em pessoas com Alzheimer. A música funciona como “chave” para recordações
Amígdala Processamento de emoções Regula respostas emocionais, reduz ansiedade e pode melhorar o humor
Córtex motor Controlo do movimento Sincronização com ritmos ajuda na reabilitação motora e coordenação (útil em AVC e Parkinson)
Córtex pré-frontal Planeamento, tomada de decisões, atenção Melhora funções executivas e capacidade de concentração
Cerebelo Coordenação e equilíbrio Aprimora o timing motor e a fluidez dos movimentos físicos
Sistema límbico Regulação emocional e bem-estar Aumenta produção de dopamina (prazer) e reduz cortisol (stress)
Núcleo accumbens Sistema de recompensa Libertação de dopamina cria sensação de prazer e motivação
Áreas de Broca 

e de Wernicke

Linguagem e comunicação Facilita recuperação de funções linguísticas após lesões cerebrais
Corpo Caloso Ponte entre hemisfério esquerdo (lógica) e direito (criatividade) Melhora a agilidade mental e a comunicação entre a razão e a emoção (fundamental na criatividade e resolução de problemas)

Permite processar sentimentos de forma racional, pois ajuda a “traduzir” emoções complexas em pensamentos ou palavras, favorecendo o equilíbrio emocional

 

De que forma a musicoterapia ajuda pessoas com Alzheimer e demências?

A musicoterapia ajuda pessoas com Alzheimer e outras demências ao ajudar o paciente a resgatar a sua identidade, a reduzir a agitação e a reativar memórias biográficas. Como a memória musical é armazenada em áreas do cérebro que resistem mais tempo à degeneração, a música funciona como uma “chave” para aceder a recordações e emoções passadas, promovendo momentos de lucidez e conexão com a família.

De que forma a musicoterapia ajuda pessoas com depressão?

A musicoterapia ajuda a regular o humor e a aumentar a motivação através da estimulação neuroquímica, combatendo os sintomas da depressão. Ao envolver-se na música, o cérebro liberta dopamina (prazer) e endorfinas, ajudando a quebrar o ciclo de apatia e tristeza profunda, além de oferecer um canal seguro para expressar sentimentos que seriam difíceis de verbalizar.

De que forma a musicoterapia ajuda pessoas com autismo?

A musicoterapia ajuda os autistas ao facilitar a comunicação não-verbal, a interação social e a regulação sensorial. Através do ritmo e da imitação musical, estimula-se o sistema de neurónios-espelho (essencial para a empatia) e promove-se a atenção partilhada, criando uma “ponte” de contacto segura que ajuda a pessoa com autismo a relacionar-se com os outros.

De que forma a musicoterapia ajuda pessoas com ansiedade?

A musicoterapia atua diretamente na redução dos níveis de stress e na indução de um estado de relaxamento fisiológico, que reduzem a ansiedade. Ritmos lentos e constantes ajudam a diminuir a frequência cardíaca e a baixar os níveis de cortisol, proporcionando uma ferramenta eficaz para o paciente controlar crises de pânico e agitação nervosa.

Como a musicoterapia ajuda pessoas com dor crónica?

A musicoterapia ajuda a combater dores crónicas pois funciona como um analgésico complementar, desviando o foco da dor e estimulando a libertação de endorfinas (analgésicos naturais do corpo). Ao concentrar-se no estímulo auditivo e relaxar a tensão muscular, o cérebro diminui a perceção da intensidade da dor, melhorando o conforto físico e emocional e reduzindo a necessidade de fármacos para controlar as dores.

A musicoterapia ajuda quem tem doença de Parkinson?

Sim, a musicoterapia é extremamente benéfica para doentes com Parkinson e ela é extremamente eficaz na melhoria da marcha e da coordenação motora. O ritmo musical atua como um “maestro externo que controla a orquestra dentro do nosso cérebro”, ajudando pacientes com Parkinson a superarem bloqueios de movimento (freezing), a darem passos mais fluidos e a melhorarem a articulação da fala através do canto.

Como a musicoterapia melhora a memória?

musicoterapia melhora a memória de duas formas. Primeiro, funciona como uma “chave” que recupera memórias antigas. Por exemplo, uma canção da juventude pode despertar recordações em idosos ou pessoas com demência. Além disso, ela, facilita a memorização de nova informação ao associá-la a melodias e ritmos. É por isso que é muito fácil lembrarmos letras de músicas e batidas de determinadas canções.

