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Publicado em 17 Fev, 2026

Prevenção e Tratamento de Escaras – Saiba os procedimentos corretos e como lidar com estas feridas

Saiba o que são as escaras e como se formam as úlceras de pressão. Conheça os fatores de risco, sinais destas lesões na pele e as suas consequências. Veja ainda como prevenir e tratar as escaras.

As escaras, ou úlceras de pressão, são muito mais do que simples feridas na pele. Elas são sinais silenciosos de que o corpo de pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida atingiu o limite de resistência à imobilidade. O que começa como uma ligeira mancha vermelha pode, em poucas horas, evoluir para lesões profundas que atingem músculos e ossos, pondo em risco a vida do paciente. 

É por isso essencial saber o que são as feridas de pressão, compreender como se formam as escaras e os passos a dar para evitar complicações graves e garantir o conforto de quem mais amamos. Vamos desmistificar as causas reais das escaras, ensinar-lhe a identificar os sinais de alerta em cada estágio e apresentar as melhores estratégias de tratamento e prevenção. 

Descubra ainda como pequenos ajustes na rotina, na alimentação e o apoio domiciliário especializado podem ser o fator decisivo para uma recuperação rápida. Fique a saber como prevenir, conhecer os sinais, os fatores de risco e quais os tratamentos para as escaras. Tudo o que precisa saber está neste artigo.

 

O que são as escaras, ou úlceras de pressão?

As escaras, também conhecidas como úlceras de pressão ou feridas de pressão, são lesões com origem na pele e que se podem estender aos músculos, outros tecidos, cartilagens e ossos. Elas surgem primeiro através de vermelhidão superficial, mas podem progredir rapidamente se não forem tratadas. 

As escaras são causadas por falta de mobilidade e falta de mudanças de posição em pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida. Isso leva a uma circulação sanguínea insuficiente que, associada ao peso excessivo sobre partes do corpo (pressão), fricção constante, atrito prolongado ou humidade, origina estas lesões cutâneas. 

As escaras progridem quando não existe tratamento correto, e podem causar graves problemas de saúde. É extremamente importante a sua prevenção, através de mudanças de posicionamentos, uso de materiais que previnem úlceras de pressão, outros cuidados específicos e até uma boa alimentação. Quando surgem os sinais das escaras é igualmente importante agir com rapidez, pois o correto tratamento evita o agravamento das úlceras de pressão.

As escaras são as feridas que surgem na pele das pessoas acamadas?

Sim, as escaras são conhecidas principalmente pelas lesões na pele que causam em pessoas acamadas. Mas elas surgem também em outras pessoas que, por mobilidade reduzida ou sedentarismo, permanecem demasiado tempo na mesma posição ou a colocar pressão em determinadas zonas do corpo.

As escaras são uma doença?

Não, as escaras não são definidas como uma doença, mas sim como uma lesão. Geralmente, existem doenças que, pelo seu impacto na mobilidade das pessoas, têm como uma das consequências o aparecimento de úlceras de pressão. Sem esses fatores associados (sejam problemas músculo esqueléticos, lesões cerebrais ou problemas crónicos no estilo de vida, como o sedentarismo extremo), raramente surgem feridas de pressão na pele.

Como surgem as escaras?

As principais razões para o surgimento das escaras são as seguintes:

  • Pressão prolongada: O peso do corpo sobre superfícies duras comprime os vasos sanguíneos, impedindo que o oxigénio e os nutrientes cheguem aos tecidos da pele;
  • Imobilidade ou mobilidade reduzida: A incapacidade de mudar de posição autonomamente mantém a pressão constante sobre os mesmos pontos ósseos, como o cóccix ou os calcanhares;
  • Fricção ou atrito: O contacto repetido da pele ao deslizar contra lençóis ou roupas de cama provoca lesões nas camadas superficiais que fragilizam a proteção natural do corpo;
  • Cisalhamento: Esta força ocorre quando a pele fica fixa a uma superfície enquanto o corpo desliza, provocando o estiramento e a rutura dos vasos sanguíneos profundos;
  • Humidade excessiva: A exposição contínua a suor, urina ou fezes amolece a pele (maceração), tornando-a muito mais suscetível a romper-se sob qualquer pressão;
  • Nutrição e hidratação deficientes: A falta de nutrientes essenciais, a desidratação e a perda de colagénio tornam a pele mais fina e menos elástica, o que compromete drasticamente a resistência dos tecidos e a sua capacidade de regeneração;
  • Vincos na roupa ou lençóis: As dobras nos tecidos criam pontos de pressão localizada e irregular que, ao fim de poucas horas, podem interromper a microcirculação e dar início à morte dos tecidos;
  • Falta de higiene pessoal: A acumulação de impurezas e resíduos na pele altera o seu pH natural, destruindo a barreira lipídica protetora e facilitando a entrada de bactérias em pequenas fissuras. Esta situação, comum quando existem dificuldades na higiene dos idosos, pode causar infeções bacterianas que agravam a severidade e a propagação das úlceras de pressão.

 

Como se classificam as escaras de acordo com a sua gravidade?

Existem quatro níveis de severidade das escaras (estágios das úlceras de pressão), a que se juntam mais duas condições associadas que devem ser tidas em consideração. O quadro seguinte indica-lhe os estágios das úlceras de pressão, os sinais principais e a profundidade destas feridas.

 

Estágio Descrição Identificação Visual Profundidade
Estágio 1:

Eritema não branqueável

Pele intacta com vermelhidão que não desaparece quando pressionada (não branqueia). 

A área pode estar mais quente, fria, dura ou macia comparada com o tecido adjacente. 

Pode haver dor ou comichão.

Vermelhidão persistente numa zona de pressão (sacro, calcanhares, cotovelos). 

Em peles mais escuras, pode não haver palidez visível mas a área pode ter cor diferente (púrpura, azulada) ou textura alterada.

Superficial(só pele)
Estágio 2:

Perda parcial da espessura da pele

Perda parcial da derme.

Pode apresentar uma bolha (flictena) intacta ou rompida, cheia de líquido seroso.

Ferida superficial brilhante ou seca, sem tecido necrótico visível. 

Assemelha-se a uma abrasão, bolha ou cratera rasa. 

A base é vermelha/rosa.

Derme

(camada intermédia da pele)

Estágio 3:

Perda total da espessura da pele

Perda completa da pele, com exposição de gordura subcutânea. 

Possibilidade de existência de tecido necrótico.

O osso, tendão ou músculo não são visíveis.

Pode haver descolamento e tunelização (bolsas que se estendem além da ferida visível).

Cratera profunda, com ou sem descolamento das bordas. 

Gordura amarelada pode ser visível. 

Pode ter tecido morto (esfacelo) amarelo ou castanho. Profundidade varia conforme a localização anatómica.

Tecido subcutâneo

(gordura)

Estágio 4:

Perda total dos tecidos

Perda total da pele. Frequentemente com escara negra ou esfacelo. 

Presença comum de descolamento e tunelização.

Ferida profunda e extensa com exposição ou palpação direta de osso, tendão ou músculo. 

Frequentemente com tecido morto negro (escara negra) ou amarelo (esfacelo). 

Risco elevado de osteomielite (infeção óssea).

Músculo / osso (estruturas profundas)
Lesão por pressão que não pode ser classificada Perda total da pele e tecido em que a profundidade real está completamente obscurecida por esfacelo (amarelo, castanho, cinza) ou escara (castanho, castanho-claro, preto). 

