Há uma situação que preocupa muitas famílias e que é, ao mesmo tempo, uma das mais subestimadas na saúde dos idosos: o momento em que um pai, uma mãe ou um avô começa a comer cada vez menos. O prato que ficava vazio volta para a cozinha quase intocado. As refeições que eram um ritual de família transformam-se numa batalha silenciosa. E a família, sem saber bem o que fazer, fica dividida entre a preocupação e a incerteza.
A perda de apetite nos idosos é mais comum do que se pensa. Afeta cerca de 30% dos idosos que vivem em casa e chega a 75% dos que estão hospitalizados. Tem causas diversas, que vão desde alterações biológicas do próprio envelhecimento até doenças crónicas, medicação, problemas emocionais e fatores sociais. E as suas consequências, quando ignoradas, podem ser graves: desnutrição, perda de massa muscular, maior risco de quedas e declínio acelerado da saúde geral.
Neste artigo encontra respostas claras e práticas a todas as questões essenciais sobre a perda de apetite nos idosos: o que é, porque acontece, que riscos traz, que doenças pode sinalizar e, acima de tudo, o que pode fazer para ajudar.
O que é a perda de apetite no idoso?
A perda de apetite nos idosos, designada clinicamente por hiporexia ou anorexia do envelhecimento, é a redução persistente do desejo de comer que afeta uma proporção significativa da população sénior. Segundo a Direção-Geral da Saúde e a Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, as pessoas de idade avançada podem sentir-se menos atraídas pela comida devido a fatores biológicos, e não por vontade própria. É uma condição multicausal que exige compreensão, não julgamento.
O que é a hiporexia ou anorexia do envelhecimento?
A hiporexia é a diminuição do apetite e do desejo de comer. Quando ocorre de forma associada ao envelhecimento, é designada por anorexia do envelhecimento, uma síndrome reconhecida clinicamente que resulta de um conjunto de alterações fisiológicas, hormonais, sensoriais e psicossociais que se instalam progressivamente com a idade.
Ao contrário da anorexia nervosa, que é uma perturbação do comportamento alimentar de origem psicológica, a anorexia do envelhecimento resulta principalmente de mecanismos biológicos que reduzem de forma natural a perceção de fome e aumentam a sensação de saciedade, mesmo quando a ingestão alimentar foi insuficiente. O resultado é um desinteresse pela comida que não é voluntário nem consciente.
A perda de apetite é normal no envelhecimento?
Sim, uma redução moderada do apetite é considerada parte do envelhecimento fisiológico normal. Com a idade, o metabolismo abranda, as necessidades calóricas diminuem ligeiramente e a sensação de fome torna-se menos intensa. Esta redução moderada e gradual é esperada e não constitui, por si só, um problema de saúde.
O problema surge quando a redução do apetite é acentuada, persistente ou acompanhada de perda de peso involuntária. A regra prática recomendada pelos especialistas é: se a perda de apetite durar mais de uma semana, se for acompanhada de perda de peso visível, ou se surgirem outros sintomas como fraqueza, confusão ou tristeza persistente, é necessário consultar o médico.
Como saber se um idoso está a comer de forma insuficiente?
Nem sempre é fácil perceber se um idoso está a comer o suficiente, especialmente quando vive sozinho ou quando os sinais são subtis. Estes são os indicadores mais fiáveis a observar:
| Sinais físicos | Sinais comportamentais e sociais |
| Perda de peso visível em poucas semanas | Desinteresse persistente pela hora das refeições |
| Roupas que ficaram largas | Recusa frequente de alimentos que antes apreciava |
| Fraqueza muscular ou cansaço excessivo | Isolamento durante as refeições ou recusa em comer à mesa |
| Pele mais seca, cabelo mais frágil, unhas quebradiças | Preparação de refeições simples ou inexistentes |
| Edemas nos pés ou tornozelos (sinal de desnutrição avançada) | Comentários como ‘não tenho fome’ ou ‘não me apetece nada’ |
| Cicatrização mais lenta de feridas | Frigorífico e armários quase vazios ou com alimentos vencidos |
Quantas calorias precisa um idoso por dia?