Adicionalmente, é preciso notar que o cérebro processa música de forma especial, já que as áreas da memória e das emoções trabalham juntas. Quando algo nos emociona através da música, gravamos essa informação com mais intensidade. Além disso, a música ativa simultaneamente várias áreas cerebrais (audição, emoção, movimento, linguagem), criando múltiplas “pistas” para aceder à mesma memória. 

Na prática, é muito mais fácil lembrarmo-nos de informação cantada do que apenas falada, e este princípio é usado terapeuticamente para ajudar pessoas com problemas de memória.

De que forma a musicoterapia ajuda na reabilitação?

A musicoterapia acelera a recuperação de funções motoras e da fala ao estimular a neuroplasticidade cerebral. Em casos de AVC ou outras lesões similares, a música “obriga” o cérebro a criar novas conexões neuronais para compensar as áreas danificadas. Desta forma, a música permite reaprender movimentos ou recuperar a fala através da entoação melódica.

De que forma a musicoterapia ajuda bebés e crianças?

A musicoterapia promove o desenvolvimento sensorial, reforça o vínculo afetivo e regula os sinais vitais. Em bebés prematuros ou hospitalizados, sons suaves estabilizam o ritmo cardíaco, a respiração e melhoram o sono. 

Nas crianças, a musicoterapia estimula a aquisição da linguagem, a coordenação motora, a atenção e a gestão emocional de forma lúdica. Por isso, ela é uma terapia muito eficaz em crianças com atrasos no desenvolvimento, dificuldades de comunicação ou perturbações do espetro do autismo, ajudando-as a expressar-se.

Como a musicoterapia combate a solidão e isolamento social?

A musicoterapia combate a solidão ao criar oportunidades de conexão humana. Em sessões de grupo, promove a integração social e oferece um espaço de pertença e partilha que quebra o ciclo de isolamento. Para pessoas idosas ou com dificuldades de comunicação, cantar ou tocar em conjunto valida a sua presença e importância no grupo.

A música oferece também uma forma de conexão emocional que não depende de palavras. Partilhar canções conhecidas cria pontes entre pessoas, desperta memórias comuns e facilita a interação mesmo quando a conversa é difícil. Esta comunicação não verbal é especialmente valiosa para quem se sente desconfortável ou incapaz de expressar verbalmente sentimentos complexos, como a solidão.

 

Como são feitas as sessões de musicoterapia?

Uma sessão de musicoterapia divide-se, normalmente, em três fases. A primeira fase começa com um momento de acolhimento e aquecimento, onde o terapeuta estabelece contacto com o cliente através de música ou conversa. Segue-se a parte central da sessão, onde ocorrem as atividades musicais terapêuticas propriamente ditas, que podem incluir improvisação, audição musical, composição ou recriação de canções. A sessão termina com um momento de encerramento que ajuda a integrar a experiência e a fazer a transição de volta ao quotidiano.

Qual a duração das sessões de musicoterapia?

A duração média das sessões de musicoterapia varia entre 30 e 60 minutos para sessões individuais, passando para tempos entre 45 e 90 minutos para sessões de grupo. Para crianças normalmente o tempo das sessões é mais curto, e nos adultos pode alongar-se até uma hora em sessões individuais ou até uma hora e meia em sessões de grupo. 

Que instrumentos são usados na musicoterapia?

A musicoterapia utiliza vários tipos de instrumentos, cujos propósitos muitas vezes se associam aos efeitos que se pretendem atingir nos pacientes. Entre os principais tipos de instrumentos encontram-se:

 