Até ser removido o tecido necrótico, para expor a base da ferida, não é possível determinar se é Estágio III ou IV.

Ferida coberta por tecido morto amarelo, castanho ou negro, que impede a visualização da profundidade. 

Pode ser macia ou dura. 

Não remover este tecido sem orientação médica adequada.

Indeterminada (coberta por necrose)
Suspeita de lesão tissular profunda Área localizada de pele intacta ou com bolha de sangue (hematoma) de cor púrpura ou castanha-avermelhada.

Causada por dano no tecido mole subjacente devido a pressão e/ou cisalhamento. 

A área pode estar dolorosa, firme, mole, mais quente ou fria comparada com o tecido adjacente.

Mancha púrpura, castanha-avermelhada ou bolha de sangue em pele intacta. 

Frequentemente evolui rapidamente mesmo com tratamento adequado, podendo expor camadas adicionais de tecido. 

Particularmente perigosa porque o dano pode ser mais extenso do que aparenta.

Tecido profundo

(dano sob pele intacta)

 

Em que locais do corpo é mais habitual surgirem escaras?

Os locais do corpo onde as escaras surgem com mais frequência são os seguintes, de acordo com a investigação e dados sobre úlceras de pressão da ARS do Algarve:

 

Zona do Corpo Locais Causas
Região Isquiática (24%) Parte inferior das nádegas (conhecidos como os “ossos de sentar”). Pressão excessiva e contínua ao permanecer sentado em cadeiras de rodas ou poltronas sem as almofadas de alívio adequadas.
Região Sacrococcígea (23%) Base da coluna vertebral (o sacro ou “fundo das costas”). É a zona mais crítica para quem está acamado de barriga para cima, pois suporta grande parte do peso do tronco contra o colchão.
Região Trocantérica (15%) Parte lateral da anca (o osso saliente que sentimos de lado). Frequente em pessoas que dormem ou estão deitadas de lado por longos períodos sem alternância de posição.
Calcanhares (8%) Parte posterior do pé. Ponto de apoio pequeno e muito ossudo, que sofre uma pressão intensa e rápida se os pés não forem elevados ou protegidos.
Outras Zonas (30%) Principalmente tornozelos, cotovelos, orelhas e omoplatas. Contacto direto com a cama ou, no caso dos tornozelos, da fricção de um pé contra o outro quando não há separação.

 

Qual a diferença entre escaras e outras feridas da pele?

A diferença fundamental entre úlceras de pressão e outras feridas da pele está na sua origem. As feridas comuns (como cortes, queimaduras ou úlceras vasculares) surgem de traumas externos ou problemas de circulação geral, enquanto as escaras são causadas exclusivamente pela pressão mecânica prolongada que interrompe o fluxo sanguíneo num ponto específico. 

Além disso, as escaras surgem quase sempre sobre proeminências ósseas (onde o osso está mais perto da pele), o que não é uma regra para outros tipos de lesões cutâneas.

As escaras causam dor?

Sim, as escaras podem ser extremamente dolorosas. As dores são causadas pelos danos das terminações nervosas da pele, a dor é mais intensa durante o tratamento, limpezas ou mudanças de posição.

Nos estágios iniciais (Grau I e II), a dor é aguda devido à inflamação e à irritação dos nervos que ainda estão intactos. Nos estágios mais profundos (Grau III e IV), pode ocorrer uma morte das terminações nervosas no centro da ferida, o que reduz a sensibilidade local, mas a zona circundante e os tecidos profundos continuam a causar dor intensa.

O que é a Escala de Braden para as úlceras de pressão?

A Escala de Braden é uma ferramenta clínica de avaliação de risco, utilizada por profissionais de saúde, para prever o risco de um doente vir a desenvolver escaras. As seis categorias avaliadas, que podem ser vistas ao detalhe no quadro com a Escala de Braden da Sociedade Portuguesa de Feridas (ELCOS) são:

  1. Perceção sensorial (capacidade de reagir ao desconforto);
  2. Humidade (exposição da pele a fluidos);
  3. Atividade física (grau de atividade);
  4. Mobilidade (capacidade de mudar a posição do corpo);
  5. Nutrição (padrão de ingestão alimentar);
  6. Fricção e cisalhamento (atrito com lençóis ou superfícies).

 

Na Escala de Braden, quanto menor for a pontuação final, maior é o risco de o paciente desenvolver uma escara. Esta avaliação serve para avaliar a necessidade de medidas preventivas imediatas e permite estar ainda mais atento aos sinais do surgimento de úlceras de pressão.

 

Quais os sinais do surgimento das escaras?

Os principais sinais do surgimento de escaras, que devem ser observados através de uma inspeção da pele, são os seguintes:

  • Vermelhidão persistente: área avermelhada que não desaparece (não branqueia) quando pressionada com o dedo, indicando que o fluxo sanguíneo está comprometido e os tecidos começaram  a sofrer danos;
  • Alterações de temperatura: zona da pele mais quente ou mais fria do que o tecido circundante, mesmo sem alteração visível de cor, que sinaliza inflamação ou má circulação localizada;
  • Mudanças na cor da pele: alterações nos tons de peles claras (para tons avermelhados, púrpura ou azulados) e em em peles escuras (paratons mais escuros, acinzentados, púrpura ou brilhantes), que indicam dano tissular subjacente;
  • Alterações de textura: pele mais dura, tensa, esponjosa ou inchada em comparação com as áreas adjacentes, revelando acumulação de líquido ou morte celular inicial;
  • Dor ou desconforto: sensibilidade aumentada, ardor, comichão ou dor localizada numa zona de pressão, mesmo sem lesão visível, frequentemente o primeiro alerta de dano tissular;
  • Formação de bolhas: bolhas (flictenas) cheias de líquido claro ou sangue sobre áreas de pressão, indicando que a derme já está danificada e existe perda parcial da espessura da pele;
  • Pele brilhante ou esticada: aspeto liso, tenso e brilhante da pele sobre zonas ósseas proeminentes, sugerindo edema (inchaço) e pressão excessiva prolongada;
  • Abrasões ou feridas superficiais: pequenas erosões, arranhões ou descamação da pele em áreas de fricção constante, como calcanhares, cotovelos ou sacro;
  • Aparecimento de cratera ou depressão: afundamento visível da pele com exposição de tecido subcutâneo (gordura amarelada), indicando progressão para estágio III;
  • Tecido necrótico visível: presença de tecido morto amarelo (esfacelo) ou negro (escara) cobrindo a ferida, sinalizando perda total de tecido e necessidade de intervenção médica urgente;
  • Odor desagradável: cheiro fétido proveniente da área afetada, sugerindo infeção bacteriana ou necrose avançada dos tecidos;
  • Exsudado (drenagem): presença de líquido amarelado, esverdeado, turvo ou sanguinolento saindo da ferida, indicando infeção ou processo inflamatório ativo;
  • Bordas irregulares ou descoladas: pele ao redor da ferida que se desprende facilmente ou forma “bolsas” (tunelização), revelando dano mais extenso sob a superfície visível;
  • Exposição de estruturas profundas: visualização ou palpação de osso, tendão ou músculo através da ferida, sinal de estágio IV que requer tratamento hospitalar imediato;
  • Mancha púrpura ou castanha em pele intacta: hematoma ou descoloração arroxeada/castanha sem ferida aparente, sugerindo lesão tissular profunda sob a pele que pode evoluir rapidamente.

