Há uma epidemia silenciosa que afeta milhões de portugueses e que não aparece nas manchetes com a frequência que merecia. Não é uma doença infeciosa nem um vírus novo. É a falta de movimento. O sedentarismo é hoje reconhecido como um dos maiores fatores de risco para a saúde em todo o mundo e Portugal ocupa, de forma consistente, as piores posições na Europa quando se mede a atividade física da sua população.
Os números são difíceis de ignorar: 73% dos portugueses nunca fazem exercício físico ou desporto. Portugal é o país da União Europeia com menor índice de atividade física entre os adultos. E o custo deste imobilismo não é apenas pessoal: estima-se que o sedentarismo e a inatividade física custem à economia portuguesa mais de 980 milhões de euros por ano em cuidados de saúde, e mais de 1.500 milhões em absentismo laboral.
Mas há boas notícias: o sedentarismo é reversível. E qualquer passo, literalmente, conta. Neste artigo encontra respostas claras e baseadas em evidência a todas as questões essenciais sobre o sedentarismo: o que é, como reconhecê-lo, que doenças provoca, quais os grupos de maior risco e, acima de tudo, o que pode fazer para mudar.
O que é o sedentarismo?
O sedentarismo é um estilo de vida caracterizado pela ausência ou insuficiência de atividade física regular, com um gasto energético diário muito reduzido. Uma pessoa sedentária é aquela que não realiza o mínimo de movimento necessário para manter o organismo saudável e funcional, passando a maior parte do tempo em repouso ou em atividades de baixíssimo esforço físico.
De acordo com o Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física da DGS, cerca de 80% da população portuguesa não pratica atividade física suficiente para cumprir as recomendações da Organização Mundial de Saúde. É um dado que coloca Portugal numa posição alarmante no contexto europeu.
Qual a diferença entre sedentarismo e inatividade física?
Sedentarismo e inatividade física são conceitos próximos mas distintos. A inatividade física refere-se ao facto de não atingir o mínimo de atividade física recomendada pelas entidades de saúde. O sedentarismo vai mais longe: inclui não apenas a ausência de exercício estruturado, mas também o comportamento sedentário em si, ou seja, passar longos períodos sentado ou deitado durante as horas de vigília, como acontece ao assistir televisão, trabalhar ao computador ou conduzir.
É possível ser fisicamente inativo mas não ter um comportamento predominantemente sedentário, e vice-versa. Alguém que vai ao ginásio uma vez por semana mas passa as restantes horas do dia sentado pode ter um risco de saúde superior a alguém que nunca faz desporto mas se movimenta regularmente ao longo do dia.
Como saber se sou uma pessoa sedentária?
Uma pessoa é considerada sedentária quando não cumpre as recomendações mínimas de atividade física estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde. Pode avaliar a sua situação com base nestes critérios:
| Perfil | Características |
| Sedentário | Não faz qualquer atividade física regular. Passa a maior parte do dia sentado ou deitado. Não caminha, não sobe escadas, evita o movimento sempre que possível |
| Insuficientemente ativo | Faz alguma atividade física mas abaixo do mínimo recomendado pela OMS (menos de 150 minutos por semana de intensidade moderada) |
| Moderadamente ativo | Cumpre as recomendações mínimas da OMS: 150 a 300 minutos semanais de atividade moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa |
| Ativo | Supera as recomendações da OMS e integra atividade física regular na rotina diária de forma consistente |
Se não consegue caminhar 30 minutos seguidos sem se cansar excessivamente, se evita escadas e prefere sempre o elevador, se passa mais de oito horas por dia sentado e não pratica qualquer atividade física pelo menos três vezes por semana, é provável que o seu estilo de vida seja sedentário ou insuficientemente ativo.
Qual a percentagem de portugueses sedentários?
Portugal apresenta os piores indicadores de atividade física da União Europeia. Segundo o Comité Olímpico de Portugal, 73% dos portugueses nunca praticam desporto ou exercício físico. As populações mais afetadas são os reformados (92%), as pessoas com mais de 55 anos (91%) e as mulheres (80%). Mesmo entre os jovens, os números são preocupantes: 84,3% dos jovens entre os 11 e os 17 anos são considerados sedentários, colocando Portugal no 79.º lugar num ranking de 146 países avaliados pela OMS.
| Grupo populacional | Percentagem de sedentários em Portugal |
| Reformados | 92% |
| Pessoas com mais de 55 anos | 91% |
| Mulheres | 80% |
| Adultos em geral (nunca fazem exercício) | 73% |
| Jovens entre 11 e 17 anos | 84,3% |
| Adultos que não cumprem as recomendações da OMS | Aproximadamente 80% |
Quais as recomendações da OMS para a atividade física?