Instrumento Objetivo Principal Aplicação
Percussão (Djembés, tambores, pandeiretas) Coordenação motora e descarga emocional Trabalha o ritmo, a força muscular e permite libertar agressividade ou tensão acumulada
Kits de Percussão (Maracas, ovos, triângulos) Motricidade fina e atenção Ideais para treinar a preensão (pegar) e a coordenação de pequenos movimentos
Cordas (guitarras, harpas) Redução de ansiedade e relaxamento As vibrações das cordas têm um efeito sedativo, ajudando a baixar o ritmo cardíaco e a promover o bem-estar
Teclas (pianos e teclados eletrónicos) Estimulação cognitiva e estruturação Ótimos para trabalhar a memória (sequências) e a amplitude de movimento dos dedos
Voz (cantos e vocalizações) Melhoria da fala e comunicação Fortalece os músculos da articulação, trabalha a respiração e ajuda na expressão de sentimentos
Sintetizadores e Apps Inclusão e autonomia Permitem que pessoas com mobilidade muito reduzida criem sons complexos com o mínimo esforço físico
Sinos, Guizos, kalimbas, matelofones Estimulação sensorial e foco Sons brilhantes que ajudam a captar a atenção auditiva e a marcar momentos de transição na sessão
Meta Drums / Tongue Drums Harmonia e meditação Instrumentos de som etéreo usados para reduzir estados de pânico, dor crónica e promover o conforto espiritua
Sopro (flautas, ocarinas, harmónicas) Controlo respiratório e ansiedade Essenciais para doentes respiratórios ou para treinar o controlo da expiração no combate à ansiedade
Pau de Chuva e Ocean Drums Relaxamento e regulação sensorial Imitam sons da natureza, sendo muito eficazes para acalmar crianças com autismo ou bebés agitados

 

É preciso saber tocar instrumentos para fazer musicoterapia?

Não é preciso saber tocar instrumentos nem ter dotes de cantor para sessões de musicoterapia. Esta terapia não exige conhecimentos musicais prévios nem habilidades técnicas, já que o foco está na expressão, comunicação e experiência musical, bem como nas sensações proporcionadas e efeitos obtidos nos pacientes. É por isso que qualquer pessoa pode beneficiar da musicoterapia, mesmo sem experiência com música.

Quais as diferenças entre musicoterapia e aulas de música?

As aulas de música visam o ensino de instrumentos, pautas, competências técnicas (ritmo, melodia e harmonia), sensibilidade auditiva, criatividade e expressão artística, enquanto a musicoterapia pretende ter efeitos terapêuticos sobre a mente dos participantes. Por esse motivo, os musicoterapeutas têm formação profissional totalmente distinta (psicologia, saúde e terapias) das competências requeridas a um professor de música. 

Quanto custam as sessões de musicoterapia?

As sessões de musicoterapia têm preços entre 20€ e 60€ para sessões individuais, com descontos nos preços para a compra de várias sessões (entre 3 e 10 sessões). Para as aulas de grupo os preços são geralmente mais reduzidos, mas é preciso ter um mínimo entre 3 e 6 participantes para a realização desta terapia de grupo.

As sessões de musicoterapia têm comparticipação?

As sessões de musicoterapia não tem comparticipação por parte do SNS nem dos seguros de saúde. No entanto, grupos recreativos e artísticos, municípios e centros destinados à terceira idade têm descontos para associados.

Como escolher um musicoterapeuta?

Para escolher um musicoterapeuta, tenha em atenção os seguintes critérios:

  • Formação e credenciais: Confirme que se trata de um musicoterapeuta certificado, inscrito na APMT (Associação Portuguesa de Musicoterapia) e com formação superior na área. Para necessidades específicas do paciente (autismo, Parkinson, Alzheimer e outras) veja se o musicoterapeuta fez alguma formação adicional na área;
  • Experiência: Procure saber os anos de experiência na profissão, o tipo de faixa etária e problemas de saúde com que costuma lidar e se tem referências em casos similares ao que pretende;
  • Abordagem terapêutica: Descubra se a preferência vai para a musicoterapia ativa ou passiva, ou ambas. Veja ainda se existe alguma consulta de avaliação inicial, qual a frequência das sessões e como é feito o acompanhamento da evolução do paciente;
  • Funcionamento das sessões: Pergunte como decorrem as sessões, que tipo de instrumentos estão disponíveis, as atividades que são realizadas e se é necessário algum investimento em material para a participação;
  • Aspetos práticos: Saiba qual a duração das sessões, se elas são presenciais ou online e quais os horários disponíveis. Indague também se as sessões presenciais se realizam em consultório (avaliando o espaço) ou ao domicílio (para saber em que local e quais as adaptações necessárias);
  • Preços: Questione o custo das sessões, se existem descontos ou promoções na aquisição de várias sessões. 
  • Comunicação e Empatia: Avalie se o terapeuta demonstra sensibilidade, clareza e interesse genuíno pelo bem-estar do paciente. Avalie também qual a disponibilidade para contacto;
  • Questões legais: Pergunte relativamente a seguros de responsabilidade civil, confidencialidade e proteção dos dados;
  • Sessão experimental: Questione se existe uma sessão inicial gratuita para avaliação da adesão à terapêutica.