 

Estes sinais requerem avaliação imediata por profissionais de saúde qualificados, como médicos de clínica geral ou dermatologistas. Eles são também analisados, para pedir uma avaliação especializada, por enfermeiros que prestam cuidados de saúde ao domicílio. Esta avaliação é essencial, porque a progressão das escaras pode ser rápida, especialmente em pessoas com má circulação, diabetes, desnutrição ou sistema imunitário comprometido.

Quanto tempo demora a desenvolver uma escara?

Uma escara pode desenvolver-se de forma bastante rápida, e bastam 2 horas de pressão contínua e falta de circulação sanguínea para a pele começar a sofrer uma úlcera de pressão. Estas lesões iniciais são de Estágio 1, menos graves e mais fáceis de reverter se a pressão for aliviada de imediato.

No entanto, caso não sejam feitas mudanças de posicionamento, a progressão é veloz, pois em 2 a 6 horas podem surgir feridas abertas (Estágio 2). Esta situação é perigosa especialmente em doentes já debilitados ou com má nutrição, pois a evolução para os estágios mais graves pode ser extremamente rápida. 

Outro risco grave é a “lesão de tecidos profundos”, ou escaras escondidas. Nesta situação a pele parece intacta à superfície, mas já existe uma escara de Estágio 3 ou 4 a desenvolver-se debaixo da pele, tornando o tratamento muito mais complexo.

Que pessoas sofrem maior risco de ter escaras?

Os grupos de pessoas com maior risco de desenvolver úlceras de pressão são os seguintes:

  • Pessoas acamadas ou com mobilidade severamente reduzida: indivíduos que permanecem na mesma posição por longos períodos sem capacidade de se moverem sozinhos, levando à pressão constante sobre as mesmas áreas do corpo;
  • Pessoas com lesões medulares ou paralisia: indivíduos com paraplegia, tetraplegia ou outras condições que causam perda de sensibilidade e mobilidade, impedindo que sintam desconforto e se reposicionem naturalmente;
  • Pacientes em cuidados intensivos ou pós-operatórios: pessoas sob sedação prolongada, anestesia ou em estado crítico que permanecem imóveis por períodos extensos, frequentemente com suporte ventilatório ou medicação que reduz a perceção de dor;
  • Pessoas com diabetes: a doença causa má circulação sanguínea (especialmente nas extremidades), neuropatia (perda de sensibilidade) e cicatrização lenta, tornando qualquer lesão mais difícil de detectar e tratar. Esta situação é agravada pela obesidade, e exige ainda mais cuidados na boa alimentação para um diabético;
  • Indivíduos com problemas circulatórios: pessoas com doença arterial periférica, insuficiência venosa, ou outros problemas vasculares que reduzem o fluxo de sangue e oxigénio para os tecidos, acelerando a morte celular;
  • Pessoas com incontinência urinária ou fecal: a exposição prolongada da pele à humidade de urina ou fezes causa maceração (amolecimento) da pele, aumenta o pH cutâneo e cria ambiente propício para infeções e degradação do tecido;
  • Pacientes com demência ou défice cognitivo: indivíduos com Alzheimer, demência ou confusão mental que não conseguem comunicar desconforto, não entendem a necessidade de se moverem ou resistem aos cuidados de reposicionamento;
  • Pessoas com doenças crónicas debilitantes: pacientes com cancro, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), insuficiência renal ou doenças degenerativas que causam fraqueza generalizada, má nutrição e imobilidade progressiva;
  • Indivíduos com edema (inchaço): acumulação de líquido nos tecidos que reduz a elasticidade da pele, compromete a circulação local e torna os tecidos mais vulneráveis à pressão e fricção;
  • Pessoas com histórico anterior de escaras: indivíduos que já desenvolveram úlceras de pressão têm risco aumentado de recorrência, pois a pele cicatrizada é mais frágil e menos resistente à pressão;
  • Pacientes em uso de medicação específica: pessoas que tomam corticosteroides (reduzem a capacidade de cicatrização), sedativos (diminuem a mobilidade espontânea) ou anticoagulantes (aumentam risco de hematomas e lesões tissulares profundas);
  • Indivíduos institucionalizados ou hospitalizados por longos períodos: permanência prolongada em lares, hospitais ou unidades de cuidados continuados aumenta exposição a fatores de risco múltiplos e pode levar a menor atenção individualizada preventiva, aumentando o risco em comparação a quem recorre ao apoio domiciliário a idosos.

 

Cada uma destas situações representa uma condição de risco, mas o perigo de sofrer feridas de pressão é aumentado nas pessoas que combinam vários destes fatores. Isso aumenta exponencialmente o risco e exige um acompanhamento redobrado com cuidados pessoas no domicílio.

Quais os fatores de risco para o surgimento das escaras?

Os principais fatores de risco para o surgimento de escaras estão associados à idade, a más rotinas e maus hábitos alimentares. Estas situações, associadas a doenças preexistentes aumenta exponencialmente o risco do surgimento de escaras. 

 

Fator de Risco Motivo
Idosos A pele torna-se mais fina, frágil e menos elástica com a idade, perdendo gordura subcutânea protetora e capacidade de regeneração, o que aumenta dramaticamente a vulnerabilidade a lesões por pressão
Desnutrição ou baixo peso A falta de proteínas, vitaminas (especialmente C e A) e minerais (como zinco) compromete a saúde da pele e a capacidade de reparação tecidular, enquanto a ausência de gordura subcutânea deixa os ossos mais expostos à pressão
Obesidade O peso excessivo aumenta a pressão sobre áreas específicas do corpo, causa maior fricção e cisalhamento durante movimentos, e dificulta o reposicionamento adequado pelos cuidadores
Fumadores O tabagismo reduz a oxigenação dos tecidos, compromete a circulação sanguínea periférica e atrasa significativamente os processos de cicatrização
Pele muito seca ou muito húmida A pele excessivamente seca torna-se quebradiça e propensa a fissuras, enquanto pele constantemente húmida (suor, incontinência) amolece e torna-se vulnerável a lesões por fricção
Temperatura corporal alterada A febre prolongada aumenta o metabolismo dos tecidos e a necessidade de oxigénio, enquanto hipotermia reduz a circulação periférica, ambas comprometendo a saúde da pele
Sedentarismo A permanência durante largos períodos de tempo no mesmo local e posição pode levar à má circulação e, por consequência, ao surgimento de feridas de pressão
Desidratação ou baixa ingestão de líquidos A falta de hidratação adequada reduz a elasticidade e resistência da pele, tornando-a mais seca, quebradiça e vulnerável a lesões. A desidratação também compromete a circulação sanguínea e a capacidade de regeneração celular
Fricção e cisalhamento repetidos Movimentos inadequados durante transferências, reposicionamento ou deslizamento na cama/cadeira causam forças de fricção e cisalhamento que danificam as camadas da pele e dos tecidos subcutâneos, mesmo sem pressão prolongada
Equipamento inadequado Colchões duros ou muito macios, cadeiras sem almofadas apropriadas, lençóis com rugas ou costuras salientes aumentam os pontos de pressão localizada e reduzem a distribuição uniforme do peso corporal
Má higiene da pele Acumulação de suor, sujidade, resíduos de produtos ou falta de limpeza adequada cria ambiente propício para irritação cutânea, maceração da pele e proliferação bacteriana que enfraquecem a barreira protetora da pele
Roupas ou roupa de cama inadequadas Tecidos ásperos, sintéticos ou com costuras grosseiras causam fricção constante; lençóis com rugas ou dobras criam pontos de pressão adicional; roupas apertadas reduzem circulação sanguínea
Défices nutricionais A anemia e a falta de proteínas ou vitaminas causa dificuldades na saúde e regeneração da pele, e na oxigenação dos tecidos, que potenciam o risco de escaras

 

Como confirmar que uma pessoa tem úlceras de pressão?