A Organização Mundial de Saúde estabelece recomendações claras de atividade física para cada faixa etária. Para adultos entre os 18 e os 64 anos, a recomendação é de pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, complementada com exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana. A OMS é explícita: qualquer atividade física é melhor do que nenhuma.
| Grupo etário | Atividade aeróbica semanal recomendada | Complemento recomendado |
| Crianças e adolescentes (5-17 anos) | 60 minutos por dia de intensidade moderada a vigorosa | Atividades de fortalecimento muscular e ósseo 3 vezes/semana |
| Adultos (18-64 anos) | 150 a 300 minutos de intensidade moderada ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa | Fortalecimento muscular 2 ou mais vezes/semana |
| Idosos (65 anos ou mais) | 150 a 300 minutos de intensidade moderada ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa | Equilíbrio, coordenação e fortalecimento muscular 3 ou mais vezes/semana |
Quais os riscos do sedentarismo?
Os riscos do sedentarismo para a saúde são extensos, bem documentados e transversais a praticamente todos os sistemas do organismo. A Fundação Portuguesa de Cardiologia é clara: a inatividade física é um dos maiores fatores de risco no desenvolvimento de doenças cardíacas, e Portugal é um dos países europeus com maior exposição a este risco precisamente por ter níveis tão baixos de atividade física.
O sedentarismo aumenta o risco de morte prematura?
Sim. O sedentarismo aumenta significativamente o risco de morte prematura por múltiplas causas. Segundo o Serviço Nacional de Saúde, a OMS estima que, para um país de 10 milhões de habitantes com metade da população fisicamente inativa, o custo anual chega a 900 milhões de euros apenas em cuidados de saúde diretos. A nível global, quatro a cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população fosse mais ativa.
O sedentarismo potencia todas as causas de mortalidade. Duplica o risco de doença cardiovascular, de diabetes tipo 2 e de obesidade. Reduz a esperança de vida e compromete a qualidade dos anos vividos, aumentando a probabilidade de dependência funcional e de perda de autonomia nas fases mais avançadas da vida.
Quais os efeitos do sedentarismo no corpo?
O sedentarismo afeta praticamente todos os sistemas do organismo de forma progressiva e cumulativa. Os efeitos físicos mais documentados são os seguintes:
- Perda de massa muscular (sarcopenia): sem estímulo regular, os músculos atrofiam progressivamente, reduzindo a força, o equilíbrio e a capacidade funcional;
- Aumento da gordura corporal: especialmente a gordura visceral abdominal, que está associada a inflamação crónica e a risco cardiovascular aumentado;
- Deterioração cardiovascular: o coração e os vasos sanguíneos perdem eficiência quando não são regularmente estimulados, aumentando a pressão arterial e comprometendo a circulação;
- Enfraquecimento ósseo: a falta de impacto mecânico sobre os ossos acelera a perda de densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose e de fraturas;
- Deterioração metabólica: a resistência à insulina aumenta, os níveis de colesterol LDL e triglicéridos sobem e o HDL (colesterol bom) desce;
- Problemas articulares: o excesso de peso e a falta de movimento sobrecarregam as articulações, em particular os joelhos, favorecendo a artrose e as dores crónicas;
- Deterioração do equilíbrio e da coordenação: especialmente preocupante nos adultos mais velhos, onde contribui diretamente para o risco de quedas.
O sedentarismo afeta a saúde mental?
Sim. Existe evidência científica robusta de que o sedentarismo tem um impacto negativo direto na saúde mental. A falta de atividade física está associada a maior risco de depressão e de ansiedade, a pior qualidade do sono, a menor autoestima e a um declínio mais rápido das funções cognitivas.
O exercício físico estimula a produção de neurotransmissores como a serotonina, a dopamina e as endorfinas, que têm efeitos comprovados na regulação do humor e na redução do stress. A inatividade priva o cérebro destes estímulos bioquímicos essenciais. Como exploramos no artigo sobre o impacto do stress na saúde, a ausência de atividade física é um dos fatores que mais contribui para a manutenção de níveis cronicamente elevados de cortisol, com consequências no envelhecimento celular e na saúde em geral.