 

Escolhido o musicoterapeuta, é importante perceber que existem diferentes formas de trabalho. As sessões podem ser ativas, onde o paciente participa tocando e cantando, ou passivas, com foco na escuta terapêutica.

 

Que tipos de musicoterapia existem?

Existem dois tipos de musicoterapia, que são a musicoterapia ativa e a musicoterapia passiva. O musicoterapeuta pode usar apenas uma destas abordagens ou combiná-las na mesma sessão. Veja no quadro seguinte as principais diferenças entre musicoterapia ativa e passiva:

 

Característica Musicoterapia

Ativa

Musicoterapia

Passiva

Ação do Paciente Participa na criação do som (canta, toca instrumentos, bate palmas ou dança) Ouve a música tocada pelo terapeuta ou de uma gravação
Foco Principal Expressão, coordenação motora e interação social Relaxamento, introspeção e estimulação de memórias
Principais Instrumentos Uso de percussão, voz, piano ou qualquer instrumento de fácil manuseio Uso de instrumentos de som suave (harpa, taças tibetanas) ou listas de reprodução terapêuticas
Principais Objetivos Melhorar a motricidade, estimular a fala e libertar emoções através da ação física Reduzir a ansiedade, controlar a dor crónica e facilitar a meditação ou o sono
Indicada Para Pessoas com dificuldades motoras, de comunicação, crianças com autismo, reabilitação pós-AVC Pessoas com ansiedade, insónia, dor crónica, demências avançadas ou stress elevado
Nível de Energia Requer alguma energia e disposição para participar ativamente Pode ser realizada mesmo em estados de fadiga ou limitação física

 

Musicoterapia individual ou em grupo: qual escolher?

A escolha entre musicoterapia individual ou em grupo depende dos objetivos terapêuticos, das características da pessoa e das suas necessidades específicas. Ambas têm vantagens distintas, e as sessões de grupo são extremamente eficazes na terapêutica de pessoas com depressão, ansiedade e outros problemas emocionais. Além disso, os preços são mais acessíveis.

As sessões individuais garantem um foco personalizado no paciente e nas suas necessidades específicas. Como tal, são aconselhadas em situações como a recuperação de um AVC, autismo, problemas de mobilidade severos, questões emocionais profundas e muito particulares e na fase inicial de demências. Esta opção também garante maior comodidade e flexibilidade na marcação das sessões e assegura uma evolução mais rápida no tratamento de determinados problemas.

Existem ainda pacientes em que pode ser benéfico combinar as sessões de musicoterapia individual ou de grupo. É o caso da necessidade de desenvolvimento de competências de comunicação e sociais, em que o trabalho individualizado com um terapeuta e a integração em grupos garante maior eficácia no tratamento.

Pode-se fazer musicoterapia em casa?

Sim, a musicoterapia pode ser feita em casa, seja através de consultas ao domicílio ou na modalidade online. Esta opção oferece uma vantagem extremamente importante. Através da conexão criada pelo musicoterapeuta entre o som e locais da habitação, a família e equipas de apoio domiciliário ficam com mais uma ferramenta extremamente poderosa para apoiar a pessoa que está a receber os cuidados.

Além disso, o ambiente familiar proporciona um maior conforto e segurança, o que facilita a entrega e a participação ativa do paciente, especialmente em casos de mobilidade reduzida ou demência avançada. Ao realizar a terapia na habitação, o terapeuta consegue personalizar as estratégias de acordo com as rotinas da casa, ensinando os cuidadores a utilizar músicas específicas para momentos críticos, como a hora das refeições, do banho ou do adormecer. 

Assim, a musicoterapia deixa de ser apenas uma sessão semanal para se tornar num recurso contínuo de bem-estar e harmonia para todo o núcleo familiar, contribuindo para elevar ainda mais o patamar de qualidade dos cuidados de saúde ao domicílio.

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