A confirmação das úlceras de pressão é feita através de uma avaliação clínica realizada por profissionais de saúde qualificados. Estes médicos procuram sinais evidentes que identificam a presença das escaras. Entre os métodos usados na avaliação estão a inspeção visual da pele, avaliação das características da lesão, palpação, a aplicação da Escala de Braden, sinais de complicações associadas (febre, dor, odor a pus e outros), bem como o acompanhamento da evolução da ferida.

Que médico é responsável por identificar a existência de escaras?

A identificação das escaras normalmente é feita, numa fase inicial, pelo médico de clínica geral, enfermeiros ou médicos da especialidade e intensivistas que acompanham o doente e conseguem reconhecer os sinais da lesão. Através de consultas, também dermatologistas, cirurgiões plásticos ou fisiatras podem reconhecer os sinais das úlceras de pressão.

Os ajudantes familiares da Caring trabalham na prevenção das causas das escaras, como mudanças de posicionamentos regulares. Mas as equipas de apoio domiciliário estão também treinadas para identificar os sinais destas lesões. Neste caso, para evitar que o problema se agrave e surjam complicações, a família da pessoa ao nosso cuidado é imediatamente informada, para que seja obtida a confirmação e apoio médico no mais curto espaço temporal.

 

Que complicações causam as escaras?

As principais complicações derivadas das escaras são as seguintes:

 

Consequência Explicação Urgência médica
Sepsis 

(Infecção Generalizada)

A infeção da escara entra na corrente sanguínea e espalha-se pelo corpo todo, podendo levar à falência de órgãos Emergência (112) – Se o doente apresenta febre alta, confusão mental ou tremores, é um caso de vida ou morte
Necrose e Gangrena Morte definitiva dos tecidos (músculo e pele), que ficam negros e com odor fétido, impedindo qualquer hipótese de cicatrização natural Urgente – Necessita de intervenção médica para limpeza cirúrgica e remoção (desbridamento) imediata
Artrite Séptica A infeção espalha-se para as articulações próximas da escara (como a anca), provocando dores extremas e perda de movimento Urgente – Requer tratamento hospitalar para salvar a funcionalidade da articulação
Osteomielite

(Infecção Óssea)

A infeção penetra tão profundamente que atinge o osso. É uma situação grave, difícil de tratar e que pode exigir meses de antibióticos Muito Alta – Risco de danos permanentes no osso e necessidade de cirurgia
Celulite Infecciosa As bactérias entram pela ferida e infetam os tecidos ao redor, causando vermelhidão extrema, calor e inchaço que se espalha Alta – Requer avaliação no próprio dia se a zona vermelha estiver a crescer ou se surgir pus
Anemia e 

Hipoproteinemia

A perda constante de fluidos e a inflamação crónica da ferida “consomem” as reservas do corpo, debilitando ainda mais o doente Pertinente – Deve ser monitorizado através de análises ao sangue regulares
Flictenas (Bolhas) Pequenas bolsas de líquido que surgem devido à fricção ou pressão. Indicam que a camada superficial da pele começou a separar-se da derme (Estágio 2) Moderada – Deve ser avaliado por um enfermeiro para evitar que a bolha rebente e cause uma infeção
Alteração de Temperatura A zona da pele pode estar muito mais quente (inflamação) ou muito mais fria (falta de circulação) do que a pele ao redor Pertinente – É um dos primeiros sinais de que os tecidos profundos estão em risco, mesmo antes de haver ferida
Eritema não branqueável Uma mancha vermelha que não fica branca quando a pressionamos com o dedo. Indica que o sangue já não está a fluir naquele ponto (Estágio 1) Pertinente – Requer alívio imediato da pressão e vigilância horária para evitar que a pele rompa
Edema localizado Um inchaço ligeiro ao redor da zona que sofre pressão. É a resposta inflamatória do corpo a tentar proteger o tecido em sofrimento. Vigilância – É um sinal de que aquela zona deve deixar de ser usada como ponto de apoio nas próximas horas
Maceração da pele A pele apresenta-se esbranquiçada, mole e “enrugada”, como se tivesse estado muito tempo na água. Acontece devido ao excesso de humidade (suor/urina) Prevenção. Não requer médico urgente, mas exige mudança imediata da fralda ou do creme de barreira usado

 

Mesmo nos casos que não requerem intervenção médica urgente (Emergência, Urgente, Muito Alta ou Alta), deve ser sempre realizada uma avaliação clínica da situação. Esta avaliação fica a cargo dos médicos que acompanham o paciente ou, caso o doente não possa ser deslocado, deve ser realizada com cuidados de saúde ao domicílio prestados por enfermeiros ou médicos.

 

Mitos e verdades sobre escaras

Sendo uma doença com grande prevalência entre doentes imobilizados ou com baixa mobilidade, com impacto no envelhecimento saudável e na longevidade, existem várias ideias preconcebidas relativamente às úlceras de pressão. Conheça a resposta relativa aos principais mitos sobre as escaras.

 

Mito Verdade
“Escaras são sempre visíveis e fáceis de identificar” A lesão tissular profunda pode existir sob pele aparentemente intacta, com apenas uma ligeira descoloração púrpura ou castanha visível. As alterações de cor podem ser imperceptíveis, tornando a avaliação da temperatura e textura da pele muito importante
“Tratar uma escara é simples e rápido” O tratamento de escaras, especialmente de estágios avançados, é complexo, moroso e dispendioso. Pode envolver curativos especializados, desbridamento cirúrgico, terapia de pressão negativa, antibioterapia prolongada e meses de cuidados intensivos
“As escaras só afetam pessoas muito idosas” As escaras podem afetar pessoas em qualquer idade, em situações de mobilidade reduzida. Jovens com lesões medulares, pessoas em recuperação pós-cirúrgica ou doentes em estado crítico têm risco igualmente elevado de desenvolver úlceras de pressão
“As escaras são inevitáveis em pessoas acamadas” As medidas preventivas adequadas, como reposicionamento regular, nutrição correta, cuidados com a pele e uso de equipamentos apropriados, permitem prevenir a grande maioria das escaras, mesmo em pessoas totalmente acamadas
“Uma escara que não dói não é grave” Muitas pessoas com escaras graves não sentem dor, especialmente quem tem neuropatia (diabetes), lesões medulares ou défice cognitivo. A ausência de dor não indica ausência de lesão e pode mesmo indicar a existência de danos neurológicos que impedem a perceção do sofrimento tissular (dor nos tecidos)
“As escaras cicatrizam sozinhas se forem mantidas limpas” As escaras raramente cicatrizam sem tratamento correto. Uma ferida superficial pode progredir rapidamente para estágios graves com exposição de músculo ou osso. A limpeza é importante, mas insuficiente como tratamento único
“Fazer massagem na zona vermelha previne escaras” A massagem em zonas com vermelhidão é contraindicada e pode agravar significativamente a lesão. A pressão e o atrito da massagem aumentam o dano nos tecidos já comprometidos, acelerando a progressão da escara
“Escaras são apenas um problema de pele” As úlceras de pressão podem atingir músculos, tendões, cartilagens e ossos, causando complicações graves como osteomielite (infeção óssea), septicemia (infeção generalizada) e falência de vários órgãos, que podem ser fatais
“Uma escara que fecha está curada” A pele pode fechar à superfície e existir tecido morto ou infeção nas camadas profundas. Esta situação, chamada “encerramento falso”, é particularmente perigosa porque oculta um problema grave que continua a progredir internamente
“Escaras pequenas não precisam de cuidados médicos” Mesmo escaras de estágio I (apenas vermelhidão) requerem avaliação e intervenção imediata. Uma lesão aparentemente pequena pode progredir em poucas horas para um estágio grave, especialmente em pessoas com má circulação, diabetes ou desnutrição
“Colchões anti-escaras eliminam a necessidade de mudar de posição” Os colchões e almofadas anti-escaras são complementos importantes, mas não substituem o reposicionamento regular. Estes equipamentos distribuem melhor a pressão mas não a eliminam completamente
“Alimentação não tem influência no surgimento de escaras” A nutrição é um dos fatores mais determinantes na prevenção e cicatrização das escaras. Défices de proteínas, vitamina C, vitamina A, zinco e ferro comprometem diretamente a saúde da pele, a sua resistência à pressão e a capacidade de reparação tecidular. E o excesso de peso, por má alimentação, aumenta a pressão e o risco de feridas de pressão
“As escaras são um sinal de má qualidade dos cuidados” Algumas úlceras de pressão podem surgir mesmo com as melhores práticas de cuidado, especialmente em pessoas com estado de saúde muito debilitado, má circulação severa ou doentes terminais