As necessidades calóricas diminuem com a idade, mas continuam a ser significativas, especialmente porque a qualidade nutricional dos alimentos consumidos se torna ainda mais importante quando as quantidades são menores.
| Grupo | Necessidades calóricas diárias estimadas | Observações |
| Idosos ativos (65-74 anos) | 1.800 a 2.200 kcal | Valores mais elevados para quem mantém atividade física regular |
| Idosos com mobilidade reduzida (75+ anos) | 1.600 a 1.900 kcal | Menor gasto energético mas necessidades proteicas mantêm-se elevadas |
| Idosos acamados ou muito dependentes | 1.400 a 1.700 kcal | Valores dependem do estado clínico e devem ser definidos pelo médico ou nutricionista |
| Proteína recomendada (qualquer idoso) | 1,0 a 1,2 g por kg de peso corporal por dia | Valores superiores em caso de doença aguda ou recuperação pós-hospitalar |
Estes valores são orientações gerais. As necessidades individuais variam em função do estado de saúde, do nível de atividade física e de eventuais condições clínicas. Um nutricionista ou médico são os profissionais indicados para definir as necessidades específicas de cada pessoa.
Quais os riscos da perda de apetite no idoso?
Os riscos da perda de apetite não tratada nos idosos são sérios e progressivos. Segundo o Projeto Nutrition UP 65 da DGS, 14,8% dos idosos portugueses têm risco de desnutrição e 1,3% estão efetivamente desnutridos. Em contextos de internamento e de dependência, estes números sobem dramaticamente. A perda de apetite é muitas vezes o primeiro sinal de um processo de deterioração que, se não for interrompido, compromete gravemente a saúde e a autonomia.
A perda de apetite causa desnutrição?
Sim. A desnutrição é a consequência mais direta e mais grave da perda de apetite prolongada nos idosos. Ocorre quando o organismo não recebe as calorias, proteínas, vitaminas e minerais de que necessita para manter as suas funções básicas. A desnutrição afeta mais de metade dos idosos com hiporexia e tem consequências que se ramificam por praticamente todos os sistemas do organismo.
O que torna a desnutrição nos idosos particularmente insidiosa é que pode instalar-se de forma silenciosa e progressiva. O organismo vai compensando durante semanas ou meses, consumindo as suas reservas, até que as consequências se tornam visíveis e difíceis de reverter. A intervenção precoce é por isso fundamental.
Qual a relação entre perda de apetite e sarcopenia?
A perda de apetite e a sarcopenia, que é a perda progressiva de massa e força muscular com a idade, formam um ciclo vicioso difícil de interromper. A ingestão insuficiente de proteínas acelera a perda muscular; a perda muscular reduz a capacidade de movimento e o gasto energético; a menor atividade física reduz ainda mais o apetite. E assim o ciclo continua.
O Projeto Nutrition UP 65 revelou que 11,2% dos idosos portugueses têm sarcopenia. Este dado é particularmente preocupante porque a sarcopenia compromete diretamente a autonomia funcional, aumenta o risco de quedas e fraturas e está associada a um maior risco de mortalidade. Como exploramos no artigo sobre o sedentarismo e os seus efeitos no envelhecimento, a inatividade física e a desnutrição são dois fatores que se amplificam mutuamente na deterioração da saúde muscular dos idosos.
A falta de apetite aumenta o risco de quedas?
Sim. A relação entre desnutrição e risco de quedas nos idosos é bem estabelecida na literatura científica. A perda de massa muscular reduz a força e o equilíbrio. A falta de vitaminas e minerais essenciais, como a vitamina D e o cálcio, compromete a saúde óssea e a coordenação neuromuscular. A hipotensão postural, frequente em idosos desnutridos e desidratados, provoca tonturas ao levantar que podem resultar em quedas graves.
As quedas nos idosos são uma das principais causas de hospitalização, de perda de autonomia e de mortalidade na terceira idade. Prevenir a desnutrição é, portanto, também uma forma direta e eficaz de prevenir quedas.
Quando é que a perda de apetite é sinal de urgência médica?
Nem toda a perda de apetite exige ida de urgência ao hospital, mas existem sinais que indicam necessidade de avaliação médica prioritária:
- Perda de peso superior a 5% do peso corporal em menos de um mês, ou superior a 10% em seis meses;
- Recusa total de alimentos e líquidos durante mais de 24 a 48 horas;
- Confusão mental, desorientação ou alteração súbita do estado de consciência;
- Sinais de desidratação grave: urina muito escura ou ausente, boca muito seca, olhos encovados;
- Dificuldade em engolir com risco de engasgamento ou tosse persistente a comer;
- Dor abdominal intensa, náuseas ou vómitos persistentes;
- Febre ou outros sinais de infeção associados à perda de apetite.