Quanto tempo sentado por dia é considerado perigoso?
Passar mais de oito horas por dia sentado está associado a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, diabetes e mortalidade prematura, independentemente de se praticar ou não exercício fora desse período. Este é um dos dados mais surpreendentes da investigação sobre sedentarismo: mesmo quem faz exercício regular mas passa o resto do dia sentado tem um perfil de risco superior ao que seria esperado.
A recomendação atual é interromper períodos de sedestação prolongada a cada 30 a 60 minutos, levantando-se por dois a cinco minutos para caminhar ou fazer movimentos simples. Esta prática, designada por quebras de sedentarismo, tem demonstrado efeitos mensuráveis na regulação do açúcar no sangue, na tensão arterial e no metabolismo das gorduras.
Que doenças estão associadas ao sedentarismo?
O sedentarismo não é apenas um fator de risco genérico. Está diretamente associado ao desenvolvimento ou agravamento de um conjunto específico de doenças crónicas que são, em Portugal e no mundo, as principais causas de morte e de incapacidade.
O sedentarismo causa doenças cardiovasculares?
Sim. A inatividade física é um dos principais fatores de risco modificáveis para as doenças cardiovasculares. A Fundação Portuguesa de Cardiologia confirma que Portugal, por ser um dos países europeus com menor atividade física, está particularmente exposto ao risco de doenças cardiovasculares. O sedentarismo duplica o risco de doença coronária, aumenta a probabilidade de AVC e está associado a maior mortalidade por insuficiência cardíaca.
Os mecanismos são múltiplos: o sedentarismo aumenta a pressão arterial, eleva os triglicéridos e o colesterol LDL, reduz o colesterol HDL, favorece o acúmulo de gordura abdominal e promove estados de inflamação crónica que danificam as paredes dos vasos sanguíneos. A combinação destes fatores cria condições ideais para o desenvolvimento de aterosclerose e eventos cardiovasculares agudos.
Sedentarismo e diabetes: existe ligação?
Sim. O sedentarismo está diretamente associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A atividade física é o mecanismo mais eficaz de que o organismo dispõe para melhorar a sensibilidade à insulina e regular a glicémia. Sem esse estímulo, as células tornam-se progressivamente resistentes à insulina, o pâncreas aumenta a produção para compensar e, com o tempo, o sistema começa a falhar.
Estudos clínicos demonstram que 30 minutos de atividade física moderada por dia reduzem o risco de desenvolver diabetes tipo 2 em até 58%, um resultado superior ao obtido com metformina, o medicamento mais prescrito para este efeito, em populações de risco.
O sedentarismo pode causar cancro?
Sim, existe evidência científica crescente que associa o sedentarismo ao maior risco de vários tipos de cancro. Os tipos com associação mais documentada são o cancro do cólon e do reto, o cancro da mama, o cancro do endométrio e o cancro do ovário. Os mecanismos explicativos incluem o efeito da atividade física na regulação hormonal, na redução da inflamação crónica, no trânsito intestinal e na regulação dos níveis de insulina e de fatores de crescimento.
A atividade física regular está associada a uma redução do risco de cancro do cólon em 25 a 50% e do cancro da mama em 20 a 40%, de acordo com os dados disponíveis. Estes são números que tornam o exercício físico numa das estratégias de prevenção oncológica mais acessíveis e eficazes que existem.
Sedentarismo e obesidade: qual a relação?
O sedentarismo e a obesidade alimentam-se mutuamente num ciclo difícil de quebrar. A falta de atividade física reduz o gasto calórico, favorece o armazenamento de gordura e altera os mecanismos de regulação do apetite. O excesso de peso, por sua vez, torna o movimento mais desconfortável e menos acessível, reforçando o comportamento sedentário. Em 2019, mais de metade dos portugueses apresentavam excesso de peso (36,6%) ou obesidade (16,9%), de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. A associação entre os elevados níveis de sedentarismo em Portugal e estes dados é direta. Para compreender melhor como os padrões alimentares interagem com este ciclo, consulte o nosso artigo sobre os efeitos do açúcar no organismo.
O sedentarismo provoca problemas musculares e articulares?
Sim. A falta de movimento tem consequências diretas e progressivas sobre músculos e articulações. Os músculos precisam de estímulo regular para manter a sua massa, força e função. Sem esse estímulo, entram em atrofia, um processo que se acelera a partir dos 40 anos e que é uma das principais causas de perda de autonomia funcional na terceira idade.