 

Qual é o tratamento para as escaras?

Os tratamentos para as escaras são diversos, e dependem da localização da ferida, do seu estágio e do estado de saúde de cada pessoa. Mas os tratamentos mais usados nas úlceras de pressão são os seguintes:

  • Limpeza e desbridamento da ferida: remoção de tecido morto, crosta, esfacelo ou escara da ferida através de métodos mecânicos (irrigação com soro fisiológico), autolíticos (curativos que dissolvem o tecido necrótico), enzimáticos (produtos que degradam quimicamente o tecido morto) ou cirúrgicos (remoção manual por profissional de saúde). É o passo inicial e fundamental de qualquer tratamento, pois tecido morto impede a cicatrização e favorece a infeção;
  • Curativos especializados: aplicação de pensos terapêuticos adaptados ao estágio e características da ferida, que mantêm o ambiente húmido ideal para a cicatrização, absorvem o exsudado (drenagem), protegem de contaminação externa e reduzem a dor. A escolha do curativo correto é determinante para a evolução positiva da ferida;
  • Reposicionamento e alívio da pressão: eliminação ou redução da pressão sobre a zona afetada através de mudanças regulares de posição, uso de colchões e almofadas anti-escaras e posicionamento correto do corpo. Sem alívio de pressão, nenhum outro tratamento é eficaz — a causa da lesão tem de ser eliminada para que a cicatrização seja possível;
  • Tratamento de infeções com medicação: quando existe infeção local ou sistémica, é necessária a aplicação de antissépticos ou antibióticos tópicos (diretamente na ferida) ou antibioterapia sistémica (oral ou intravenosa) para eliminar as bactérias responsáveis. A infeção é a complicação mais comum das escaras e pode evoluir para septicemia se não tratada adequadamente;
  • Nutrição e hidratação terapêutica: reforço da alimentação com proteínas, vitaminas (especialmente C e A) e minerais (zinco, ferro) essenciais para a reparação tecidular e cicatrização. Em casos de desnutrição severa, pode ser necessária suplementação específica ou nutrição entérica (por sonda) para garantir os nutrientes necessários à recuperação;
  • Terapia de pressão negativa (VAC): aplicação de pressão negativa controlada sobre a ferida através de uma esponja especial coberta por película aderente e conectada a uma bomba. Este método remove o exsudado, reduz o edema, estimula a formação de tecido de granulação e acelera a cicatrização, sendo especialmente eficaz em escaras de estágios III e IV com grande volume de tecido necrótico ou exsudado;
  • Desbridamento cirúrgico: remoção cirúrgica de tecido necrótico extenso, realizada em bloco operatório por cirurgião. É indicado em escaras de estágio III ou IV com grande quantidade de tecido morto, infeção profunda, tunelização extensa ou quando outros métodos de desbridamento não são suficientes. Pode ser necessário repetir o procedimento várias vezes ao longo do tratamento;
  • Cirurgia reconstrutiva: em escaras profundas e extensas de estágio IV que não cicatrizam com tratamento conservador, pode ser necessária reconstrução cirúrgica através de retalhos cutâneos (transferência de pele de outra zona do corpo), retalhos musculares ou enxertos de pele para cobrir a ferida e restaurar a integridade dos tecidos;
  • Oxigenoterapia hiperbárica: tratamento complementar que consiste em respirar oxigénio puro em câmara pressurizada, aumentando significativamente a concentração de oxigénio nos tecidos. Promove a cicatrização em feridas crónicas de difícil resolução, estimula a angiogénese (formação de novos vasos sanguíneos) e tem efeito antibacteriano em infecções por bactérias anaeróbias;
  • Eletroestimulação: aplicação de corrente elétrica de baixa intensidade sobre a ferida ou zona circundante para estimular a proliferação celular, aumentar o fluxo sanguíneo local e acelerar a cicatrização. É uma terapia adjuvante utilizada em escaras crónicas que não respondem ao tratamento convencional;
  • Laserterapia de baixa intensidade: utilização de luz laser para estimular a regeneração celular, reduzir a inflamação e a dor, e acelerar a cicatrização tecidular. É uma terapia complementar não invasiva, sem efeitos secundários significativos, que pode ser usada em combinação com outros tratamentos;
  • Tratamento da causa subjacente: controlo e otimização das doenças que comprometem a cicatrização e aumentam o risco de escaras, como diabetes (controlo glicémico), insuficiência cardíaca (melhoria da circulação), anemia (correção dos níveis de hemoglobina) e desnutrição. Sem tratar as causas que dificultam a cicatrização, o tratamento local da ferida tem eficácia limitada;
  • Gestão da dor: administração de analgésicos adequados (tópicos ou sistémicos) para controlar a dor associada às escaras e aos procedimentos de tratamento, como a troca de curativos ou o desbridamento. O controlo eficaz da dor melhora a qualidade de vida, facilita os cuidados e contribui para uma recuperação mais rápida;
  • Monitorização e documentação regular: avaliação sistemática da evolução da ferida – medindo dimensões, profundidade, quantidade de exsudado, presença de tecido necrótico e sinais de infeção – e ajuste do plano de tratamento em função da resposta observada. A documentação fotográfica regular permite comparar a evolução objetivamente e tomar decisões clínicas informadas.

 

O tratamento das escaras deve ser sempre supervisionado por profissionais de saúde qualificados. A automedicação ou o uso de produtos não recomendados pode agravar a lesão, causar infeção ou atrasar a cicatrização.

Que produtos e curativos são usados para tratar úlceras de pressão?

Os produtos e curativos utilizados no tratamento de úlceras de pressão variam consoante o estágio da ferida. Além disso, a quantidade de exsudado (drenagem), a presença de tecido necrótico e o estado geral da pessoa também são tidos em conta na escolha dos medicamentos e produtos usados para tratar escaras.