Em qualquer destas situações, contacte o médico de família ou dirija-se a um serviço de urgência. Para idosos com mobilidade reduzida ou dependência, os cuidados de saúde ao domicílio permitem uma avaliação clínica em casa, evitando o stress e os riscos de uma deslocação ao hospital.
Que doenças estão associadas à perda de apetite no idoso?
A perda de apetite nos idosos raramente tem uma causa única. Na maioria dos casos, resulta de vários fatores que se somam: alterações biológicas do envelhecimento, doenças crónicas, efeitos da medicação, problemas orais e fatores emocionais e sociais. Identificar as causas específicas de cada caso é fundamental para encontrar a resposta certa.
Que alterações biológicas do envelhecimento afetam o apetite?
O envelhecimento provoca um conjunto de alterações fisiológicas que reduzem progressivamente a perceção de fome e aumentam a saciedade:
- Diminuição da sensibilidade do paladar e do olfato: com a idade, o número de papilas gustativas reduz-se e a capacidade olfativa declina. Os alimentos perdem sabor e aroma, tornando-se menos apelativos;
- Atraso no esvaziamento gástrico: o estômago demora mais tempo a esvaziar-se, o que prolonga a sensação de saciedade muito além do necessário;
- Alterações hormonais: os níveis de grelina, a hormona que estimula a fome, diminuem com a idade; os de colecistocinina, que promove a saciedade, aumentam;
- Menor produção de saliva: a boca mais seca dificulta a mastigação e a deglutição, tornando as refeições mais desconfortáveis;
- Alterações dentárias: a perda de dentes, o uso de próteses mal adaptadas e as dores dentárias limitam os alimentos que o idoso consegue mastigar.
Que doenças físicas causam perda de apetite nos idosos?
| Doença / Condição | Como afeta o apetite |
| Cancro (qualquer tipo) | Produz substâncias inflamatórias que suprimem o apetite; os tratamentos como quimioterapia e radioterapia causam náuseas e alterações do paladar |
| Insuficiência cardíaca | O edema abdominal cria sensação de plenitude; a fadiga reduz a energia para comer |
| Doença renal crónica | Acumulação de ureia provoca náuseas e sabor metálico na boca |
| Doença de Parkinson | Disfagia (dificuldade em engolir), tremores e rigidez dificultam o ato de comer |
| Doença de Alzheimer e outras demências | O idoso pode esquecer que não comeu, não reconhecer os alimentos ou perder as competências para usar os talheres |
| Hipotiroidismo | Metabolismo lento associado a fadiga, obstipação e redução do apetite |
| Diabetes descontrolada | Hiperglicemia provoca náuseas e reduz a perceção de fome |
| Doenças gastrointestinais | Refluxo, gastrite, obstipação severa ou síndrome do intestino irritável causam desconforto associado às refeições |
| Dor crónica | A dor persistente, especialmente articular ou abdominal, suprime o apetite e reduz a motivação para comer |
| Infeções e inflamação crónica | Estados inflamatórios e infeções ativas suprimem o apetite através de mecanismos imunitários |
A depressão e a solidão afetam o apetite do idoso?
Sim. Os fatores emocionais e sociais têm um impacto direto e muitas vezes subestimado no apetite dos idosos. A depressão é uma das causas mais frequentes de perda de apetite nesta faixa etária, e muitas vezes não é reconhecida nem tratada. A solidão é outro fator determinante: comer sozinho, sem companhia, sem conversa e sem o prazer social da refeição partilhada, reduz significativamente o interesse pela alimentação.
O luto pela perda do cônjuge ou de amigos próximos, a perda de autonomia, a falta de rotina e o sentimento de inutilidade que alguns idosos desenvolvem com a reforma são também causas frequentes de desinteresse pela alimentação. Como exploramos no artigo sobre a depressão nos idosos, esta condição afeta uma parte significativa da população sénior portuguesa e tem consequências em múltiplas dimensões da saúde, incluindo a alimentação.
Os medicamentos podem causar perda de apetite no idoso?