As articulações, por sua vez, dependem do movimento para manter a lubrificação sinuvial e a nutrição da cartilagem, que não é irrigada por vasos sanguíneos e depende da compressão e descompressão mecânica para receber nutrientes. O sedentarismo priva as articulações deste mecanismo e favorece a degradação da cartilagem, acelerando a artrose.
O sedentarismo causa depressão e ansiedade?
Sim. A relação entre sedentarismo e perturbações do humor é bidirecional: a falta de movimento aumenta o risco de depressão e ansiedade, e estas condições reduzem a motivação para o movimento, criando um ciclo difícil de interromper. O exercício físico regular tem demonstrado eficácia comparável à da medicação antidepressiva em quadros de depressão ligeira a moderada, com a vantagem de não ter efeitos secundários significativos.
| Doença / Condição | Risco aumentado pelo sedentarismo |
| Doença cardiovascular | Duplica o risco de doença coronária e de AVC |
| Diabetes tipo 2 | Risco até 2 a 3 vezes superior; exercício reduz risco em até 58% |
| Obesidade | Desequilíbrio entre ingestão e gasto calórico favorece acumulação de gordura |
| Cancro do cólon | Risco aumentado em 25 a 50% em pessoas sedentárias |
| Cancro da mama | Risco aumentado em 20 a 40% em mulheres inativas |
| Osteoporose | Perda acelerada de densidade óssea por falta de estímulo mecânico |
| Hipertensão arterial | A inatividade eleva a tensão arterial por múltiplos mecanismos |
| Colesterol e triglicéridos altos | O exercício aumenta o HDL e reduz o LDL e os triglicéridos |
| Depressão e ansiedade | Risco 35% superior em pessoas sedentárias |
| Demência e declínio cognitivo | Exercício protege a estrutura cerebral e a função cognitiva |
Como reduzir o sedentarismo?
A boa notícia sobre o sedentarismo é que qualquer melhoria conta. Não é necessário passar de zero a maratonista para obter benefícios reais para a saúde. A ciência é clara: passar de completamente sedentário a ligeiramente ativo produz os ganhos de saúde mais significativos de toda a curva de atividade física.
Qual é a quantidade mínima de exercício recomendada?
A recomendação mínima da Organização Mundial de Saúde para adultos é de 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, o que equivale a 30 minutos de caminhada rápida durante cinco dias. Estes 150 minutos podem ser divididos ao longo da semana e até ao longo do dia em sessões de 10 minutos, com os mesmos benefícios para a saúde. Para quem já é ativo, o objetivo pode ser aumentar para 300 minutos semanais de intensidade moderada para benefícios adicionais.
Por onde começar quando se é sedentário?
Começar a reduzir o sedentarismo não exige uma transformação imediata. A abordagem mais eficaz e sustentável é a gradual, com alterações progressivas que se tornem hábitos permanentes. Aqui ficam os primeiros passos recomendados:
- Consulte o seu médico de família antes de iniciar um programa de exercício, especialmente se tem mais de 45 anos, condições de saúde crónicas ou não pratica atividade física há muito tempo;
- Comece por caminhar. Caminhadas de 10 a 15 minutos, três vezes por dia, são tão eficazes quanto uma caminhada de 30 a 45 minutos contínuos;
- Substitua o elevador pelas escadas sempre que possível;
- Estacione o carro mais longe do destino ou saia do transporte público uma paragem antes;
- Defina um alarme a cada hora para se levantar e movimentar durante dois a cinco minutos;
- Escolha atividades que sejam agradáveis, porque a motivação é o fator mais determinante para a manutenção a longo prazo;
- Aumente a intensidade e a duração de forma gradual, ao longo de semanas e meses.
É possível combater o sedentarismo sem ir ao ginásio?
Sim, completamente. O ginásio é uma opção entre muitas, não um requisito. A OMS reconhece que qualquer forma de atividade física conta, independentemente do contexto. As opções são muitas e acessíveis:
| Tipo de atividade | Exemplos práticos |
| Atividade no quotidiano (NEAT) | Subir escadas, caminhar até ao trabalho, fazer tarefas domésticas ativas, jardinar, brincar com crianças |
| Caminhada | Passeios no parque, caminhadas nórdicas, caminhar com o cão |
| Exercício em casa | Yoga, pilates, exercícios com peso corporal, treinos guiados em vídeo |
| Atividades em grupo | Dança, hiking, desportos coletivos recreativos, aulas de grupo ao ar livre |
| Atividades aquáticas | Natação, hidroginástica, aquaeróbica |
| Mobilidade ativa | Bicicleta para ir ao trabalho ou às compras, trotinete |
Como reduzir o tempo sentado no trabalho?