No Estágio 1 o objetivo é proteger a pele e evitar que ela rompa. O produto “estrela” são os Ácidos Gordos Essenciais (AGE), óleos ricos em vitaminas A e E que hidratam e aceleram a regeneração celular. Também se utilizam cremes de barreira (à base de óxido de zinco) se houver humidade por incontinência, ou películas de proteção transparentes (poliuretano) que permitem vigiar a evolução da mancha enquanto protegem contra a fricção dos lençóis. O foco aqui é a hidratação extrema e o alívio imediato da pressão.

No Estágio 2, quando a pele já rompeu ou formou uma bolha, o tratamento passa a focar-se na cicatrização em ambiente húmido. O curativo mais comum é o Hidrocolóide, que cria um gel sobre a ferida, protegendo-a de bactérias e mantendo a humidade ideal para as células crescerem. Se a ferida tiver algum líquido (exsudado), podem usar-se espumas de poliuretano (pensos absorventes), que são macias e ajudam a amortecer a pressão. A limpeza deve ser feita apenas com soro fisiológico morno, evitando antissépticos fortes que podem danificar o tecido jovem que está a tentar nascer.

Para os Estágios 3 e 4, os mais avançados,  o tratamento é complexo e deve ser sempre acompanhado por enfermagem. Se houver tecido morto (preto ou amarelado), utilizam-se Hidrogéis para amolecer a necrose e facilitar a sua remoção. Para feridas com muito pus ou líquido, usam-se Alginatos de Cálcio (feitos de algas), que conseguem absorver grandes quantidades de secreções. Se houver sinal de infeção, aplicam-se pensos com Prata, que têm uma ação antibacteriana potente. Em casos muito profundos, podem ser necessárias esponjas de preenchimento para fechar a cavidade de dentro para fora, evitando que a pele feche antes de o “buraco” interno estar curado.

O tratamento de escaras em idosos requer cuidados específicos?

Sim, o tratamento de escaras em idosos exige uma abordagem muito mais cautelosa e específica. Isto decorre das características particulares da pele dos idosos, bem como dos constrangimentos e doenças decorrentes do avançar da idade. As principais diferenças são as seguintes:

 

Motivo Específico Tratamento de Escaras em Idosos
Fragilidade da Pele O manuseamento deve ser extremamente suave. O uso de pensos com adesivos muito fortes pode, ao ser removido, arrancar a pele saudável ao redor da ferida (lesão por adesivo), criando um problema novo ao tentar resolver outro.
Desafios Nutricionais e de Hidratação Além da boa alimentação, é necessária a prescrição de suplementos orais hiperproteicos específicos para cicatrização, que contêm arginina e zinco em doses terapêuticas.
Doenças Crónicas O tratamento da escara não pode ser isolado. Por exemplo, se a diabetes não estiver controlada (glicemia alta), a ferida nunca irá fechar, pois o açúcar elevado no sangue impede a ação das células de defesa e de reconstrução.
Fatores Cognitivos e Imobilidade O plano de reposicionamento tem de ser rígido e assistido. O idoso dificilmente mudará de posição sozinho, pelo que o cuidador deve seguir um esquema de “relógio de posicionamento” (ex.: mudar de 2 em 2 horas) sem falhas.
Gestão da Incontinência Requer o uso de cremes de barreira de alta qualidade (que não impedem a absorção da fralda) e a troca imediata após qualquer descuido. O ambiente da escara deve estar limpo, mas nunca “ensopado”.

 

O tratamento de escaras em pessoas acamadas requer cuidados específicos?

Sim, o tratamento em pessoas acamadas exige um rigor extremo no alívio total da pressão, pois a causa da lesão permanece constante. Além dos curativos, é obrigatório implementar um plano de mudanças de posicionamento a cada 2 horas, utilizar colchões de pressão alternada (anti-escaras) e garantir uma higiene rigorosa para evitar a humidade. 

Sem estas medidas de suporte, nenhum tratamento tópico de escaras em pessoas acamadas será eficaz, porque a circulação sanguínea continuará bloqueada pela imobilidade.

Quando é necessário tratamento cirúrgico das escaras?

A cirurgia para escaras é indicada quando a escara atinge os Estágios III ou IV, apresentando necrose extensa (tecido morto), infeção profunda que não cede a tratamentos convencionais ou exposição de ossos e tendões. Nestes casos graves, recorre-se ao desbridamento cirúrgico para limpar a ferida ou a cirurgias reconstrutivas (retalhos de pele e músculo) para fechar a cavidade, e muitas vezes esta é a única forma de evitar uma infeção generalizada e salvar a vida do paciente.

As escaras podem desaparecer sem tratamento?

Apenas as escaras de Estágio 1, detetadas precocemente, podem ser revertidas sem intervenção clínica complexa (como curativos ou cirurgia). Nestas situações, a pele ainda está íntegra e a circulação não foi totalmente interrompida, e a lesão pode desaparecer com o alívio imediato e total da pressão sobre a zona afetada. Mas é necessária a monitorização, para garantir que a lesão está a a evoluir de forma positiva.

A partir do momento em que a pele rompe ou a mancha persiste, o tratamento médico especializado torna-se obrigatório para evitar infeções e o agravamento da ferida. Como tal, todas as escaras dos estágios 2, 3 e 4 requerem uma intervenção médica especializada.

Quanto tempo demora a cicatrizar uma escara?

O tempo de recuperação depende do estágio da lesão. Uma escara de Estágio 1 pode desaparecer em poucos dias com o alívio da pressão, enquanto o Estágio 2 demora, em média, 2 a 4 semanas. Já as úlceras de pressão de Estágio 3 e 4 são de cicatrização muito lenta e complexa, e podem demorar vários meses ou até anos para fechar totalmente, dependendo do estado nutricional e da saúde geral do doente.

É muito difícil tratar escaras?

Sim, o tratamento das escaras é bastante complicado e requer disciplina, rotina e cuidados associados. Se a pressão não for removida do local a cada 2 horas, a ferida não cicatriza, independentemente da qualidade do penso utilizado. Além disso, é necessário um esforço coordenado do tratamento com a nutrição, higiene e mobilização constante, para um tratamento holístico e preventivo e que combate todos os fatores que influenciam o surgimento das escaras.

 

Como prevenir as escaras?

Para prevenir as escaras obriga é necessária uma intervenção direta sobre os locais em risco e também um conjunto de cuidados com a pele, nutrição e outras áreas que fortalecem o corpo e reduzem o risco de surgimento destas lesões. Os principais cuidados na prevenção de úlceras de pressão, diretos e indiretos, são os seguintes:

  • Alívio da Pressão: Realizar mudanças de posição frequentes (a cada 2 horas em acamados e a cada 15-30 minutos em cadeira de rodas), utilizando colchões e almofadas anti-escaras (viscoelásticos, de ar alternado ou de gel). Garantir um posicionamento correto com alinhamento corporal adequado, evitando posições que aumentem a pressão nas proeminências ósseas (sacro, calcâneos, trocânteres, cotovelos, maléolos e occipital). Elevar os calcâneos com almofadas sob as pernas e colocar almofadas entre joelhos e tornozelos;
  • Cuidados com a Pele: Realizar inspeção diária e sistemática de toda a pele, especialmente nas zonas de risco. Efetuar higiene diária com produtos de pH neutro sem esfregar, seguida de secagem cuidadosa nas pregas cutâneas e hidratação com cremes emolientes. Proteger a pele contra humidade excessiva com barreiras protetoras (películas e cremes de barreira), evitando massajar as proeminências ósseas;
  • Controlo da Humidade: Gerir a incontinência urinária e fecal com fraldas adequadas ou algaliação se necessário, procedendo à troca frequente de fraldas e lençóis húmidos e utilizando protetores de cama absorventes;
  • Redução das Forças de Cisalhamento e Fricção: Utilizar técnicas corretas de mobilização e transferência (lençol de transferência, elevadores), manter a cabeceira da cama a não mais de 30° salvo contraindicação clínica, e assegurar que a roupa de cama está lisa e sem dobras ou rugas, evitando arrastar o doente;
  • Nutrição e Hidratação: Assegurar uma dieta rica em proteínas, vitaminas (C e E) e zinco, com hidratação adequada (1,5 a 2 litros de água por dia, salvo restrição). Realizar avaliação nutricional regular com escalas como a MNA e recorrer a suplementação nutricional quando necessário;
  • Avaliação e Monitorização do Risco: Aplicar escalas de avaliação de risco (Braden, Norton ou Waterlow) na admissão e periodicamente, registando e monitorizando as alterações da pele e elaborando um plano de cuidados individualizado e documentado;
  • Mobilização e Reabilitação: Estimular a mobilidade e autonomia do doente dentro das suas possibilidades, promovendo fisioterapia, mobilização precoce e exercícios passivos e ativos conforme tolerância;
  • Educação e Formação: Garantir a formação dos profissionais de saúde sobre prevenção de escaras e realizar ensino ao doente, família e cuidadores sobre sinais de alerta, posicionamentos corretos e cuidados com a pele, envolvendo-os ativamente no plano de prevenção;
  • Gestão Clínica Geral: Exige o controlo de doenças crónicas (diabetes, insuficiência vascular, anemia) e da dor para facilitar a mobilização, a gestão de edemas, a revisão da medicação de risco (corticoides, sedativos) e o controlo da temperatura corporal e ambiental.

 

Quais os cuidados principais com a pele para evitar escaras?

Os principais cuidados com a pele para prevenir escaras passam por inspecionar diariamente toda a pele, especialmente nas zonas de proeminência óssea, realizar uma higiene suave com produtos de pH neutro sem esfregar, secar bem as pregas cutâneas e aplicar cremes emolientes para manter a pele hidratada. É igualmente importante proteger a pele da humidade causada por incontinência ou suor, recorrendo a cremes de barreira ou películas protetoras, e garantir que a roupa de cama está sempre lisa e sem dobras. Outro cuidado passa por evitar massajar as proeminências ósseas, pois pode causar trauma nos tecidos.

Como fazer a inspeção da pele em casa para prevenir ou detetar escaras?

Para fazer a inspeção da pele em casa para prevenir ou detetar escaras siga estes passos:

  1. Escolha um momento fixo do dia para realizar a inspeção, de preferência durante ou após a higiene diária, com boa iluminação no ambiente;
  2. Reúna o material necessário — um espelho de cabo longo para visualizar zonas de difícil acesso e luvas se necessário.
  3. Comece pela cabeça, inspecionando o occipital (parte de trás da cabeça), as orelhas e a face, em caso de pessoas que permanecem muito tempo deitadas;
  4. Avance para os ombros e omoplatas, cotovelos e coluna vertebral, percorrendo toda a extensão das costas;
  5. Inspecione a zona do sacro e cóccix (parte inferior das costas e “bacia”), que é uma das áreas de maior risco em pessoas acamadas;
  6. Observe os trocânteres (parte lateral das ancas), os ísquios (zona dos glúteos) e a zona genital/perineal, especialmente em caso de incontinência;
  7. Prossiga para os membros inferiores, verificando os joelhos, maléolos (tornozelos) e calcâneos (calcanhares), que são zonas de risco elevado;
  8. Em cada zona, procure sinais de alerta como vermelhidão que não desaparece após alívio da pressão, pele quente ou fria ao toque, endurecimento, bolhas, feridas abertas ou alterações de cor em peles mais escuras;
  9. Registe qualquer alteração encontrada, anotando a localização e o aspeto, e comunique ao profissional de saúde se surgirem sinais suspeitos;
  10. Após a inspeção, aproveite para hidratar a pele e verificar se existem dobras na roupa ou na cama que possam causar pressão adicional.

 

Qual a importância das mudanças de posição para prevenir as escaras?

As mudanças de posição são fundamentais para prevenir úlceras de pressão, porque aliviam a pressão contínua sobre as proeminências ósseas, restaurando a circulação sanguínea nos tecidos. Sem esse alívio, feito de forma constante por equipas de apoio em casa, a falta de oxigénio e nutrientes nos tecidos comprimidos leva rapidamente à sua deterioração e ao aparecimento de escaras.

De quanto em quanto tempo mudar de posição para prevenir escaras?

Para prevenir escaras em pessoas acamadas, a mudança de posição deve ser feita a cada 2 horas. Em pessoas sentadas em cadeira de rodas ou cadeirão, o alívio da pressão deve ocorrer a cada 15 a 30 minutos, seja através de inclinações do tronco ou com apoio de outra pessoa.

Quais os cuidados ao mover pessoas com escaras?

Ao mobilizar uma pessoa com escaras, deve-se evitar arrastar ou deslizar o corpo sobre a superfície, pois provoca fricção e cisalhamento que agravam as lesões. Devem ser utilizados lençóis de transferência ou outros dispositivos de auxílio, mover a pessoa com suavidade, nunca apoiar nem posicionar diretamente sobre a zona lesionada e garantir o alinhamento corporal correto após o posicionamento.

Uma das melhores formas de garantir estes cuidados é com o recurso a cuidados especiais no domicílio, prestados pelos ajudantes familiares da Caring e com o suporte de enfermeiros e outros especialistas.

Qual a importância de uma boa alimentação na prevenção das escaras?

Uma alimentação cuidada ajuda a prevenir escaras por evitar a subnutrição e o excesso de peso, dois fatores que potenciam o risco de surgirem úlceras de pressão. Com uma alimentação adequada, a pele e os tecidos obtêm os nutrientes necessários para manterem a integridade e se regenerarem. 

A falta de proteínas, vitaminas C e E e zinco fragiliza a pele, compromete a cicatrização e aumenta significativamente o risco de desenvolver escaras. A hidratação adequada é igualmente importante, pois a pele desidratada perde elasticidade e fica mais vulnerável à lesão. E as doses adequadas de alimentos evitam a obesidade em pessoas com pouco mobilidade ou acamadas, reduzindo a pressão adicional que o excesso de peso provoca em determinadas áreas do corpo.

Que equipamentos são usados para prevenir as escaras?