Sim. Muitos dos medicamentos mais prescritos em idosos têm efeitos secundários que afetam diretamente o apetite ou tornam as refeições menos agradáveis. Este é um fator frequentemente ignorado e que merece atenção especial, especialmente em idosos polimedicados.
| Classe de medicamentos / Exemplos comuns | Efeito no apetite |
| Antibióticos: amoxicilina, azitromicina | Náuseas, alteração da flora intestinal, sabor metálico |
| Antidepressivos: fluoxetina, sertralina (fase inicial) | Náuseas frequentes nas primeiras semanas de tratamento |
| Diuréticos: furosemida, espironolactona | Desequilíbrio eletrolítico com náuseas e fraqueza |
| Metformina (diabetes tipo 2) | Náuseas e desconforto gastrointestinal, especialmente no início |
| Digoxina (insuficiência cardíaca) | Náuseas e vómitos mesmo em doses terapêuticas |
| Anti-inflamatórios: ibuprofeno, naproxeno | Irritação gástrica, dor abdominal, náuseas |
| Opióides: morfina, tramadol | Náuseas intensas, obstipação e sonolência que reduz o interesse pelas refeições |
| Quimioterapia | Náuseas, vómitos, alteração grave do paladar e do olfato |
Se suspeitar que a perda de apetite pode estar relacionada com a medicação, não suspenda nem altere nenhum medicamento sem consultar o médico. O tema deve ser discutido numa consulta, especialmente em idosos que tomam vários medicamentos em simultâneo. O nosso artigo sobre polimedicação nos idosos explora em detalhe os riscos dos efeitos secundários cumulativos e como geri-los de forma segura.
Problemas dentários e de deglutição afetam o apetite?
Sim. A saúde oral e a capacidade de deglutição têm uma influência direta e frequentemente subestimada no apetite dos idosos. Dentes em mau estado, próteses mal adaptadas, gengivas dolorosas ou a perda de dentes tornam a mastigação dolorosa ou ineficaz, levando o idoso a evitar alimentos sólidos e nutritivos.
A disfagia, que é a dificuldade em engolir, é comum em idosos com doença de Parkinson, após AVC, em casos de demência avançada ou em estados de grande debilidade geral. Um idoso com disfagia tende a evitar as refeições por medo de engasgamento, o que agrava rapidamente o estado nutricional. Esta condição requer avaliação especializada por um terapeuta da fala e adaptação das texturas dos alimentos.
O que fazer quando um idoso não quer comer?
A perda de apetite nos idosos pode ser abordada de múltiplas formas, que vão desde adaptações simples na rotina alimentar até intervenções clínicas específicas. A abordagem mais eficaz é sempre a que identifica e trata as causas subjacentes, mas existem estratégias práticas que podem fazer uma diferença imediata na ingestão alimentar.
Como adaptar as refeições para estimular o apetite?
- Fraccionar as refeições: em vez de três refeições grandes, ofereça 5 a 6 pequenas porções ao longo do dia. Refeições menores são menos intimidantes e mais fáceis de aceitar;
- Apresentação apelativa: pratos coloridos, com diferentes texturas e bem apresentados estimulam visualmente o apetite. O aspeto dos alimentos é mais importante do que se pensa;
- Temperatura certa: os alimentos quentes servidos na temperatura certa têm mais aroma e são mais apelativos. Evite deixar a refeição arrefecer antes de servir;
- Horários regulares: o organismo adapta-se melhor quando as refeições ocorrem sempre à mesma hora. A regularidade cria antecipação e estimula o apetite de forma reflexa;
- Respeitar preferências: pergunte ao idoso o que gostava de comer. Dar-lhe controlo sobre as escolhas alimentares aumenta a motivação para comer;
- Comer em companhia: partilhar a refeição com família, amigos ou cuidadores é um dos fatores que mais aumenta a ingestão alimentar nos idosos. A dimensão social da refeição não deve ser subestimada;
- Ambiente agradável: a mesa posta, uma boa luz, música suave e um ambiente tranquilo tornam a refeição uma experiência mais positiva.
Que alimentos são mais indicados quando o apetite está reduzido?