Para quem trabalha em contexto de secretária, a luta contra o sedentarismo passa por estratégias específicas que podem ser implementadas sem alterar o desempenho profissional:
- Use lembretes no telemóvel ou computador para se levantar a cada 45 a 60 minutos;
- Faça reuniões a caminhar sempre que possível;
- Beba mais água ao longo do dia, o que naturalmente obriga a mais deslocações;
- Se possível, use uma secretária regulável em altura que permita trabalhar em pé;
- Faça a pausa de almoço a caminhar, mesmo que por dez minutos;
- Imprima em impressoras mais distantes da secretária e vá buscar pessoalmente;
- Suba sempre de escadas e desça pelo menos dois andares antes de apanhar o elevador.
Que tipos de atividade física são mais eficazes contra o sedentarismo?
A combinação de diferentes tipos de atividade física é a abordagem mais eficaz e completa para combater o sedentarismo. Cada tipo tem benefícios específicos e complementares:
- Atividade aeróbica (cardio): caminhada, corrida, natação, bicicleta. Melhora a saúde cardiovascular, regula o peso e o metabolismo, tem efeito antidepressivo comprovado;
- Treino de força: exercícios com pesos, elásticos ou peso corporal. Preserva a massa muscular, melhora a densidade óssea, aumenta o metabolismo basal;
- Exercícios de equilíbrio e flexibilidade: yoga, tai-chi, pilates, alongamentos. Reduz o risco de quedas, melhora a postura e a mobilidade articular;
- Atividade de intensidade leve mas frequente (NEAT): movimento integrado no quotidiano. Tem impacto cumulativo significativo no gasto calórico diário e na regulação metabólica.
O sedentarismo nos idosos
O sedentarismo nos idosos é simultaneamente mais prevalente, mais perigoso e mais difícil de combater do que em outras faixas etárias. Os dados do Eurobarómetro são esclarecedores: 92% dos reformados e 91% das pessoas com mais de 55 anos nunca praticam qualquer tipo de exercício ou desporto. Segundo um especialista citado pelo Viral Sapo, a maioria dos idosos que estão em centros de dia passam o dia inteiro sentados a ver televisão, num comportamento descrito como altamente sedentário e como um fator de risco enorme para quem já tem fragilidades de saúde.
Os idosos são mais afetados pelo sedentarismo?
Sim. Os idosos são o grupo mais vulnerável aos efeitos do sedentarismo por várias razões que se somam e amplificam. Com o envelhecimento, o organismo já tende naturalmente para a perda de massa muscular, densidade óssea e capacidade cardiovascular. O sedentarismo acelera todos estes processos e compromete a reserva funcional que é necessária para manter a autonomia e a qualidade de vida.
A perda de mobilidade é uma das consequências mais visíveis e impactantes do sedentarismo nos idosos, com efeitos diretos na autonomia, na independência e no risco de quedas. Em muitos casos, é um processo que começa de forma quase impercetível e que se instala progressivamente ao longo de meses ou anos de inatividade.
Quais as consequências do sedentarismo específicas nos idosos?
As consequências do sedentarismo nos idosos têm características particulares que as tornam ainda mais graves do que nas faixas etárias mais jovens:
| Consequência | Impacto específico nos idosos |
| Sarcopenia acelerada | A perda de massa muscular já é natural com o envelhecimento; o sedentarismo acelera-a drasticamente, comprometendo a força e a mobilidade |
| Maior risco de quedas | A fraqueza muscular e o défice de equilíbrio associados ao sedentarismo são os principais fatores de risco de quedas em idosos, com potenciais fraturas graves |
| Declínio cognitivo mais rápido | O exercício físico protege o hipocampo e a função cognitiva; a sua ausência acelera o declínio da memória e o risco de demência |
| Perda de autonomia funcional | A incapacidade de realizar atividades básicas do dia a dia, como levantar da cadeira, subir escadas ou carregar compras, resulta diretamente da inatividade prolongada |
| Maior risco de depressão e isolamento | O sedentarismo e o isolamento social reforçam-se mutuamente, criando um ciclo de deterioração emocional e física |
| Agravamento de doenças crónicas existentes | Diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e artrose ficam significativamente mais difíceis de controlar sem atividade física regular |
| Deterioração da qualidade do sono | O sedentarismo compromete a qualidade do sono nos idosos, o que por sua vez agrava a fadiga e reduz ainda mais a motivação para o movimento |
Que atividades físicas são recomendadas para idosos?