Os principais equipamentos usados para prevenir úlceras de pressão são específicos anti-escaras, a que se juntam cuidados na escolha dos tecidos e materiais menos agressivos para a pele. Veja no quadro seguinte os equipamentos que ajudam a evitar o surgimento de escaras:

 

Equipamento / Material Benefício na Prevenção de Escaras
Colchão de Pressão Alternada

(colchão de ar anti-escaras)

Possui células pneumáticas que enchem e esvaziam ciclicamente (ligado a um motor), alterando constantemente os pontos de apoio do corpo e garantindo que nenhuma zona fica sob pressão por muito tempo
Colchão ou Sobrestar Viscoelástico Espuma de “memória” que se molda aos contornos do corpo, aumentando a superfície de contacto para distribuir o peso de forma uniforme e reduzir a pressão sobre os ossos salientes
Almofadas anti-escaras 

(Gel, Ar ou Espuma)

Protegem a região isquiática e o sacro, absorvendo o impacto e prevenindo o efeito de “fundo de rede”
Cama Articulada (Elétrica ou Manual) Facilita a mudança de posição (elevação do tronco ou pernas) sem arrastar o doente. Ajuda a reduzir o cisalhamento (estiramento da pele) que ocorre ao tentar acomodar o paciente numa cama normal
Cunhas e Posicionadores de Espuma Peças triangulares ou cilíndricas usadas para manter o doente na posição lateral correta (30 graus) e impedir que o corpo “escorregue” ou volte para a posição anterior
Protetores de Calcanhar (Botas) “Botas” almofadadas que envolvem o pé e o tornozelo, elevando o calcanhar para que este fique “flutuante” (sem tocar no colchão), eliminando totalmente a pressão nesta zona crítica
Elevadores de Transferência (Gruas) Equipamentos mecânicos que permitem levantar e mover o doente da cama para a cadeira (e vice-versa) sem fricção ou arrastamento da pele contra os lençóis
Roupa de Cama 100% Algodão (sem costuras) Tecidos naturais e respiráveis que evitam o sobreaquecimento e absorvem a humidade (suor), mantendo a pele seca. Devem ser esticados para não criar vincos que ferem a pele
Lençol de Deslize (Slide Sheet) Pano de baixa fricção colocado sob o doente para o reposicionar na cama sem o arrastar, reduzindo a fricção e o cisalhamento sobre a pele. É diferente da grua, pois é usado para pequenos ajustes de posição no próprio leito, no dia a dia
Pensos Profiláticos de Espuma Pensos de espuma fina (como os de silicone suave) aplicados diretamente sobre as proeminências ósseas de maior risco, como o sacro e os calcanhares. Funcionam como uma segunda pele, absorvendo a pressão e a fricção antes que estas lesem o tecido. São cada vez mais recomendados como medida preventiva, especialmente em doentes de alto risco

 

Que tecidos usar e quais evitar para não surgirem escaras?

Para não surgirem escaras deve-se optar sempre por tecidos naturais, preferencialmente 100% algodão, pois são respiráveis, macios e absorvem a humidade, mantendo a pele seca e fresca. Em contrapartida, devem evitar-se tecidos sintéticos (como poliéster ou nylon) e roupas com costuras grossas, elásticos apertados, botões ou fechos nas zonas de apoio. Estes materiais retêm o calor, aumentam a transpiração (maceração) e o atrito, acelerando drasticamente a formação de feridas.

Qual a rotina diária ideal para prevenir escaras?

A rotina ideal para prevenir de forma continuada o surgimento de escaras deve contemplar os seguintes passos:

  • Inspeção da pele ao acordar: Antes de qualquer cuidado, inspecionar toda a pele, especialmente nas zonas de proeminência óssea (sacro, calcanhares, ancas, cotovelos, occipital), procurando sinais de vermelhidão, endurecimento ou feridas;
  • Higiene matinal: Lavar a pele com água morna e produto de pH neutro, sem esfregar. Secar com movimentos suaves, prestando atenção especial às pregas cutâneas (virilhas, axilas, sob os seios);
  • Hidratação da pele: Após a higiene, aplicar creme hidratante (emoliente) em toda a pele, evitando massajar sobre as proeminências ósseas. Aplicar creme de barreira nas zonas expostas à humidade, como a região perineal;
  • Posicionamento matinal: Colocar a pessoa numa posição correta e confortável, utilizando cunhas e posicionadores de espuma para manter o alinhamento corporal. Garantir que os calcanhares ficam elevados e sem contacto com o colchão;
  • Nutrição e hidratação ao pequeno-almoço: Assegurar uma refeição rica em proteínas e vitaminas, acompanhada de ingestão adequada de líquidos. Registar o que foi ingerido se houver risco nutricional;
  • Mudanças regulares de posição ao longo da manhã: Mudar a posição a cada 2 horas em pessoas acamadas ou a cada 15 a 30 minutos em pessoas sentadas. Registar os posicionamentos realizados para garantir a rotatividade correta;
  • Verificação da humidade a meio da manhã: Verificar se a fralda ou roupa interior está húmida, procedendo à sua troca se necessário. Limpar e secar bem a pele e reaplicar creme de barreira;
  • Reforço nutricional: Garantir ao almoço uma refeição completa e equilibrada. Em caso de dificuldade em comer, adaptar a textura dos alimentos e, se indicado pelo profissional de saúde, administrar suplemento nutricional;
  • Continuação das mudanças de posição durante a tarde: Manter a rotina de alívio de pressão, alternando entre decúbito lateral direito, esquerdo e semi-dorsal (a 30 graus), nunca posicionando diretamente sobre uma zona lesionada ou em risco;
  • Segunda inspeção da pele ao final da tarde: Realizar uma breve inspeção às zonas de maior risco, comparando com o estado observado de manhã, juntamente com a verificação da humidade. Registar qualquer alteração e comunicar ao profissional de saúde se necessário;
  • Jantar e hidratação noturna: Assegurar nova refeição adequada e ingestão de líquidos. Reduzir os líquidos no final do dia apenas se houver indicação para minimizar episódios de incontinência noturna;
  • Higiene e preparação para a noite: Repetir os cuidados de higiene, secagem e hidratação da pele. Trocar a roupa de cama se necessário, garantindo que os lençóis estão bem esticados e sem dobras;
  • Posicionamento noturno: Posicionar corretamente para o período de sono, com apoio de cunhas e posicionadores, garantindo que o colchão anti-escaras está ligado e funcional. Programar as mudanças de posição noturnas (a cada 2 horas, mesmo durante a noite);
  • Registo diário: No final do dia, anotar as mudanças de posição realizadas, o estado da pele, a alimentação e hidratação e qualquer alteração observada, para partilhar com a equipa de saúde nas visitas ou consultas.

 

O papel do apoio domiciliário na prevenção e tratamento das escaras

Recorrer ao apoio domiciliário é uma das formas de defesa mais eficaz contra as úlceras de pressão. Os cuidados prestados ajudam a prevenir o seu surgimento, conseguem reconhecer os primeiros sinais das úlceras de pressão, para antecipar o tratamento, e contribuem na prestação dos cuidados que ajudam a eliminar as feridas de pressão. 

A especialização do cuidado domiciliário na higiene pessoal, posicionamentos e gestão na nutrição e hidratação, são trunfos que garantem tranquilidade à família relativamente aos cuidados certos para pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida. Além disso, tratam-se de cuidados personalizados, uma vantagem em comparação aos lares de idosos onde muitas vezes não existe a capacidade logística para dar a atenção necessária a todos os utentes nas transferências de posição e na alimentação.

Além disso, os cuidados prestados pela Caring contam com o apoio de serviços de enfermagem ao domicílio que garantem acompanhamento médico no tratamento de escaras. Este suporte garante um cuidado ainda mais especializado, revertendo as escaras iniciais e garantindo mais eficácia no tratamento das que alcançaram um estágio mais avançado. 

Se tem um familiar ou outra pessoa que necessita de apoio, por estar acamado, em pós-operatório ou tem mobilidade reduzida, faça agora a sua simulação de apoio domiciliário. Vamos dar-lhe uma resposta rápida, com um orçamento grátis para as suas necessidades e proporcionar-lhe o serviço personalizado e de requinte que procura.

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