Quando a quantidade que o idoso consegue comer é limitada, a prioridade deve ser a densidade nutricional: cada porção deve conter o máximo de nutrientes possível num volume reduzido. Esta abordagem chama-se enriquecimento dietético.
| Alimento / Estratégia | Benefício nutricional |
| Azeite adicionado a purés e sopas | Aumenta as calorias sem aumentar o volume; fonte de gorduras saudáveis |
| Ovo inteiro (escalfado, mexido, em omeleta) | Proteína de alto valor biológico, fácil de mastigar e de preparar |
| Iogurte grego natural | Rico em proteína e cálcio, textura agradável e fácil de ingerir |
| Queijo fresco ou ricotta adicionado a sopas e purés | Enriquece a proteína e as calorias sem alterar significativamente o sabor |
| Abacate | Muito calórico e rico em gorduras saudáveis, textura cremosa fácil de comer |
| Frutos secos moídos adicionados a papas ou iogurtes | Concentrado de calorias, gorduras saudáveis e proteína vegetal |
| Leguminosas em puré (feijão, lentilhas, grão) | Proteína vegetal, fibra e ferro em formato fácil de comer |
| Peixe gordo (salmão, sardinha) em preparações macias | Proteína de qualidade e ómega-3 com efeito anti-inflamatório |
| Batata-doce e abóbora cozidas | Calóricas, ricas em vitaminas A e C, textura suave e sabor agradável |
A dieta mediterrânica adaptada às capacidades do idoso, com ênfase em preparações macias, sopas enriquecidas, peixe, leguminosas e azeite, é o padrão alimentar com melhor perfil nutricional e maior evidência de benefício para a saúde nesta faixa etária.
Existem suplementos nutricionais para idosos com falta de apetite?
Sim. Quando a alimentação normal não é suficiente para cobrir as necessidades nutricionais, o médico ou o nutricionista pode recomendar suplementos nutricionais orais, também chamados de suplementos hipercalóricos ou hiperproteicos. São produtos específicos para contexto clínico, disponíveis em farmácias, que fornecem um concentrado de calorias, proteínas, vitaminas e minerais num pequeno volume de líquido.
Estes suplementos não devem ser usados como substitutos das refeições, mas como complemento quando a ingestão alimentar é claramente insuficiente. A sua indicação, o tipo e a quantidade devem ser definidos por um profissional de saúde, que avalia as necessidades específicas de cada pessoa e monitoriza a resposta ao tratamento.
Para além dos suplementos líquidos, podem ser indicados suplementos específicos de proteína, vitamina D, cálcio ou complexo B, dependendo dos défices identificados nas análises de sangue. A vitamina D, em particular, está em défice em 40% dos idosos portugueses de acordo com o Projeto Nutrition UP 65, o que tem impacto direto na força muscular, na saúde óssea e no bem-estar geral.
Como tornar as refeições mais apelativas para idosos com demência?
Os idosos com demência ou Alzheimer apresentam desafios particulares na alimentação que requerem abordagens específicas:
- Usar pratos de cores contrastantes com os alimentos para ajudar na perceção visual (por exemplo, prato branco com alimentos coloridos);
- Oferecer finger foods, ou seja, alimentos que se podem comer com as mãos, quando o uso de talheres se tornou difícil;
- Apresentar um alimento de cada vez, em vez de um prato cheio, que pode ser confuso ou desorientador;
- Usar um tom de voz calmo e instruções simples durante a refeição;
- Manter uma rotina rigorosa de horários, local e ambiente das refeições;
- Ter presente que em fases avançadas de demência pode ser necessário recurso a alimentação por via alternativa, em decisão partilhada com a equipa de saúde e a família.
Que médico consultar quando um idoso não come?
O ponto de entrada é sempre o médico de família, que conhece o historial do idoso e pode fazer uma avaliação inicial das causas da perda de apetite, pedir análises e referenciar para os especialistas adequados conforme necessário.
| Especialista | Quando recorrer |
| Médico de família | Primeira avaliação, pedido de análises, avaliação de medicação e referenciação |
| Geriatra | Avaliação global do idoso com múltiplas condições de saúde e abordagem integrada |
| Nutricionista | Planeamento alimentar individualizado, suplementação e monitorização nutricional |
| Gastroenterologista | Quando existem sintomas digestivos persistentes: dor abdominal, náuseas, refluxo, obstipação grave |
| Terapeuta da fala | Quando existe disfagia (dificuldade em engolir) que compromete a alimentação |
| Psiquiatra ou psicólogo | Quando a perda de apetite tem causa emocional: depressão, ansiedade, luto |
| Médico dentista | Quando existem problemas dentários, próteses inadequadas ou dor oral que dificultam a mastigação |
Como o apoio domiciliário ajuda quando o idoso não quer comer?