A OMS recomenda que todos os idosos sejam fisicamente ativos na medida em que as suas capacidades funcionais o permitam. As atividades devem incluir componentes aeróbicas, de fortalecimento muscular e de equilíbrio. Não existe um limite de idade para começar a ser mais ativo. Conheça o nosso guia completo sobre as melhores atividades para idosos para explorar opções adaptadas a diferentes capacidades e preferências.
| Tipo de atividade | Exemplos para idosos | Benefícios principais |
| Aeróbica de baixo impacto | Caminhada, hidroginástica, natação, bicicleta estática, tai-chi | Saúde cardiovascular, controlo do peso, melhoria do humor |
| Fortalecimento muscular | Exercícios com elásticos, pesos leves, treino funcional adaptado | Prevenção da sarcopenia, manutenção da força e autonomia |
| Equilíbrio e coordenação | Yoga sénior, tai-chi, exercícios de equilíbrio supervisionados | Prevenção de quedas, melhoria da postura e da confiança no movimento |
| Flexibilidade | Alongamentos, pilates adaptado, mobilidade articular suave | Redução de dores articulares, manutenção da amplitude de movimento |
| Atividade integrada no dia a dia | Tarefas domésticas ativas, jardinagem, caminhar até ao mercado | Estimulação regular sem exigir estrutura formal |
Como o apoio domiciliário ajuda a combater o sedentarismo nos idosos?
O apoio domiciliário é uma das respostas mais eficazes ao sedentarismo nos idosos, precisamente porque atua no contexto onde o problema mais frequentemente se instala: em casa. Muitos idosos tornam-se sedentários não por falta de vontade, mas por falta de apoio, de companhia, de estrutura e, em muitos casos, por medo de se moverem sozinhos.
Um cuidador profissional presente no domicílio pode transformar radicalmente este cenário. O acompanhamento diário permite estabelecer rotinas de movimento adaptadas às capacidades de cada pessoa, incentivar a realização de tarefas domésticas ativas, acompanhar em caminhadas, supervisionar exercícios de equilíbrio e coordenação e garantir que o idoso não passa horas seguidas sentado ou imóvel sem estímulo.
A presença regular de um cuidador combate também o isolamento social que frequentemente coexiste com o sedentarismo nos idosos, e que é em si mesmo um fator de risco de declínio cognitivo e de desmotivação para a atividade física. Para perceber melhor como o apoio domiciliário pode ajudar a preservar a autonomia dos idosos e a sua qualidade de vida no dia a dia, consulte o artigo dedicado a este tema.
A Caring disponibiliza um serviço de apoio domiciliário personalizado que inclui o acompanhamento em atividades físicas adaptadas, o estímulo à mobilidade, a supervisão de exercícios e o combate ao isolamento. Este tipo de intervenção regular e consistente é, para muitos idosos, a diferença entre uma vida cada vez mais imóvel e dependente, e uma vida ativa, com propósito e com qualidade.
Mover-se é a melhor medicina que existe. E está ao alcance de todos.
O sedentarismo não é uma fatalidade nem um destino. É um hábito, e os hábitos podem mudar. A ciência é consistente em mostrar que qualquer quantidade de movimento adicional produz benefícios reais, que os efeitos surgem rapidamente e que nunca é tarde para começar.
Em Portugal, onde os números são especialmente preocupantes, cada pessoa que decide levantar da cadeira e dar os seus 30 minutos diários de caminhada está a fazer uma escolha de saúde com impacto não apenas pessoal mas também coletivo.
Se tem um familiar idoso que passou a ser cada vez menos ativo, ou se procura apoio para manter uma rotina de movimento em casa, conheça o serviço de cuidados domiciliários da Caring. E se quiser perceber que tipo de apoio faria mais sentido para a sua situação, peça uma avaliação personalizada sem compromisso.
Nota: A informação apresentada neste artigo destina-se exclusivamente a fins informativos e educativos. Não substitui o aconselhamento médico personalizado. Antes de iniciar um programa de atividade física, consulte o seu médico de família, especialmente se tem mais de 45 anos, doenças crónicas ou não pratica exercício há muito tempo.