A perda de apetite nos idosos é, em muitos casos, um problema que se instala e se agrava precisamente porque o idoso está sozinho. Sem companhia para comer, sem quem prepare uma refeição adequada, sem quem perceba que o prato voltou quase intocado e sem quem alerte a tempo para a deterioração que se instala. É neste contexto que o apoio domiciliário tem um papel que vai muito além do que é visível.
O que pode fazer um cuidador para estimular o apetite?
Um cuidador profissional presente no domicílio intervém de forma concreta em vários dos fatores que contribuem para a perda de apetite:
- Companhia durante as refeições: um dos fatores que mais aumenta a ingestão alimentar nos idosos é simplesmente não comer sozinho. O cuidador que está presente e conversa durante a refeição transforma um momento de obrigação numa experiência social positiva;
- Preparação de refeições adequadas: o cuidador pode preparar refeições adaptadas às preferências, capacidades mastigatórias e necessidades nutricionais do idoso, com a apresentação e a temperatura certas;
- Monitorização da ingestão alimentar: o cuidador regista o que o idoso come e bebe, identifica padrões e alerta a família ou os profissionais de saúde quando a ingestão é insuficiente;
- Hidratação regular: assegura que o idoso bebe líquidos ao longo do dia, um fator frequentemente negligenciado e que agrava a perda de apetite;
- Estímulo à atividade física leve: mesmo uma caminhada curta antes das refeições aumenta o gasto energético e estimula o apetite;
- Deteção precoce de sinais de alerta: a presença regular do cuidador permite identificar sinais precoces de desnutrição, disfagia ou deterioração clínica antes que se tornem urgentes.
A solidão é um dos fatores que mais frequentemente está na origem da perda de apetite nos idosos. A presença regular e empática de um cuidador combate este fator de forma direta, tornando as refeições momentos de convívio em vez de momentos de isolamento.
O apoio domiciliário da Caring inclui preparação de refeições?
Sim. O apoio domiciliário da Caring inclui a preparação de refeições adaptadas às necessidades e preferências de cada pessoa, o acompanhamento durante as refeições, a monitorização da hidratação e da ingestão alimentar e a comunicação regular com a família sobre o estado nutricional do idoso. O serviço é personalizado e adaptado às características e necessidades específicas de cada cliente.
Para famílias que estão preocupadas com a alimentação de um familiar idoso que vive sozinho ou que está a perder peso de forma preocupante, o apoio domiciliário pode ser a resposta que faltava. Não substitui o médico, o nutricionista ou outros profissionais de saúde, mas garante a presença regular, o cuidado diário e o acompanhamento que muitas vezes fazem toda a diferença.
A alimentação é cuidado. E o cuidado começa por estar presente.
A perda de apetite nos idosos é muito mais do que um problema alimentar. É frequentemente um sinal de que algo mudou na saúde, no estado emocional ou nas condições de vida de uma pessoa. Ignorá-la pode ter consequências sérias e progressivas. Percebê-la e agir a tempo pode fazer a diferença entre um processo de deterioração e uma recuperação.
As estratégias existem, são eficazes e muitas delas são simples. Refeições fracionadas, alimentos enriquecidos, companhia à mesa, hidratação regular, avaliação médica das causas subjacentes e, quando necessário, suplementação nutricional orientada por um profissional. O que é necessário, acima de tudo, é atenção e presença.
Se tem um familiar idoso que está a comer cada vez menos e não sabe como ajudar, fale com o médico de família e considere o apoio de um cuidador profissional. Conheça o serviço de apoio domiciliário da Caring e perceba como podemos ajudar. Para uma avaliação das necessidades do seu familiar, peça uma estimativa personalizada sem compromisso.
Nota: A informação apresentada neste artigo destina-se exclusivamente a fins informativos e educativos. Não substitui o aconselhamento médico ou nutricional personalizado. Perante sinais de perda de peso, desnutrição ou perda de apetite persistente num idoso, consulte sempre o médico assistente.